Arquivo para 27 de outubro de 2009

27
out
09

Presidente do BC alerta para riscos da expansão do crédito no Brasil

TATIANA RESENDE
da Folha Online:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, alertou para os riscos do crescimento na concessão de crédito durante palestra realizada nesta terça-feira em São Paulo no 5º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança. “Uma das grandes licões da crise é que o crédito tem seus problemas criados na expansão, não aparecem na retração”, afirmou.

Para Meirelles, “do ponto de vista macro, é fundamental que o Brasil mantenha uma política econômica e monetária sustentável e saudável, com uma relação cadente entre dívida pública e PIB”. Já do ponto de vista micro, ele avalia ser importante que, “principalmente nas áreas de crédito, isso seja bem gerenciado”.

O cadastro positivo foi lembrado pelo presidente do Banco Central como uma ferramenta que “poderá expandir bastante a capacidade de análise de crédito” ao propiciar o acesso ao histórico do bom pagador. Estudo feito pela Serasa aponta que a implantação desse cadastro pode incluir 26 milhões de brasileiros atualmente rejeitados pelo sistema financeiro.

Meirelles destacou ainda a necessidade de manter o aperfeiçoamento “não só da autoridade reguladora e supervisora, mas também dos agentes que concedem o crédito”. “É importante construir um sistema saudável porque já sabemos pela experiência recente no mundo que o crédito mal concedido gera problemas graves à frente”, completou

27
out
09

Volks amplia garantia de motores e diz que errou no óleo lubrificante

da Folha Online

A Volkswagen anunciou nesta terça-feira que vai estender de três para quatro anos o prazo de garantia dos motores 1.0 do tipo VHT produzidos desde abril do ano passado.

A montadora afirmou, em nota, que, após análises, identificou a deficiência na lubrificação como a causa de ruídos internos em alguns motores 1.0. A ocorrência, segundo a empresa, é provocada, em algumas situações, “pela perda das propriedades de lubrificação do óleo, em função da ação do álcool combustível no tipo de óleo utilizado”.

A empresa informa que o fabricante do lubrificante fornece o produto de acordo com as especificações da Volkswagen, e o problema foi causado pela alteração “da especificação do óleo para o primeiro abastecimento, visando melhorias no motor VHT”. Para evitar as falhas, a montadora vai voltar a utilizar a especificação anterior do óleo lubrificante.

O Procon-SP informa que já notificou a Volkswagen na semana passada e aguarda esclarecimentos sobre o problema, que devem ser dados até 4 de novembro.

27
out
09

“Os juízes não pensam só em direito…”

Folha Online:

A festa de encerramento do XX Congresso Brasileiro de Magistrados contará com apresentação da banda “Judges”, formada por juízes de Direito gaúchos, e com show dos Titãs. O congresso, que tem como tema “Gestão democrática do Poder Judiciário”, acontecerá no World Trade Center de São Paulo, entre os dias 29 e 31 de outubro.

Segundo informa o site da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a banda foi formada em agosto de 2008, quando os juízes Emerson, Fernando, Clóvis e Ruggiero se conheceram em um Curso de Atualização para Magistrados, na Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul. Neste ano, os quatro começaram a se apresentar em todo o estado.

Eis alguns dados sobre os integrantes da banda:

Ruggiero Rascovetzki Saciloto (vocal) – Juiz de Direito há quase 5 anos, tendo jurisdicionado por 2 anos na Vara Criminal de Santo Ângelo. Atualmente é titular da Comarca de Coronel Bicaco, na Região Celeiro do Rio Grande do Sul.

Clóvis Ramos (baixo) – Magistrado desde 1990, atualmente Juiz-corregedor do Tribunal de Justiça do RS.

Emerson Mota (guitarra) – Juiz de Direito desde abril/99, atuante na 2ª Vara Criminal da Comarca de Tramandaí/RS.

Fernando Noschang Jr (bateria) – Ingressou na magistratura em 1º de julho de 2002, jurisdicionando a 2ª Vara Judicial da Comarca de Canguçu, desde 2 de julho de 2004.

