Arquivo para 2 de outubro de 2009

02
out
09

Professores recomendam estudar; tire suas dúvidas sobre Enem

SÃO PAULO – Apesar do atraso da prova do Enem, devido à divulgação da prova na quarta-feira, 30, as universidades tentarão aproveitar a nota do exame em seus vestibulares, e o contepudo cobrado na prova é o mesmo dos exames de seleção das grandes universidade. Portanto, a recomendação de professores de cursinho é que o aluno continue estudando.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, aconselhou “usar o tempo para continuar se preparando para os vestibulares, para o próprio Enem, da mesma forma que fariam em qualquer outra circunstância. Vamos ter mais umas seis semanas pela frente. É frequentar aula, atualizar-se nos jornais, continuar aplicado na leitura, manter o ritmo de trabalho e esperar a remarcação das provas”.

Abaixo, veja as principais respostas, até agora, sobre a crise criada pelo vazamento do Enem:

Quando será realizada a prova do Enem?

O Ministério da Educação não fixou uma data oficial, que deve sair nos próximos dias, mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, mencionou um possível intervalo de 45 dias.
Quando devem sair as notas?

Em razão do adiamento, o resultado final das provas, inicialmente previsto para o dia 8 de janeiro, deve atrasar em cerca de um mês, diz o governo. Universidades que usam a nota do Enem para contar pontos em seus vestibulares podem ter acesso antecipado a alguns resultados, no entanto.
Por que o Enem ganhou tanta importância este ano?

Neste ano a prova passou por uma reformulação, mudou de formato – passando de 63 questões para 180, realizadas em dois dias – e será adotado como parte do vestibular para 42 das 55 universidades federais de todo o País.

O que fazer agora que a prova foi adiada? Estudar ou aproveitar para descansar?

Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora dos Cursos Objetivo, conta que o melhor agora é esquecer o problema da prova e continuar a estudar com dedicação total. ” Não dá pra relaxar. Como a programação do Enem bate com os grandes vestibulares, basta continuar dentro do programa de estudo para provas como Fuvest e Unicamp”, diz.

O que estudar agora nesse tempo extra?

Luis Ricardo Arruda, coordenador da Unidade Tamandaré do Anglo, dá a dica: “O mais importante de cada tema, pois esse é o foco da prova do Enem. Não prestar muita atenção nas notas de rodapé.” O coordenador lembra ainda que o aluno que não souber o que estudar deve procurar o professor de cada área e pedir orientação de estudo.

Já se sabe se a prova que vazou servirá como simulado? Caso sim, quando pretendem divulgá-la?

Sim. A prova foi disponibilizada pelo governo na noite desta quinta-feira, e pode ser acessada aqui .
Ainda há como mudar o município onde realizarei a prova?

O Inep informa que não haverá prorrogação no prazo para mudança de local de prova. A data limite era essa quinta-feira, 1º, até às 12 horas.

O Enem vai coincidir com os vestibulares da Unesp (08/11), Unicamp (15/11) e Fuvest (22/11)?

A estimativa de 45 dias leva o Enem para por volta de 17 de novembro, perigosamente perto das provas dos grandes vestibulares paulistas. O coordenador geral do Etapa, Edmilson Motta, considera que uma coincidência do Enem com uma dessas provas seria “criminoso”. “Seria uma insanidade completa, o fim do mundo pedir para o aluno escolher entre a Fuvest e o Enem”, disse.

Já Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora dos Cursos Objetivo, acredita que não haverá problema, mesmo com a previsão de realização do Enem em 45 dias. “Eles já têm a prova pronta, o problema agora é de logística e segurança. Acredito que antes dessa previsão de 45 dias a prova seja realizada. Se coincidir com alguma universidade, ela muda. É claro que o aluno vai querer fazer o Enem e nenhuma faculdade vai querer perder aluno”, afirmou.

As universidades pretendem alterar as datas de seus vestibulares?

