Arquivo para 12 de novembro de 2009

12
nov
09

OAB-SP quer esclarecimentos sobre causas do apagão

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo quer esclarecimentos do governo e das empresas do setor elétrico responsáveis sobre as causas e detalhes do apagão que atingiu 18 Estados, na noite de terça-feira. O pedido foi feito através de ofício pelo presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB SP, José Eduardo Tavolieri de Oliveira, ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ao diretor-geral brasileiro da Usina de Itaipu, Jorge Miguel Samek, e ao diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson José Hubner Moreira.

De acordo com o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, os esclarecimentos serão importantes para os consumidores que sofreram danos com a falta de energia. “O consumidor brasileiro tem direito de saber os reais motivos de um dos maiores apagões da nossa história; assim como ser ressarcido pelos eventuais danos causados pelo blecaute”, disse Tavolirei.

Para Tavolieri, é importante que as autoridades brasileiras informem os cidadãos se o sistema elétrico brasileiro tem pontos de vulnerabilidade e que medidas vêm sendo tomadas para evitar novos blecautes dessa dimensão, que trouxeram inúmeros contratempos para a população.

Falta de Luz
Por volta das 22h30 de terça-feira (10), as 18 unidades geradoras da usina de Itaipu começaram a “rodar no vazio” – ou seja, não conseguiam passar eletricidade para a rede distribuidora. O problema atingiu pelo menos 18 Estados, sendo que quatro deles (Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo) ficaram completamente às escuras. Acre, Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Rondônia foram parcialmente atingidos pela falta de luz. A situação foi normalizada entre a noite de terça-feira e a madrugada e manhã desta quarta-feira.

Três linhas de transmissão com problemas teriam causado o apagão. De acordo com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, duas das linhas vão de Ivaiporã, no Paraná, a Itaberá, no sul de São Paulo. A terceira liga Itaberá a Tijuco Preto, no sul de Minas Gerais. O problema, afirma Zimmermann, foi possivelmente causado por condições meteorológicas adversas.

Com 18 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada, a usina binacional de Itaipu fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), 28,8 mil megawatts de potência foram perdidos com a pane (cerca de 40% da energia do Brasil), o que impossibilitou o fornecimento para as demais regiões. Para abastecer o Estado de São Paulo, por exemplo, são necessários cerca de 17 mil megawatts.

12
nov
09

O APAGÃO E A FARSA DA “BOA GESTORA”

Por Gravataí Merengue:

Ninguém sabe a causa do apagão que atingiu DEZESSEIS ESTADOS do Brasil. O problema é que “ninguém”, mesmo, sabe de nada. A imprensa procurou ontem Edison Lobão, o apadrinhado de Sarney que ocupa a pasta das Minas e Energia, mas ele estava… dormindo. Não é piada. Perguntem pra CBN. Parece galhofagem de minha parte, mas isso realmente aconteceu.

E o buraco é bem mais embaixo.

Nunca antes na história deste país (inevitável a frase…) a usina de Itaipu foi completamente desligada. Nunca. É um recorde da incompetência. Dez anos depois do outro apagão, provocado por um raio em Bauru, temos esse agora que praticamente afetou o país inteiro (em termos populacionais, alguém consegue fazer uma conta proporcional razoável?).

Mas vamos à politicagem e, nesse sentido, ao silêncio necessário. A pré-candidata do PT à presidência da república é considerada – pelos próprios petistas, por óbvio – uma “boa gestora”. Mas, até hoje, qual a única coisa gerida por ela? Nunca foi eleita, nunca nem concorreu a nada. Única e tão-somente “geriu” pastas ligadas à energia.

No RS, acho que ainda filiada ao PDT, uns dizem que “evitou” a chegada do apagão (talvez o raio de Bauru não chegou até lá). E, com esse mérito, foi ao Governo Federal. Depois que todos foram exonerados ou demitidos pelos mais variados escândalos (a maioria por conta do Mensalão), Dilma foi chamada às pressas para a Casa-Civil. Ali nascia a “lenda da boa gestora”.