27
out
09

As causas do acidente da TAM

Do Estadão:

O inquérito da Aeronáutica aponta um conjunto de fatores que ampliou o risco e levou ao acidente com o avião da TAM. Não tocou no ponto principal: porque se permitiu, presente essa soma de fatores de risco, que o avião aterrisasse em Congonhas. O trabalho enumera, um a um, os fatores de risco, mas aparentemente foge do principal: havia uma autoridade reguladora que deixou que o vôo acontecesse, presentes os seguintes fatores cumulativos (além dos fatores ligados à própria companhia):

1. Reverso quebrado.

2. Pista molhada.

3. Avião super-pesado (conforme anotou um comentarista aqui na época, analisando o peso do avião, o peso do combustível, já que ele veio com tanque cheio, o número de passageiros e supondo um peso per capita de bagagem por passageiro).

4. As companhias aéreas fazendo manutenção em rota – prejudicando a manutenção obrigatória devido ao acúmulo de viagens.

5. Finalmente, a mãe de todos os erros: ter se permitido a quebra da Varig sem analisar as implicações sobre o tráfego aéreo.

Do Estadão
Aeronáutica aponta que 8 fatores contribuíram para acidente da TAM
Simulações indicam posição errada de manetes durante a aterrissagem e revelam falhas no sistema de alerta

Bruno Tavares e Fausto Macedo

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que oito fatores contribuíram de maneira decisiva para a tragédia com o voo 3054 da TAM, que deixou 199 mortos, em 17 de julho de 2007. O relatório final sobre o maior acidente aéreo do País, a que o Estado teve acesso, diz que os peritos não encontraram evidências de falha nas engrenagens dos manetes (aceleradores). Como o equipamento se encontrava muito destruído pelo fogo e pelo impacto da queda, não foi possível determinar com 100% de certeza em que posição as alavancas de potência estavam no momento em que o Airbus A320 varou a pista do Aeroporto de Congonhas.

O relatório ainda não foi oficialmente divulgado. O Setor de Comunicação Social da Aeronáutica informou que o texto está em fase final de elaboração e deve ser concluído este ano. Ocorre hoje, em Brasília, a última reunião da comissão de investigação do acidente, com a participação de peritos americanos e franceses que auxiliaram na apuração.

PRINCIPAL HIPÓTESE

Como o único indicativo de que os pilotos deixaram os manetes fora da posição recomendada – um na posição de aceleração e a outro em frenagem – veio da caixa-preta, o Cenipa resolveu estudar as duas hipóteses mais prováveis: falha no sistema de controle de potência do jato, que teria transmitido ao motor informação diferente da que indicava o manete, ou um erro dos pilotos Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco. A segunda hipótese, diz o Cenipa, é a mais provável “uma vez que é elevada a improbabilidade estatística de falha no sistema de acionamento” dos manetes.

Para tentar entender o que se passou nos instantes finais do voo 3054, peritos realizaram em simulador 23 procedimentos de aproximação para pouso em Congonhas. “A repetição das ações dos pilotos, da forma como foram registradas pelo FDR (gravador de dados), levou ao mesmo resultado do acidente, até mesmo quanto às posições e velocidades com as quais a aeronave saiu da pista e colidiu com as edificações”, diz a página 48. Os ensaios mostraram ainda que, embora não fosse previstas pelo fabricante do jato, as duas tentativas de arremetida (desistência do pouso) foram bem-sucedidas 15 segundos após o toque dos trens de pouso com o solo.

FALHA EM AVISO SONORO

As simulações revelaram um dado preocupante: nem sempre o aviso sonoro “retard”, que tem a função de advertir os pilotos sobre os procedimentos a serem adotados no momento do pouso, operou conforme o previsto. “Ficou constatado que, na aeronave A320, é possível, durante o pouso, posicionar um dos manetes de potência na posição reverso (frenagem) e outro na posição de subida (aceleração), sem que nenhum dispositivo alerte de modo eficiente os pilotos”, diz a página 102. “Tal situação pode colocar a aeronave em condição crítica e, dependendo do tempo necessário para que a tripulação identifique essa configuração e dos parâmetros da pista de pouso, uma situação catastrófica poderá ocorrer”, avisa o Cenipa.