Cada universidade decidirá independentemente como contornará o atraso provocado pelo Enem. É importante ficar de olho nas universidades em que está inscrito (ou em que pretende se inscrever) pois as datas poderão ser alteradas.

E como fica a situação das federais e estaduais paulistas?

A Fuvest, responsável pelo vestibular da Universidade de São Paulo (USP), pretende avaliar se o resultado da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será considerada e usada em seu processo seletivo. A reitoria da USP informou que, por causa do adiamento do Enem, a pró-reitoria de graduação e a Fuvest vão entrar em contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para verificar a possibilidade de compatibilizar os calendários e avaliar se a nota do Enem “será viável no Vestibular Fuvest 2010”. Segundo a USP, os candidatos vão ser informados antecipadamente caso ocorra alguma alteração.

Já a Fundação Vunesp, que organiza o vestibular da Unesp informou, por meio de nota, que vai aguardar pela definição da nova data da prova do Enem para se manifestar sobre possíveis mudanças no calendário do vestibular deste ano. Segundo a Vunesp, os candidatos a vagas nos cursos oferecidos pela Unesp serão informados com antecedência caso ocorra alguma alteração.

Também por meio de nota à imprensa, a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), responsável pelo vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informou que vai esperar pelo anúncio das novas datas de provas e da disponibilização das notas do Enem. Na Unicamp, a nota do Enem tem peso de 20% na primeira fase do processo seletivo.

Já a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) informou que vai manter o calendário previsto para o vestibular e que o adiamento do Enem não vai afetar o processo seletivo em nenhum dos dois modelos aplicados pela instituição: o unificado (que é o vestibular em fase única com a nota do Enem, e que é aplicado em 19 cursos ministrados na instituição) e no misto (que computa a nota do Enem, mais o resultado de uma prova e mais uma segunda fase de seleção e que é aplicado em sete cursos). Segundo a Unifesp, as provas da segunda fase serão realizadas nos dias 17 e 18 de dezembro deste ano e vão contar com questões de língua portuguesa, língua estrangeira, redação e conhecimentos específicos.

Na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a assessoria de imprensa informou que, em princípio, não haverá alteração na programação do processo seletivo. A nota do Enem vale 50% da nota final do vestibular da instituição. Os outros 50% correspondem às provas que são aplicadas pela UFSCar.

A Universidade Federal do ABC decidiu que não haverá alterações em seu calendário.
Os pontos do Enem ainda vão ser aproveitados para compor a nota de outros vestibulares?

Cada universidade terá de decidir como pretende proceder. Além da questão da segurança da prova há o problema dos prazos – a nova data de divulgação dos resultados do Enem poderá conflitar com o calendário de liberação de listas de aprovados das escolas.
O meu desempenho pode ser afetado por essa mudança?

Além da possibilidade do Enem ser realizado em datas próximas a vestibulares importantes, adiar o exame além dos 45 dias previstos também poderá ser um problema para o vestibulando.
É no final do ano que se concentram a maior parte dos vestibulares, o que acaba sobrecarregando o aluno. “Fazer o Enem no meio de várias outras provas é exaustivo, desumano. Cai a produtividade e, consequentemente, o resultado do aluno”, conta Arruda.

“O ideal seria mesmo que o Enem já acontecesse agora em outubro, antes dos outros vestibulares, até porque o aluno teria uma experiência de um grande vestibular”, disse Motta.
(Com Giovanna Montemurro, do estadao.com.br e Agência Brasil)

02
out
09

Maioria das universidades vai manter datas de seleção

USP e Unicamp, por exemplo, não farão alterações no calendário para escolha de alunos
SÃO PAULO – Consultadas pela reportagem do Estado, a maior parte das universidades que aderiram ao Enem como forma de seleção para o vestibular informou ontem que o cancelamento da prova, a princípio, não altera o calendário de exames. As instituições aguardam posicionamento do Ministério da Educação (MEC) sobre a nova edição do exame nacional.