Em 2007 (dia 30/01), por exemplo, saiu a seguinte reportagem, publicada na insuspeitíssima (sic) Agência Brasil (trechos a seguir):

“Dilma descarta risco de apagão caso economia cresça de forma acelerada – A ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil da Presidência da República, afastou hoje (30) a possibilidade de falta de energia no país nos próximos anos. De acordo com a ministra, o governo federal prefere “dar a força de sua opinião baseada na definição do Ministério de Minas e Energia”, que prevê a produção de energia suficiente para cobrir a demanda nos próximos anos. Dilma se referia a um relatório elaborado pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, segundo o qual o crescimento acelerado da economia entre 2007 e 2010 poderia fazer com que o sistema elétrico opere no limite, havendo risco de apagão (…) A ministra reiterou que o país conta com um conjunto de obras propostas, que serão realizadas através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo federal na semana passada. De acordo com ela, essas obras, que incluem a construção de novas usinas hidrelétricas, garantem “um grau de suficiência do país em matéria de energia num horizonte para além de 2010”. (grifos nossos)

Que ironia trágica. A “boa gestora” deixou um legado desastroso no Ministério das Minas e Energia para capitanear o PAC (ou ser mãe?). Em 2007, comecinho do ano, anunciava a construção de hidrelétricas. Hoje, sabemos, nada saiu do papel. De novo, falhou miseravelmente como “gestora”. Não sabe gerir nada. A Dilma “mãe do PAC” sabotou a Dilma ministra incompetente do setor energético? E o pior é que sua declaração servia para tentar desmentir uma previsão negativa do Ministério da Fazenda. Estava mentindo.

O pior: não houve crescimento acelerado, mesmo assim houve uma pane dos diabos ainda inexplicada!

E, sim, Dilma é incompetente. Senão vejamos trecho do quanto publicado por Guilherme Fiuza, que aborda uma grande lambança cometida exatamente pelo ministério dessa gestora sem qualquer compromisso com a noção:

“Dilma é inocente (…) A única verdade incontestável no currículo de Dilma Rousseff – fora as que ela mesma cria – é ser uma militante. Venerável Caetano: política é a única coisa que a ministra-chefe da Casa Civil fez até hoje. Quem lhe disse que Dilma é gestora? Lula? Os jornais? Procure saber você mesmo. Descubra, se puder, uma única experiência de gestão bem-sucedida da suposta dama de ferro. (…) Avalie a gestão mais conhecida de Dilma Rousseff, à frente do Ministério das Minas e Energia (na Casa Civil ela só conspira, faz campanha e brinca de mãe do PAC, portanto não conta). Caetano, você ouviu falar que as concessionárias de energia elétrica estão devendo bilhões de reais ao consumidor, por cobranças excessivas na conta de luz? Pois bem: isso é uma das obras-primas da famosa gestora Dilma Rousseff. Copiando o populismo tarifário argentino, a candidata de Lula baixou na marra o preço da energia – como sempre, em nome do povo. É o crime perfeito: o povo fica feliz agora, e se dá mal mais tarde, com a falência das empresas do setor, que acabarão sendo socorridas pelo Tesouro – isto é, por todos nós. Desta vez, as empresas deram um jeitinho, dentro do fantástico modelo criado pela gestora Dilma, de já ir abatendo o prejuízo no caminho. O contribuinte vai se ferrar lá na frente, e o consumidor já vai se ferrando agora. Um lembrete: ambos são a mesma pessoa – você –, vítima da grande gestora. Alguém tem notícia de que a cobrança exorbitante e ilegal será devolvida às vítimas? Alguém ouviu alguma garantia nesse sentido da ministra mais poderosa do governo? Ninguém tem, ninguém ouviu. Por uma razão simples: Dilma Rousseff não é uma autoridade de fato, não está administrando (gerindo!) os problemas do Brasil. Está cuidando do seu projeto eleitoral. Fazendo política – que é o que se dispõe a fazer. Nada disso aparece na pasmaceira que é o debate político brasileiro. Todos os gatos por aqui têm status de lebre. Maluf inventa o “gestor” Celso Pitta, e a manada só grita depois do cofre arrombado.” (grifos nossos)

Talvez possam acusar Fiuza de carregar nas tintas, mas não se pode dizer que errou nos fatos. Aliás, alguém consegue apontar UM – não pedi dois – ACERTO GERENCIAL DE DILMA ROUSSEF? Tentaram vendê-la como intelectual, ela própria acenava positivamente quando a apresentavam como mestre e doutora. A farsa foi descoberta e, então, trataram de minimizar.