AEROPORTO IRREGULAR

A investigação da Aeronáutica encontrou diversas irregularidades em Congonhas na época do acidente: 1) O aeroporto não era certificado nos termos do Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica 139, que baliza o funcionamento de todos os aeroportos do País. 2) As obras no terminal de passageiros e no pátio de estacionamento, concluídas em 2007, não foram homologadas. 3) Não foi realizada inspeção aeroportuária especial durante nenhuma das obras realizadas em Congonhas e concluídas em 2007. 4) Não foi realizada inspeção aeroportuária especial pós-acidente. 5) Até a data do acidente, o aeroporto não dispunha de aérea de escape.

Ainda no quesito aeroporto, o relatório do Cenipa traz algumas novidades. Diz que, em 2005, o extinto Departamento de Aviação Civil (DAC) realizou inspeção em Congonhas e constatou a inexistência de área de escape, como exigem legislações internacionais. Na ocasião, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) elaborou plano de ações corretivas em que se comprometia a avaliar soluções para o problema. Um ano depois, ao analisar o plano da estatal, o DAC advertiu: “A Infraero será responsabilizada por eventuais danos e/ou prejuízos ocasionados a terceiros, em razão da não correção da referida irregularidade”.

O Cenipa salienta que o prazo dado à Infraero para a correção do problema expirou em 30 de agosto de 2006, quando a fiscalização do setor já era de responsabilidade da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

TREINAMENTO FALHO

O relatório aponta falhas no treinamento e instrução fornecidos pela TAM. Segundo o Cenipa, a formação teórica dos pilotos usava apenas cursos interativos em computador, “o que permitia a formação massiva, mas não garantia a qualidade da instrução recebida”. Além disso, a formação de Stefanini, o copiloto, contemplou apenas um tipo de certificação, o que se mostrou insuficiente para enfrentar aquela situação. Por fim, havia a percepção, entre os tripulantes, de que o treinamento vinha sendo abreviado, por causa da grande demanda advinda do crescimento da empresa.

OS OITO FATORES CONTRIBUINTES

Instrução: A formação teórica dos pilotos usava exclusivamente simulações em computador, o que não garantia a boa formação individual de cada um. Além disso, a formação do copiloto, Henrique Stefanini di Sacco, contemplou apenas um determinado tipo de certificação, que se mostrou insuficiente para enfrentar a situação. Havia a percepção entre os tripulantes, aliás, que o treinamento vinha sendo abreviado

Coordenação de cabine: O monitoramento do voo não se mostrou adequado, uma vez que a tripulação não percebia o que acontecia, o que impediu correções.

Pouca experiência do piloto: Apesar de sua larga experiência em grandes jatos comerciais, Di Sacco tinha apenas 200 horas de voo em jatos A320

Supervisão gerencial: A companhia aérea permitiu que a tripulação fosse composta por dois comandantes, mas Di Sacco havia realizado só um treinamento específico. A falta de coordenação entre os setores da empresa – especialmente Operações e Treinamento – levou a falhas na formação dos pilotos

Falta de percepção: A configuração e o funcionamento dos manetes não ajudaram os pilotos na identificação de dificuldades. E essa situação foi agravada pela falta de um alarme para indicar o erro na posição do instrumento

Perda de consciência situacional: Surgiu como consequência da falta de percepção dos pilotos. A automação da aeronave também não ofereceu aos tripulantes sinais de perigo

Regulação: Embora a Anac proibisse a operação com reverso (freio aerodinâmico) inoperante, a exigência só foi normatizada em 2008. Isso impediria o pouso com pista molhada

Projeto: Ficou constatado que é possível possível pousar com os manetes do A320 em posições distintas, sem que nenhum dispositivo alerte os pilotos.

