Arquivo para setembro \30\UTC 2009

30
set
09

Divergência entre Brasil e EUA expõe racha na OEA

A falta de acordo em torno de uma declaração sobre Honduras parece ter representado um baque para a unidade da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Após várias horas de debates, o Conselho Permanente da organização não conseguiu aprovar uma resolução manifestando suas opiniões sobre os últimos desenvolvimentos da crise política em Honduras e sobre se deve ou não reconhecer o resultado das eleições marcadas para o fim de novembro.

A reunião extraordinária do Conselho foi inicialmente convocada para rejeitar a expulsão de vários membros de um grupo da OEA que prepararia a visita de uma comissão ministerial do corpo.

Mas o encontro, que estava previsto para durar algumas horas, acabou exacerbando diferenças entre os países, em especial Brasil e Estados Unidos, em relação a medidas para lidar com a crise política.

O embaixador brasileiro na organização, Ruy Casaes, chegou inclusive a dizer que “a OEA está caminhando para um absoluto estado de irrelevância”.

Divergências

A OEA esperava emitir um texto alertando Tegucigalpa que o estado de emergência decretado por 45 dias no país retira ainda mais a legitimidade das eleições previstas para novembro.

No entanto, as observações de diversos embaixadores forçaram uma mudança no foco e formulação do documento, o que acabou exigindo várias horas de negociações – ao final, frustradas.

O embaixador dos Estados Unidos na organização, Lewis Amselem, afirmou que a volta a Honduras do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, foi “irresponsável e insensata”.

“O retorno do presidente Zelaya a Honduras sem nenhum acordo é irresponsável e insensata e não serve nem aos interesses do povo hondurenho nem àqueles que procuram o restabelecimento da ordem democrática em Honduras”, disse Amselem.

O embaixador americano afirmou, sem citar nomes, que aqueles que facilitaram a volta de Zelaya a Honduras “têm uma responsabilidade especial em prevenir violência e fornecer bem-estar ao povo hondurenho enquanto ele enfrenta outra crise”.

O Brasil está sendo acusado pelo governo interino de Honduras de saber de antemão da volta de Zelaya ao país – embora o governo brasileiro continue negando essa informação, e o chanceler brasileiro, Celso Amorim, tenha dito que “jura” não ter sido informado da operação com antecedência.

Na sua vez de falar, o embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, pedindo uma declaração mais dura contra o governo interino, e criticou os que defendiam uma declaração mais amena.

A OEA está caminhando para um absoluto estado de irrelevância.
O embaixador brasileiro sustentou que a situação na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde o dia 21 de setembro, é grave e pode piorar.

“Não há dúvidas de que existem condições para que (a crise) ameace a paz internacional”, disse Casaes, afirmando que o governo brasileiro teme que a crise política em Honduras ameace a estabilidade da região.

Falta de consenso

No fim ninguém chegou a um consenso a OEA emitiu uma declaração assinada apenas pelo presidente do Conselho Permanente e do secretário-geral, expressando que “se mantêm atentos à evolução da crise política” em Honduras.

A declaração pede ainda “respeito à inviolabilidade da missão diplomática (brasileira) e das imunidades e privilégios dos seus funcionários, em conformidade com o direito internacional”.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, criticou o estado de sítio decretado pelo governo interino de Honduras no último domingo e afirmou que este tipo de medida “vai em direção contrária” ao restabelecimento da normalidade no país.

A jornalistas, o secretário Insulza disse que o retorno de Zelaya a Honduras “aumentou a tensão”, mas disse que ao mesmo tempo, abriu o caminho para negociar a saída da crise.

“Há um caminho de ruptura, admitamos, não é uma boa situação. Mas espero que esta situação termine a partir do momento em que as partes procurem uma negociação”, disse Insulza, que concordou que está alternativa está atualmente em ponto morto.

30
set
09

EUA negaram homenagem a criadora de Harry Potter por ‘bruxaria’, diz livro

Um ex-autor de discursos do ex-presidente americano George W. Bush revelou que o governo dos Estados Unidos vetou uma homenagem à autora da série de livros sobre o mago Harry Potter, JK Rowling, porque alguns políticos achavam que ela incentivava a bruxaria.

Matt Latimer afirmou em seu livro Speechless: Tales of a White House Survivor (“Sem Fala: Contos de um Sobrevivente da Casa Branca”, em tradução livre) que alguns integrantes do próprio governo Bush acreditavam que a escritora britânica promovia a feitiçaria nos livros.