As principais universidades públicas paulistas, USP, Unicamp, Unesp e Unifesp não preveem alterações até agora e prometem avisar aos alunos com antecedência sobre eventuais mudanças no cronograma. No entanto, a Fundação Getúlio Vargas pretende alterar o calendário do vestibular na próxima semana.

No Rio, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) suspendeu temporariamente as inscrições de seu processo seletivo ontem de manhã. A reitoria não quis se manifestar sobre o assunto. Segundo o ministério, 24 universidades federais aderiram à prova como forma única de seleção.

De um total de 21 universidades que responderam questionamentos da reportagem ontem, apenas 5, a Universidade Federal do Amazonas, a Universidade Tecnológica do Paraná, a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal de Rio Grande e a UFRJ já confirmaram ontem alterações nos calendários.

A Universidade Federal de Goiás anunciou que pretende cancelar o uso do exame.

Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) informou que os processos seletivos das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) serão realizados “com a qualidade e segurança tradicionais.” “A Andifes advoga também a completa apuração dos fatos, visando a segurança e idoneidade dos processos seletivos”, ressaltou a nota.

Discussões

Parte das universidades, no entanto, discute soluções, antes mesmo da decisão do MEC sobre um novo exame. Na hipótese de ocorrer uma incompatibilidade de datas do vestibular com o Enem, a Unesp, que utiliza 10% da pontuação do exame, pretende alterar todo o seu calendário com o objetivo de aproveitar a nota da prova nacional.

A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), da Unicamp, informou que a pontuação obtida pelo candidato no exame nacional só será aproveitada no vestibular se o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgar a pontuação dos candidatos até o dia 30 do mesmo mês.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) considera a possibilidade de utilizar apenas as notas de seu próprio vestibular para a seleção dos novos alunos. “A segunda fase está prevista para 20 de dezembro e vai permanecer. Em último caso, o que acho que não será necessário, nós poderemos utilizar integralmente a nota da nossa primeira fase”, explicou o reitor Roberto de Souza Salles.

A pró-reitoria de direção e gestão do desenvolvimento acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) convocou para a manhã de hoje uma reunião de emergência para tratar dos rumos de seu vestibular a partir do cancelamento da prova do Enem. “Fomos pegos de surpresa. O calendário, agora ficou comprometido”, afirmou o diretor de desenvolvimento acadêmico Carlos José Pinto.

(Alfredo Junqueira, Élida Oliveira, Lucas Frasão e Júlio Castro, especial para o Estado)

02
out
09

O que existia antes do Big Bang?

A teoria do Big Bang tem sido aceita nos últimos 30 anos. Mas o que existia antes da grande explosão?
Por Tiago Cordeiro

Assim que tudo começou, as coisas aconteceram muito rápido. Antes que a criação tivesse 1 segundo, surgiu a gravidade, o Universo se expandiu de uma forma inacreditavelmente rápida e surgiram as sementes que depois dariam origem às galáxias. A partir de 1 segundo da criação, e pelos 300 mil anos seguintes, os fótons dominam o espaço. Depois, começam a surgir os átomos de hélio e hidrogênio.

Elementos que formam os seres humanos, como o carbono e o oxigênio, só surgiram muito tempo depois, sintetizados no interior de estrelas moribundas. E ssim a Teoria do Big-Bang consegue explicar, com um grau de confiabilidade razoável, a infância remota do Universo. Mas antes do marco zero, o que existia quando o Universo ainda não tinha sequer omeçado?

“A resposta mais honesta é: não sabemos”, diz o físico João Steiner, professor da USP. “O big-bang deu origem a tudo, inclusive ao espaço e ao tempo. Quer dizer, antes disso existia algo que só podemos chamar de nada.” Esqueça, então, aquelas imagens que de vez em quando você vê em filmes, em que um vasto espaço escuro é preenchido por uma explosão. Não havia matéria, não havia espaço, não havia tempo, não havia nada.