27
out
09

Gilmar Mendes defende que se chame crime de… “crime”!!!

blog do Reinaldo Azevedo:

Por Tahiana Barbar, na Folha Online. O títlo é meu. Volto em seguida:

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, defendeu nesta segunda-feira punição e aplicação da lei para crimes cometidos por movimentos sociais. Ontem, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) criticou a criminalização dos movimentos sociais.

“O Estado de Direito precisa estar presente. Não acredito que haja preocupação com a criminalização dos movimentos sociais. Agora, ato criminoso praticado por qualquer pessoa deve ser tratado como crime”, disse Mendes no Congresso Nacional de Direito Agrário, em São Paulo.

A questão veio à tona depois que famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram e depredaram uma fazenda de laranjas da Cutrale, no interior de São Paulo. O MST nega a depredação.

Mendes disse que as leis no país na questão agrária são suficientes para punir eventuais crimes, mas precisam ser cumpridas. “Não precisamos de leis mais duras, elas são suficientes, mas precisam ser aplicadas pelos órgãos competentes.”

Segundo ele, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem se preocupado com o conflito no campo. “Criamos um fórum para discutir essas questões fundiárias graves, e estamos buscando soluções para que haja uma dinâmica própria na superação desses conflitos, ou seja, a prioridade nos processos, nas questões de desapropriação, porque, às vezes, o próprio Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) reclama da demora excessiva.”

Sobre a proposta de uma Justiça agrária, Mendes destacou que ela, talvez, não tenha efeitos mirabulosos apenas com a instalação de uma ou outra vara especializada. “Precisa haver atenção, concerto e articulação.”

O secretário da Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, que também esteve presente no evento, disse que o Estado de São Paulo tem mais de 170 assentamentos, onde moram mais de 10.000 famílias. Segundo ele, 3.000 famílias estão cadastradas esperando acesso às terras.

Ele também condenou a prática de violência por parte dos movimentos sociais. “Nenhuma justificativa é aceitável para a prática de violência, seja de qualquer lado”, disse. “A construção de uma república social democrática passa pelas normas do Estado de Direito. Reivindicação de terra é legítima, deve ser feita, mas não pode ser justificativa para destruição”, reiterou.

Marrey disse que o Estado não pode ter medo de aplicar a lei. “Por vezes, por conta da alegação de ser movimento social, há aplicadores da lei que se tornam um pouco tímidos em relação a isso. Não se trata de criminalizar movimento nenhum, mas de não garantir imunidade penal a ninguém.”

O secretário afirmou ainda que os movimentos reclamam da lentidão na reforma agrária, mas se opõem a qualquer solução possível. “Porque atrapalha suas bandeiras políticas.”

Ele ressaltou que a pressão colocada e o discurso de criminalização dos movimentos visam neutralizar a aplicação normal da lei.

“Crimes praticados por quem pleiteia justiça social não pode ser mais dura nem mais mole, deve ser igual. A Justiça fica preocupada em ser rotulada criminalizadora dos movimentos sociais e tenta ser mais compreensiva. Violência não pode ser aceita em nenhum setor.”

27
out
09

O ADAMS DA FAMÍLIA LUIZ INÁCIO

Por reinaldo azevedo:

Leiam o que vai abaixo:
“O presidente da República é uma figura pública e uma figura que realiza um acompanhamento de obras, tem atuação muito ativa nesse processo. Eu não vejo nenhum conteúdo eleitoral nesse processo. Não é possível colocar o presidente numa redoma. Ele tem uma exposição pública natural e tem ação administrativa efetiva”.

“Ela [Dilma Rousseff] não é candidata no momento, é ministra de Estado, participa dos eventos da administração. Tem o direito e o dever de estar presente naqueles atos relacionados à sua atividade institucional. O governo tem que se comunicar com a sociedade, tem que apresentar à sociedade os seus projetos. Isso não pode ser interpretado sempre como atuação eleitoral”.