Como resultado, Rowling nunca foi condecorada com a Medalha Presidencial da Liberdade.

A condecoração reconhece a contribuição dos agraciados para os interesses nacionais dos Estados Unidos, paz mundial ou esforços culturais.

“Pensamento limitado”

Entre os escritores que já receberam o prêmio estão John Steinbeck e Harper Lee.

No seu livro, Latimer escreve que o “pensamento limitado” levou a esta medida das autoridades da Casa Branca.

O autor afirma ainda que o governo Bush também negou a comenda a outras pessoas como, por exemplo, o senador democrata Edward Kennedy, que morreu em agosto deste ano.

Latimer alegou que o político veterano de uma das famílias políticas mais tradicionais e famosas dos Estados Unidos foi excluído da homenagem por ser considerado liberal demais.

30
set
09

NÃO, NÃO VOU CONCEDER. NÃO PRECISO SER SIMPÁTICO

“Por que você não concede que houve um golpe ao menos, embora Zelaya, Chávez e o Brasil estejam obviamente errados? Afinal, expulsar o sujeito do país, sem o devido processo legal!?!?!? Foi um golpe para impedir outro, como Jabor disse ontem no Jornal da Globo, mas foi um golpe”.

Não admito porque não houve, e nem “toda a comunidade internacional” afirmar o contrário faz um não-golpe ser um golpe. Como, no passado, não fez o Sol girar em torno da Terra ou o coração ser o centro do pensamento. Já demonstrei que, quando Zelaya foi tirado do país, nem presidente era mais. Se faltou o “devido processo legal” (caso tenha realmente saído à força), isso é outra coisa. A Justiça o destituiu, e a Constituição lhe dá poderes para tanto.

Não sou um moço de fazer acordos para ser simpático e demonstrar aos meus críticos e àqueles que detestam o que eu penso que não sou “um sectário”. Não sou político. Não preciso de voto. Não preciso que gostem de mim ou que me “compreendam”. Não que eu seja como o Gabriel Chalita do Ciro Gomes e goste, como é mesmo?, de “colocar a mão na massa e levar na cara”, hehe. De jeito nenhum! Só não faço questão de ser “moderado”.

Creio, aliás, que vivemos tempos de covardia intelectual explícita. Muita gente boa — ou que pensa direito — se deixa patrulhar por uma canalha que não vale nada. Ora, será que aquela gente estranha, a soldo, em seus blogs prestadores de serviços, vai, algum dia, fazer um bom juízo do que eu escrevo? Se, de vez em quando, lembro que existem, quero mais é que façam mau juízo mesmo.

Não! Eu não concedo. E vou continuar a distinguir a deposição constitucional de Manuel Zelaya de sua eventual expulsão ilegal do país — digo “eventual” porque este líder cretinóide anti-semita é um mentiroso compulsivo. Tenho informações boas de que a saída foi a alternativa à prisão. Mas esse particular, agora, é irrelevante.

A Corte Suprema do país impediu que Zelaya desse um golpe. Afinal, ele havia dado uma ordem ao Exército contrária a uma decisão da Justiça. E ele foi constitucionalmente deposto.

Não foi um golpe para evitar um golpe porcaria nenhuma! Foi a aplicação da Constituição democrática contra um golpista.

Não há o que ceder. A Terra gira em torno do Sol. O cérebro é a morada do pensamento. A maçã cai por causa da Lei da Gravidade.

E caso venha a se formar um consenso contra essas verdades, serão apenas verdades sufocadas pelo consenso.

30
set
09

O advogado que pretende ganhar um debate chamando o adversário de “direitista”

Um tal Pedro Estevam Serrano, de quem nunca ouvi falar – pus seu nome do Google, e uma das primeiras referências apareceu no Blog do ex-marido de Marta Suplicy -, escreve um artigo hoje na Folha em que tenta provar que houve um golpe em Honduras. Leiam lá. Depois escrevo a respeito. Um trechinho, no entanto, vale já um breve comentário:
Escreve o valente:
A conduta golpista tratou-se de um cipoal de inconstitucionalidades, ao contrário do que postularam articulistas apressados, mais animados pela simpatia ao golpe de direita que por qualquer avaliação mais precisa e sistemática da Constituição hondurenha.