A Teoria da Relatividade prevê que, nesse instante zero, a densidade teria sido infinita. Para entender essa situação, seria preciso unificar a relatividade e a mecânica quântica, coisa que ninguém ainda conseguiu fazer.

Algumas teorias não consideram que, antes do Universo, o que havia era o nada. Para o cosmologista americano Alan Guth, o Universo pré-Universo era um ambiente em que partículas de cargas opostas se anulavam o tempo todo, até que um dia uma delas desequilibrou o sistema e soltou a faísca que iniciou a cadeia de produção de tudo o que conhecemos.

Em 1969, o físico americano Charles Misner sugeriu a tese da criação a partir da desordem. Antes do nosso Universo isotrópico, em que a geometria é a mesma em todas as direções, haveria um outro mundo de caos. Uma terceira tese, defendida por muitos cientistas, é a de que o Universo é cíclico. Ele começa com um big-bang, cresce, atinge o auge, começa a diminuir, desaparece num big crunch e começa tudo de novo. Acontece que, des de 1998, sabemos que o Universo permanece se expandindo sem parar, o que comprometeria a base
dessa teoria.

Há quem diga que nosso Universo não é único. Alan Guth tem uma sugestão curiosa: logo depois do primeiro big-bang, o Universo seria composto de uma espécie de falso vácuo, cheio de bolhas recheadas de quintilhões de prótons e elétrons. Cada uma delas teria sofrido um big-bang e dado início ao respectivo Universo.

Existiria um Universo primordial, que daria origem a universos-filhos. Mas como foi que o primeiro deles surgiu? Não sabemos. “Essa hipótese apenas explica o nosso próprio Universo e joga para debaixo do tapete o que existia antes do marco zero”, diz o professor Steiner. “A verdade é que, atualmente, o big-bang é o limite seguro da ciência. Qualquer tentativa de avançar além disso é especulação.”

02
out
09

Há 35 anos, Pelé fazia seu último jogo pelo Santos

Em 2 de outubro de 1974, Rei do Futebol se despediu do clube diante de uma Vila lotada, contra a Ponte

Rafael Vergueiro – estadao.com.br
SÃO PAULO – Há 35 anos, Pelé vestia pela última vez a camisa do Santos. O rei do futebol, que um ano depois jogaria pelo Cosmos, dos Estados Unidos, onde encerrou a carreira, fez sua despedida diante de uma Vila Belmiro completamente lotada, em partida contra a Ponte Preta pelo Campeonato Paulista. O dia 2 de outubro de 1974 jamais será esquecido pelos fãs do maior jogador de todos os tempos.

Mesmo sentindo uma contusão, Pelé entrou em campo e logo de cara foi cercado por repórteres que desejavam registrar os últimos momentos do rei. A torcida não parava de fazer festa e sabia estar vivendo um momento histórico.

Quando a bola rolou, Pelé pouco pôde fazer para ajudar a sua equipe. Aos 15 minutos do primeiro tempo, ele conseguiu seu lance mais perigoso, ao desviar de cabeça um cruzamento e obrigar o goleiro Carlos a praticar boa defesa. Depois disso, ele apenas curtiu seus momentos finais dentro de campo.

Santos 2
Cejas; Wilson, Vicente, Bianque e Zé Carlos; Léo e Brecha; Cláudio Adão, Da Silva, Pelé (Gílson) e Edu
Técnico: Tim
Ponte Preta 0
Carlos; Geraldo, Oscar, Zé Luiz e Valter; Serelepe, Serginho, Adílson e Valtinho; Valdomiro e Tuta
Técnico:
Gols: Cláudio Adão, aos 30 minutos do primeiro tempo, e Geraldo(contra), aos 11 minutos do segundo tempo
Árbitro: Emídio Marques Mesquita
Renda: Cr$ 219.371,00
Público: 20.258 pagantes
Estádio: Vila Belmiro, em Santos

Aos 22 minutos, Pelé sentiu que não tinha mais condições de seguir na partida. Mas, antes de deixar o gramado da Vila, viveu um momento especial. Pegou a bola, dirigiu-se ao centro do campo, ajoelhou-se e agradeceu a todos pela brilhante carreira que terminava ali. Ainda teve tempo para uma volta olímpica, em que foi seguido de perto pelos jornalistas e acenou para todos os torcedores presentes.