Comento
Quando foi nomeado o novo advogado geral da União, dei aqui o seguinte título: “Um Luiz Inácio agora na AGU”. Pois é. Senti o cheiro e percebi a barbinha de longe. Refiro-me, claro, a, como é mesmo o sobrenome dele?, Lucena Adams. Foi ele quem pronunciou as maravilhas acima.

Se você quer saber qual é a função institucional de um advogado geral, clique aqui, na página da própria AGU. Mas transcrevo trechos:
Nos termos do art. 131 da Constituição, “a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.”

Atuação Consultiva
A atuação consultiva da Advocacia-Geral da União (AGU) se dá por meio do assessoramento e orientação dos dirigentes do Poder Executivo Federal, de suas autarquias e fundações públicas, para dar segurança jurídica aos atos administrativos que serão por elas praticados, notadamente quanto à materialização das políticas públicas, à viabilização jurídica das licitações e dos contratos e, ainda, na proposição e análise de medidas legislativas (Leis, Medidas Provisórias, Decretos e Resoluções, entre outros) necessárias ao desenvolvimento e aprimoramento do Estado Brasileiro.

Além disso, desenvolvem-se atividades de conciliação e arbitramento, cujo objetivo é o de resolver administrativamente os litígios entre a União, autarquias e fundações, evitando, assim, a provocação do Poder Judiciário.

São responsáveis pelo exercício das atividades consultivas os Advogados da União, os advogados integrantes do Quadro Suplementar, os Procuradores da Fazenda Nacional e os Procuradores Federais, cada qual na sua respectiva área de atuação.

No exercício dessas importantes funções, sobressai a atuação que tem o dever dar formatação jurídico-constitucional às políticas públicas, de forma a preservar os direitos e garantias fundamentais do cidadão e, em última análise, prevenir o surgimento de litígios ou disputas jurídicas.

Voltei
Sem que esteja respondendo a uma representação legal, o sr. Adams está evidentemente exorbitando de suas funções e praticando proselitismo.

“Gilmar Mendes não fez o mesmo, só que criticando Lula?” Não! Censurou o eventual uso da máquina pública em campanha eleitoral antecipada, mas não fez defesa ou acusação específica. Ademais, o sr. Adams está, efetivamente, confundindo alhos com bugalhos. Se Lula e Dilma tivessem feito o que está reproduzido na sua fala, não haveria, mesmo, nada demais. Ocorre que ambos trataram abertamente da questão eleitoral em suas andanças. O presidente chamou solenidade em canteiro de obra de “comício”.

Se este senhor quer se pronunciar nestes termos, tem de ser no encaminhamento de um parecer formal, respondendo a uma solicitação judicial. Ou está usando a AGU para fazer política partidária.

Vamos ver com José Antonio Toffoli vai se comportar no STF. A AGU, tudo indica, já piorou bem.

27
out
09

LULA CRIMINALIZA OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Blog do Reinaldo Azevedo:

O governo Lula acusa seus adversários de “criminalizar os movimentos sociais”. Trata-se, evidentemente, de uma vigarice. Mas a fala fica bem num governo cujo chefe máximo, em parceria com a candidata oficial à sua sucessão, criminaliza a lei. Sim, Lula criminaliza a lei quando faz um ataque estúpido ao Tribunal de Contas da União, por exemplo. O rancor é tal, que ele pensa mesmo numa solução chavista: criar um comitê para decidir sobre as obras, deixando o TCU, um órgão resguardado pela Constituição, pra lá. A acusação de que os adversários “criminalizam” os movimentos sociais é só outra manifestação de uma mesmo mal: a criminalização da lei levada a efeito pelo petismo, pelas esquerdas de modo geral e por amplas fatias do governo, incluindo o próprio Lula.

É claro que o Babalorixá nem é lá muito coerente nas suas condenações. Lula não chega a ser definido por um conjunto de doutrinas ou por uma ideologia. É genericamente estatista, tem vocação para o poder unipessoal e aprendeu com as esquerdas que o partido substitui a sociedade e os indivíduos. Mas, no lulismo, há espaço para muita confusão também.