Comento
Como vêem, ele recorre àquela palavra muito comum na pena de vigarice intelectual quando quer ganhar um debate sem ter razão. Farei, gostosamente, um azulzinho e vermelho com ele. Vamos ver: eu, porque digo que não houve golpe, então sou apressado e simpático ao golpe de direita. O tal Serrano, que diz ter havido golpe, certamente é um pensador ponderado e isento. Quem concorda com ele é neutro e técnico; quem discorda dele é direitista e golpista. Será que ele argumenta assim em tribunal?

É assim que os bolivarianos avançam

Elio Gaspari também está de volta. E continua a levar a bomba do pirata para estourar longe de Lula, seu guia, não nosso. Continua mestre na arte de dizer que alhos e bugalhos são a mesma coisa. Fica pra depois.
Por Reinaldo Azevedo

30
set
09

Afastado por corrupção diz que recebeu ajuda de Toffoli

Por Andréa Michael, Andreza Matais e Hudson Corrêa, na Folha:
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, ignorou o princípio de uma lei federal e ajudou na defesa de um ex-ministro afastado do cargo e denunciado à Justiça por corrupção e formação de quadrilha. Quem afirma isso é o próprio ex-servidor, Silas Rondeau (Minas e Energia), em conversa gravada pela Polícia Federal.
“Quem me deu o nome [do advogado] foi o Toffoli e foi aprovado pela Erenice [Guerra, secretária-executiva da Casa Civil] e pela própria [ministra] Dilma [Rousseff]“, afirma Rondeau em 14 de maio de 2008, um ano depois de ele ter sido exonerado do cargo e dois dias após ter sido formalizada a denúncia contra ele no Superior Tribunal de Justiça.
De acordo com a lei 9.028/ 1995, a AGU só pode participar da defesa de autoridades “quando vítimas de crime quanto a atos praticados no exercício de suas atribuições” -por exemplo, um funcionário público que foi alvo de assédio moral por parte de um superior ou que, diante de uma tentativa de suborno, recusou a oferta e resolveu levar o caso à Justiça.
Ao contrário, por lei, em casos como o de Rondeau, a AGU é encarregada de processar o agente público para reaver o dinheiro desviado do erário.
O órgão, aliás, já está analisando mais de 200 volumes de processos enviados pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-Geral da União para pedir ressarcimento por supostos prejuízos aos cofres públicos no caso que envolve o ex-ministro -a PF acusa Rondeau de receber propina de R$ 100 mil em troca de favorecimento em obras federais.
Ou seja, se Silas falou a verdade nos diálogos interceptados pela polícia, Toffoli ajudou um ex-servidor a escolher o advogado que a AGU possivelmente irá enfrentar na Justiça.
Procurado pela Folha, Toffoli, que será sabatinado hoje pelo Senado sobre a ida ao STF, declarou não se lembrar de ter conversado com o ex-ministro.

30
set
09

Melhor técnico não evita pressão no São Paulo, que joga contra o Náutico

CAROLINA ARAÚJO
da Folha de S.Paulo

Contar com o técnico de melhor rendimento nesta altura do Brasileiro não impede que o São Paulo enfrente o Náutico hoje, no Recife, sob pressão.

O time do Morumbi inaugura a 27ª rodada do campeonato com um único objetivo: recuperar-se de seus tropeços nas duas últimas partidas, contra Santo André e Corinthians.

E, pouco mais de três meses após fazer sua estreia no clube, contra o mesmo Náutico, Ricardo Gomes volta a enfrentar o time pernambucano.

Mas, desta vez, com um novo status. Antes alvo de desconfiança, hoje o são-paulino ostenta o melhor desempenho entre os técnicos do Nacional.

Ricardo Gomes conquistou 66,6% dos pontos disputados, com retrospecto de 11 vitórias, cinco empates e três derrotas.

Sua performance é superior à dos outros 19 técnicos do Brasileiro. Abaixo de Ricardo Gomes estão Muricy Ramalho, com aproveitamento de 61,1% no líder Palmeiras, e Hélio dos Anjos, treinador do segundo colocado Goiás, que conquistou 57,6% dos pontos que disputou.

Mas, a despeito de seu bom desempenho à frente da equipe, o são-paulino comandará hoje um time pressionado.

Os empates contra Santo André e Corinthians afastaram o São Paulo, com 45 pontos, do líder Palmeiras –em duas rodadas, a distância entre as equipes pulou de um para cinco pontos.

Com os dois tropeços, o time do Morumbi ainda viu outros adversários se aproximarem na tabela. Internacional e Atlético-MG estão somente um ponto atrás dos são-paulinos.