Em seguida, chorando, foi para o vestiário, se arrumou, e pela última vez deixou o estádio como jogador do Santos.

Assim, Pelé encerrava sua brilhante carreira no clube alvinegro, mas o Santos tinha que continuar. E naquela partida ganhou da Ponte Preta por 2 a 0, com gols de
Cláudio Adão e Geraldo, contra.

No dia seguinte, o Jornal da Tarde contou como foram os últimos momentos do rei na Vila Belmiro. “Ajoelhou-se no centro do campo, ergueu os braços para as gerais lotadas (umas 20 mil pessoas) e depois saiu de campo, chorando”, dizia um trecho da reportagem.

02
out
09

TROQUE SEU ESQUERDISTA POR UMA CRIANÇA POBRE

Este blog apurou que Antonio Ermírio de Moraes está pensando em entrar no PSTU – já leu a Trilogia do Profeta, os três volumes da biografia de Trotsky, escrita por Isaac Deutscher. sabem como é Ermírio: se é para ser trotskista, ele quer ser o melhor. Já Sérgio Andrade, dono da empreiteira Andrade Gutierrez, está com a ficha de filiação ao PC do B sobre a mesa. Ele só não aderiu ainda porque tem dúvidas se Krushev não estava mesmo certo em 1956, quando esculhambou Stálin no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS. Como fica claro no site dos Comunistas do Brasil, eles consideram o velho Krush um traidor e ainda não o perdoaram. “53 anos são menos no que um segundo para o socialismo, que é eterno”, poderia dizer Manuela D’Ávila, que não é apenas uma revolucionária e um cérebro, como muitos pensam, mas também um rostinho bonito.

O sócio de Andrade na Oi, Carlos Jereissati, está de olho no PSOL, de Heloisa Helena. Ele ainda não entendeu direito como funciona aquela mistura de trotskismo, cristianismo e astrologia, mas promete pedir algumas dicas a Plínio de Arruda Sampaio, que também vai lhe explicar a metafísica do MST…

Como? Eu não apurei nada disso? É uma pena! Convenham que essas filiações de mentirinha comporiam perfeitamente o quadro da coerência partidária no Brasil. Ou como explicar que Paulo Skaf, líder (formal ao menos) do empresariado paulista, tenha se filiado ao PSB? É verdade que o presidente da Fiesp também poderia presidir o MSE, o Movimento dos Sem Empresa, já que faz tempo que ele está sem a sua. Não importa. O fato é que, agora, ele já pode agarrar a rosa da Segunda Internacional Socialista e proclamar que a classe operária é internacional. Outro socialista notório — desde que escreveu o primeiro livro, aos 8 meses, e concluiu o seu primeiro pós-doutorado, aos 7 — é Gabriel Chalita. Os dois, mais Ciro Gomes, compõem a banda heavy metal do socialismo em São Paulo. Chalita, aliás, tem um problema oposto ao de Manuela: está sempre obrigado a provar que não é apenas um moço bonito, mas também um cérebro.

Ivo Rosset, o dono da Valisère, e sua mulher, a socialite socialista Eleonora – que já foi Mendes Caldeira – filiam-se hoje ao PT. O PT, segundo o seu último congresso, ainda é um partido que busca o socialismo. Lula, revolucionando sempre, diria: “Calma lá, companheiro, o fim não precisa justificar os meios. Enquanto o socialismo não chega, vamos ser felizes e beber champanhe”. Lula é esperto. Socialismo, só depois da sua morte.