Há dias, Lula desdenhou de ambientalistas, antropólogos e afins. Uma obra, disse, ficou parada durante meses porque um desses especialistas confundiu um pedaço de pedra com uma machadinha indígena — de algum povo pré-colombiano já extinto, suponho (só suponho porque também a mim as machadinhas indígenas matam de tédio, junto com os bagres de Marina Silva, confesso…). E Lula deitou satanização contra esses funcionários de terceiro escalão que “podem mais do que o presidente da República”. E ainda fez uma referência desairosa, que tentou corrigir depois, a estados da federação que seriam menos importantes.

Lula é um caos ou um cadinho de influências contraditórias. Ora, crianças, o ecologismo, o multiculturalismo, a defesa de culturas ditas alternativas, tudo isso revela a forma assumida pelas esquerdas contemporâneas. A antiga militância socialista trocou a luta de classes pela luta entre o Anhangá e a soja transgênica. Marx teria uma crise de dor nos furúnculos — e, pois, nos fundilhos — se soubesse, mas é assim que é. Marina Silva tem muito mais a cara da esquerda aggiornada do que Lula. Nesse particular sentido, Lula e o PT já são um sinal de “atraso”. Ainda estão pautados por aquele produtivismo do antigo comunismo, que queria demonstrar a superioridade do planejamento estatal.

Lula também deu um pé no traseiro do movimento contrário à dita transposição do São Francisco e tratou a todos como vozes do atraso. Edison Lobão, com os cabelos mais negros do que as asas da graúna, deixou claro que não quer papo com Peri e Iracema e chamou de “agentes do mal” aqueles que se opõem à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Raoni está querendo meter a borduna nele — o que acho que deveria ser permitido ao menos uma vez em nome do multiculturalismo…

Não, não estou defendendo nenhum desses ditos “movimentos sociais”. Eles, reitero, me enchem de preguiça. Sempre que alguém me fala em “bem comum”, pergunto onde está escondida a guilhotina. Mas noto que Lula é mestre EM CRIMINALIZAR MOVIMENTOS SOCIAIS SE OS MOVIMENTOS SOCIAIS NÃO FIZEREM A ÚNICA COISA RELEVANTE PARA LULA: APOIAR LULA. Os bagres de Marina Silva o levavam à loucura. Ninguém nestepaiz — FHC jamais!!! — levou tão longe a oposição entre meio ambiente e desenvolvimento.

Lula e Dilma são defensores dos movimentos sociais que os defendem, entenderam? Nem Letícia Sabatella derreteu o coração de Lula. Isso quer dizer que o homem tem o coração mais duro do o que o do faraó…

27
out
09

A ESSÊNCIA CRIMINOSA DOS INTELECTUAIS DO PCI

Por Reinaldo Azevedo:

Ainda comentando o manifesto daqueles que se dizem intelectuais contra a CPI do MST, estive a refletir sobre um trecho:

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

É a cara do Primeiro Comando dos Intelectuais esse negócio, não? Em São Paulo, o PCI é a voz, digamos, acadêmica do PCC; no Rio, do Comando Vermelho e dos Amigos do Amigos, né? Essas bestas cúbicas não negam a sua origem.

Não existe organização socialista na história — atenção: em qualquer tempo ou lugar — que tenha se formado sem considerar a possibilidade de cometer crimes em nome da causa. Não me refiro, obviamente, apenas àqueles crimes definidos pelos códigos, mas também aos outros, aos morais. O que é um crime moral? É aquele que, independentemente do código vigente, alguém comete na esperança de que o outro, o adversário, seria incapaz de cometer.

Não há esquerda sem essa ambigüidade moral; sem a constatação de que existe a moral “deles”, que lhes permite fazer qualquer coisa, e a moral do “outro”, que seria mais restritiva e, por isso mesmo, os protegeria do contra-ataque. Um esquerdista de verdade está sempre testando os limites dos inimigos na esperança de contar com a moralidade dele para se preservar. E, não raro, têm lá a sua razão em prever uma reação frouxa, não é mesmo?