Por isso, o jogo contra o Náutico, 16º colocado do campeonato, é considerado fundamental para que o clube se mantenha na luta pelo título.

Caso não vença hoje, no único jogo da rodada, o São Paulo pode até deixar o G4 se Atlético-MG e Inter vencerem Barueri e Coritiba, respectivamente, no final de semana.

“Estamos embolados com mais três ou quatro times. Por isso, nosso resultado vai ser mais importante para esses adversários do que para o Palmeiras, único que abriu uma folga”, declarou Ricardo Gomes.

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“A única coisa que nos preocupa é recuperar em Recife os pontos que perdemos em Ribeirão Preto e em casa”, completou o volante Hernanes.

Para enfrentar um adversário que o São Paulo não vence nos Aflitos desde 1995, o técnico terá que lidar com vários desfalques. O goleiro Rogério, que se recupera de um edema na coxa esquerda, será novamente substituído por Bosco.

Dagoberto, titular no ataque, e Washington, seu substituto imediato, cumprirão suspensão. Já o volante Richarlyson, que foi poupado do treino de ontem, com dores no joelho esquerdo, também preocupa.

“Tomaremos a decisão antes do jogo. Mas o Richarlyson sempre se mostra à disposição, então é possível que ele jogue”, disse Ricardo Gomes.

30
set
09

Revista dos EUA mostra Rio de Janeiro à mercê de gangues

JANAINA LAGE
da Folha de S.Paulo, em Nova York (EUA)

Na semana do anúncio da escolha da sede da Olimpíada de 2016, a respeitada revista “New Yorker” apresenta reportagem de 12 páginas sobre a ação dos traficantes no Rio de Janeiro.

O retrato mostrado pela publicação é de uma cidade comandada por gangues, onde o poder público tem participação irrisória, incapaz de garantir a segurança da população.

O título da reportagem já indica o que o leitor encontrará nas páginas seguintes: “Terra de gangues – quem controla as ruas do Rio de Janeiro?”.

O autor, Jon Lee Anderson, jornalista de prestígio, é autor de biografia de Che Guevara e de livros sobre guerrilhas e sobre o Afeganistão.

O texto contrasta com a campanha do Rio aos Jogos Olímpicos, que explora as belezas naturais da cidade e o sucesso de políticas de segurança pública.

A partir da história de Iara, “subdelegada” de 31 anos e mãe de três filhas, que pertence ao Terceiro Comando Puro e trabalha para Fernandinho, o traficante Fernando Gomes de Freitas, comandante Morro do Dendê, favela na Ilha do Governador, a reportagem traça um painel da atuação do tráfico da cidade e da atuação da polícia.

O jornalista da “New Yorker” se encontrou com o traficante. Questionado sobre onde fica a linha entre certo e errado, responde: “Quem está decidindo?”

Anderson estima que existam hoje mais de mil favelas na capital fluminense. Em um panorama sombrio, a reportagem afirma que não há meios de escapar completamente da miséria do Rio de Janeiro.

O jornalista relata que os moradores do Morro do Dendê vivem sob a autoridade de um regime de fato, comandado pelo traficante e seu exército particular, um padrão que se repete por toda a cidade.

Na tentativa de traduzir para o público norte-americano o funcionamento do tráfico carioca, Anderson afirma que pelo menos 100 mil pessoas trabalham para traficantes, envolvidos em uma estrutura hierárquica similar à do mundo corporativo, com gerentes gerais, subgerentes e donos.

A reportagem descreve também as origens de algumas facções criminosas, como o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho, este último nascido da mistura de criminosos comuns e presos políticos na prisão em Ilha Grande, no final da década de 70.

De acordo com o texto, mais de 20 anos após a restauração da democracia, não existem mais guerrilhas marxistas no país, apesar de vários ex-guerrilheiros ocuparem cargos no governo do presidente Lula.

“O Estado está praticamente ausente das favelas”, diz a reportagem, que compara os índices de mortes violentas do Rio com os norte-americanos.

Os policiais cariocas matam em média pouco mais de três pessoas por dia, mais do que o número de todo os EUA.

Para o chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, ouvido em julho para a reportagem, a situação do Rio de Janeiro hoje não é de calamidade.

“Se fosse, não haveria volta. E nós podemos. Isto aqui ainda não é Bagdá ou o México. Nós temos a capacidade de controlar qualquer parte da cidade que quisermos”, afirmou ele.
“O problema é que não podemos ficar para terminar o serviço”, completou Turnowski.




setembro 2009
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