E o bilionário Guilherme Leal, um dos donos da Natura, agora é da turma do “desenvolvimento sustentável”, de Marina Silva. Quem sustenta o desenvolvimento no Brasil, como se sabe, é o agronegócio, que impediu que o país quebrasse na crise global. Os superávits da Balança, convertidos em reservas, foram gerados pela agricultura e pela pecuária – porque, nos demais setores, o país mais importa do que exporta. Eles criaram o acolchoado contra a crise, além de colaborar para manter a inflação baixa, oferecendo uma das comidas mais baratas do planeta. No entanto, a Santa Marina – que de burra não tem nada, muito ao contrário – ajudou a alimentar o mito de que os agricultores são desmatadores contumazes, homens maus que não respeitam os minhocuçus, os macacos-pregos e os bagres. O Censo Agropecuário, distorcido de maneira vergonhosa pela imprensa, ajudou a explicar por que o setor é a verdadeira âncora da estabilidade brasileira. A classe média verde deve achar que comida nasce no Pão-de-Açúcar e no Carrefour.

Tirei um sarrinho dessas filiações, para desagrado de alguns? Tirei, sim. Afirmei que a convenção do PSB poderia ser na Ilha de Caras; que a Valisère, no PT, pode significar maior distribuição de “rendas” (além de sutiãs, calcinhas e anáguas – ainda existem?); que Marina, ecológica e telúrica, mas sem negar os confortos da modernidade, tinha tudo a ver com o partido da Natura, que soube fundir o modelo Avon com o Saci-Pererê…

No Brasil, agora, todo mundo é de esquerda. Desse jeito, ainda volto para um grupelho trotskista só para cantar: “Se estamos todos juntos/ contra quem vamos lutar?” O Brasil assiste a um espantoso avanço do Estado em algumas áreas da economia – e isso vai cobrar o seu preço no futuro, como nos custou anos de estagnação no passado – e a um surto estúpido de aumento de gastos públicos. E Paulo Sakf vira um “socialista”? Sim, eu sei, não virou. Estava atrás de alguém que lhe desse uma legenda. Ocorre que ele era o líder de um sindicato, de uma categoria. No PSB, vai fazer o quê? Se não tiver a coragem de defender aumento da carga tributária (para os mais ricos, claro!) para investimentos sociais, será um socialista picareta. Se o fizer, será um líder empresarial picareta. Com qual das duas picaretagens ele vai ficar?

No Partido Verde, Leal vai defender que se levem a sério todas as leis ambientais? Se o fizermos, restará 29% do território para agricultura, pastagens, cidades e infra-estrutura. A saída vai ser cobrar ingresso de estrangeiros para ver índio fazendo xampu e creme anti-rugas – a pulseirinha vermelha, que dará direito a todas as atrações, inclui um ritual de dança primitiva com short Adidas, feito de tecido reciclável. Em vez de exportar comida, a gente exporta mitologia primitivista. E as ambições não são pequenas: um já quer ser governador; o outro, vice-presidente. Não seria uma esréia na política, mas no poder! Já Rosset e Eleonora estão há tempos no ramo do socialismo socialite.

Eu até me esforço, mas não consigo levar essas coisas a sério. Daqui a pouco, só restará a “craçe trabaiadora” para defender o capitalismo, não é mesmo? Ah, qual é? Esses ricaços deveriam trocar seus comunistas de estimação por criancinhas. É isto. Vou lançar uma campanha: “Ricos do Brasil, troquem seu comunista por uma criança pobre”.

02
out
09

Micheletti e Zelaya aceitam pontos de proposta de empresários

Por Lourival Sant’Anna, no Estadão:
Os sinais de uma possível saída negociada para a crise ganharam força ontem, com uma aproximação entre as condições impostas pelo presidente de facto, Roberto Micheletti, para entregar o poder, e as concessões que o presidente deposto, Manuel Zelaya, declarou estar disposto a fazer. Os dois pontos-chave são a possibilidade de Zelaya ser julgado pelos supostos crimes que cometeu e a redução de seus poderes numa volta negociada até as eleições de 29 de novembro.