Vejam o trecho de asquerosa demagogia. Não é porque existem injustiças no mundo que a gente vai sair por aí destruindo laranjais, roseirais ou capinzais… Não existe causa humana que dê a alguém a condição de absolutista moral. Ou existe? No mundo deles, eis o ponto, existe.

A causa ainda é, pasmem!, o “socialismo”. Como o socialismo não virá — não como eles anseiam —, sem poder chegar ao fim, ao grande crime, contentam-se com os meios criminosos.

27
out
09

AS DROGAS E O INDIVIDUALISMO

Ainda tratando da formulação “Quem cheira mata”, há coisas novas a considerar. Exceção feita a algum psicopata, duvido que as pessoas avancem o sinal vermelho — quando sabidamente há o risco de um grave acidente — com o propósito de matar outras pessoas e, eventualmente, se matar. Mas o fato é que o sujeito precisa saber que esse risco existe. Quem já não topou com um aloprado a fazer miséria nas estradas, pondo em risco a vida de terceiros? Se seu propósito declarado ou consciente é ou não é matar, convenham, pouco importa. Ele causa um dano objetivo.

É que vivemos tempos em que a responsabilidade individual foi banida da vida. Todos sempre querem ser vítimas — de preferência, “vítima da sociedade”, seja lá o que isso signifique, já que a “sociedade” parece ser uma verdadeira alma sem corpo.

Isso vale em todas as esferas da vida. O sujeito que faz sexo de risco, sem proteção, ou que partilha seringas quer contrair o vírus da aids??? Em raros casos, pode ser. Mas, na esmagadora maioria das vezes, a pessoa só quer obter prazer. E, sabemos, o custo será transferido depois para a sociedade. O sujeito que era absolutamente livre para decidir se torna uma vítima tão logo comece a experimentar as conseqüências negativas da sua escolha. Não! Não estou sugerindo — nunca sugiro nada, lembram-se? — que se deixe de tratar os doentes. Se achasse que é o caso, diria. Só estou afirmando que é preciso responsabilizar as pessoas pelas escolhas que fazem.

Isso é importante porque, no caso da aids, as campanhas públicas assumiriam um outro tom, que não o investimento permanente e contraproducente no vale-tudo. As punições para o banditismo no trânsito seriam mais severas. E as drogas, definitivamente, seriam banidas do terreno do glamour e da vida alternativa.

Sei que pode ser chato considerar coisas assim; mais: a conversa pode parecer um tanto antiga. Mas a verdade é que não existe o chamado “bem comum” estabelecido fora do “bem” ou do “mal” que pode ser praticado pelos indivíduos.

É simples. É elementar. Ignorá-lo é só expressão de primitivismo moral. Não consumir drogas ilícitas, que estão na mão da bandidagem, não é uma imperativo do “bem comum”. Trata-se de um imperativo da individualidade.

27
out
09

Para Marina, crítica a Dilma não é preconceito contra mulheres

Por Sérgo Dávila, na Folha:

A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência, refutou a afirmação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de que as críticas que sofre por viajar pelo país para inaugurar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) revelam preconceito da oposição contra as mulheres.
Marina Silva, que está desde ontem em Washington para uma série de eventos sobre meio ambiente, não aceita a tese da ex-companheira de partido. “No meu entendimento, não tem nada a ver com preconceito contra ser mulher, tem a ver com o uso correto dos recursos públicos e da gestão pública, para não direcionar para essa ou aquela candidatura”, disse ela em encontro com jornalistas brasileiros.
Para a senadora, as viagens de Dilma caracterizam campanha. “Não se deve extrapolar as coisas”, disse. “Há um incômodo muito grande na sociedade de que o legítimo direito que o Executivo tem de acompanhar obras possa estar ganhando qualificação de campanha.”
Marina afirmou que a recente viagem da ministra com o presidente Lula à região do vale do São Francisco, numa caravana, pode ser caracterizada como campanha. “Os atos falhos têm falado mais do que o que a gente pode dizer.”




outubro 2009
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