O presidente da Associação Nacional das Indústrias, Adolfo Facussé, afirmou que Micheletti aceitou proposta dos empresários, de deixar o cargo se Zelaya se submeter à Justiça e delegar a presidência a um conselho de ministros. “Se o senhor Zelaya disser que aceita (a proposta feita na terça-feira), terminou o problema”, declarou Facussé à agência France Presse após se reunir com Micheletti. De acordo com a proposta, que Micheletti rejeitara na quarta-feira, Zelaya seria restituído à presidência com poderes limitados, como prevê o Acordo de San José, e teria de responder aos 18 processos que acumula na Justiça.

Em encontro com seis deputados brasileiros na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Zelaya se disse disposto a ser processado e julgado pelos crimes dos quais é acusado, e também a “abrir mão de boa parte de seus poderes”, segundo relatou ontem à noite o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ao sair da embaixada brasileira. Zelaya advertiu que, se uma saída não for encontrada dentro de duas semanas, não haverá mais condições para realizar as eleições em novembro.

Zelaya foi destituído pelo Congresso em 28 de junho, sob acusação de não obedecer a decisões da Corte Suprema, que o impediam de realizar uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte. A Corte também impugnou sua decisão de destituir o general Romeu Vásquez, comandante das Forças Armadas, que se recusara a realizar a consulta popular. Mas não houve julgamento pela Corte da destituição de Zelaya, que, portanto, não teve chance de defender-se.

Zelaya disse aos deputados brasileiros que alimenta expectativas em relação à missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que virá na próxima semana a Honduras. O presidente deposto afirmou que até agora não manteve nenhuma negociação com o governo de facto.

Em entrevistas que concedeu ontem, no entanto, Micheletti afirmou que mantém um canal de comunicação aberto com Zelaya por meio de um amigo em comum. Segundo Micheletti, esse amigo teria conversado com ele depois de ter visitado Zelaya na embaixada brasileira na semana passada. Entretanto, o presidente de facto rejeitou qualquer solução que envolva um governo de coalizão com o presidente deposto.

02
out
09

O maluco da embaixada: Zelaya cobre janelas com papel-alumínio por temor de “raios de micro-ondas”

Na Folha:
Para evitar “raios de micro-ondas”, o presidente deposto, Manuel Zelaya, mandou tapar com folhas de papel-alumínio todas as janelas do escritório do embaixador brasileiro em Honduras, onde ele está dormindo há 11 dias.
Diariamente, Zelaya reclama de cansaço e de dor de cabeça, sintomas que atribui à emissão de raios. Ele desconfia que alguém de dentro do prédio informa os militares sobre sua localização para que o ataque seja mais direto.
Zelaya vive obcecado com segurança e, em uma semana, só foi visto na área externa uma vez. Dos 53 hondurenhos que acompanham o deposto e sua mulher, Xiomara, 27 têm funções de vigilância, segundo um “censo” feito por sua assessoria ontem (são 67 pessoas dormindo na embaixada, incluindo a reportagem da Folha, e não cerca de 50, como estimado anteontem).
A administração da embaixada tem 17 pistolas guardadas, todas entregues pela segurança do deposto.
Além de proteger o casal, a nova “cortina” do quarto também ajuda a aumentar a escuridão interna. Uma espécie de guerra de holofotes começou há três dias, quando os militares instalaram poderosos refletores num morro ao lado de onde o presidente dorme.
As luzes militares foram uma resposta aos refletores instalados por Zelaya na entrada da embaixada. À noite, pelo menos dois vigias usavam o equipamento para iluminar a rua. Agora, a luz aponta para os refletores dos militares, e o resultado é que um cega o outro.
O papel-alumínio teria ainda uma terceira função: melhorar o sinal de celular, afetado pelos bloqueadores instalados pelos militares. Em vários momentos do dia, as ligações não duram mais do que 30 segundos, principalmente na frente da casa, onde está o quarto de Zelaya.

02
out
09

Governistas agem para derrubar voto contra Venezuela no Mercosul

Por Fabio Zanini, na Folha:
O apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez a seu colega deposto em Honduras, Manuel Zelaya, e um comportamento “fomentador de divisões” na América Latina levaram o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) a recomendar a rejeição da entrada da Venezuela no Mercosul. O governo reagiu e deve derrubar o parecer.
“Hugo Chávez tem procurado aumentar sua influência regional com o concurso da renda do petróleo. Porém, não como fator de união e integração, mas como elemento de discórdia”, disse Tasso, em parecer que leu na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
“O governo brasileiro acredita que a infraestrutura e a logística para o retorno de Zelaya, inclusive a escolha da embaixada brasileira para o destino final, tiveram a participação do presidente venezuelano. Se foi isso o que realmente ocorreu, mais uma vez Chávez é responsável por dificuldades e embaraço ao governo brasileiro”, afirma o parecer.
Já aprovada pela Câmara, a entrada da Venezuela no bloco hoje formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai precisa passar pela comissão antes de seguir ao plenário. Em razão de um pedido de vista do líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), a votação ficou para 29 de outubro.
Jucá apresentará voto em separado favorecendo a entrada do país, e a tendência é que seja aprovado. O governo tem 12 dos 19 votos na comissão.
Em seu parecer, Tasso assume que privilegiou questões políticas sobre as econômicas. Além da interferência em assuntos regionais, Chávez “governa de forma quase ditatorial”, de acordo com o tucano.
Ele elencou perseguição a políticos de oposição, “desmonte do Judiciário” e perseguição à imprensa.
Fez também uma referência a 2010 no Brasil, temendo que Chávez se torne hostil ao país caso a oposição ganhe a eleição. Mas Tasso reconheceu também argumentos de peso pela integração ao Mercosul. “A Venezuela é a terceira economia da América do Sul e possui um comércio pujante e crescente com o Brasil. Sua entrada no bloco o estenderia da Terra do Fogo até o Caribe”.
O senador afirmou que sua ideia inicial era recomendar a aprovação com ressalvas. “Mas os últimos acontecimentos me fizeram rever essa posição.”

02
out
09

Senador acerta filiação, mas não aparece na festa

Por Christiane Samarco, no Estadão:
Foi o maior vexame da reta final do troca-troca partidário para os candidatos às eleições do ano que vem. Após decidir sair do DEM e acertar seu ingresso no PSB com a direção nacional, o senador Adelmir Santana, do Distrito Federal, convidou a família, amigos e os funcionários do gabinete parlamentar para a festa. Mas, simplesmente, não apareceu por lá.

Adelmir já patrocinou o “grande mico” da temporada. Estava tudo preparado para que a assinatura da ficha de filiação ao Partido Socialista Brasileiro ocorresse em cerimônia pomposa, marcada para as 11 horas de ontem na sede da legenda.

Auditório lotado e enfeitado, com direito à reprodução ampliada de uma fotografia com Adelmir sorridente, ao lado do líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), com quem o senador havia negociado as “condições” para mudar de partido. Na plateia, a mulher Maria José, duas filhas – Cynthia e Juliana – e o filho Glauco, além de duas irmãs e um irmão. Nervoso com o atraso sem qualquer explicação, Rollemberg tentava em vão localizar Aldemir pelo celular. Fora de área.

A indefinição durou uma hora e 20 minutos até que o próprio senador telefonou, dando a notícia: “Estou sofrendo uma pressão tremenda desde a madrugada. Vão tomar meu mandato. Não dá para sair.”

Àquela altura, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSDB), já havia mobilizado a direção nacional do DEM, seu vice Paulo Octavio e um helicóptero para levar Aldemir até a residência oficial de Águas Claras. “Foi uma vergonha danada. Preferia perder o mandato”, confidenciou o líder do PSB no Senado, Antonio Carlos Valadares (SE), ao colega Renato Casagrande (ES), diante do espanto geral com o recuo de Aldemir.




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