Agora, a gestora fabricada foi desmentida publicamente – ontem, ao menos, por 16 Estados. E, somando a isso a cagada das tarifas e o fiasco completo do PAC, pode-se dizer que mais um diploma é falso. Agora, o da vida prática.

Improvisaram uma candidata. Puseram o interesse partidário à frente do compromisso com o país e, inegavelmente, estamos vendo isso.

Dilma falhou nas Minas e Energia. Dilma falhou como “ministra do PAC”. Ainda que a “culpa” pelo apagão seja um raio que tenha caído exatamente sobre Bauru, por que nada foi feito de 1999 pra cá? O que justifica tamanha incompetência?

Que raio de “gestora” é essa?

12
nov
09

Inpe: Chances de raio provocar apagão é uma em um trilhão

Eliano Jorge

As informações técnicas estavam prontas, disponíveis e ainda preservadas do público. Mas, apesar de contradizer o relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um órgão público, o Ministério de Minas e Energia as descartou, decidindo repisar que “condições climáticas adversas” causaram o apagão desta terça-feira em 18 Estados brasileiros e no Paraguai.

Diante do impasse, um dos maiores especialistas do País em raios, Osmar Pinto Júnior, insiste nas conclusões da equipe que coordena no Grupo de Eletricidade Atmosférica, do Inpe. Para descargas atmosféricas terem comprometido três linhas transmissoras, “a probabilidade é zero, não há chance”. Como desse uma estatística, faz uma concessão simbólica, em seguida: “as chances talvez sejam de uma em um trilhão”.

Ele compõe a Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas, que transmite informes metereológicos à própria Furnas, administradora da Usina de Itaipu. Mas o ministério e os órgãos do setor ensaiaram o discurso, numa reunião na tarde desta quarta-feira, sustentando a versão de raro acidente natural.

Em entrevista a Terra Magazine, Osmar Pinto Júnior explica por que descarta a interferência atmosférica no apagão. “Tudo indica que foi um problema elétrico”, infere. Porém, elogia o sistema elétrico brasileiro: “Todo sistema do mundo está sujeito a falhas. O que aconteceu não é crise, não é falta de competência. É um acidente que acontece. Qualquer sistema está sujeito a um acidente. Temos que investigar o motivo para tentar evitar que se repita”.

Cedo ou tarde, ele acredita, o governo admitirá que a causa do blecaute não se deve a interferências climáticas. “Existem aspectos que não são só técnicos, existem aspectos políticos aí e que podem gerar algum desgaste. Então, a tendência é deixar o tempo passar um pouco, esquecer”, analisa o caso para assegurar: “A verdade acabará vindo à tona”.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – O INPE concluiu que são mínimas as chances de o apagão ter sido causado por raio. Em números, de quanto são essas chances?
Osmar Pinto Júnior – São quatro as linhas que saem de Itaipu em direção ao São Paulo. Para três linhas, a probabilidade é zero, não há chance. Para uma das linhas, a probabilidade é mínima, significa menor que 1%. Não dá pra quantificar, 0,1 ou 0,8%. Hoje de manhã, com a declaração de que três linhas tiveram curto-circuito simultaneamente, pelo diretor do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), convenhamos, as chances talvez sejam de uma em um trilhão.

Gráfico do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe mostra, em vermelho, “descargas atmosféricas detectadas na região de Itaberá terça-feira, entre 22h05 e 22h20. As descargas mais próximas estavam a cerca de 30 km da subestação, 10km da linha de 750kV e 2km da linha de 600kV (não exibida na figura)”.

O senhor acredita que a combinação de raios, chuva e vento forte não tenha provocado o blecaute?
Não, não acredito. Temos informações de que o vento não causou a queda de nenhuma torre, e os órgãos metereológicos chegaram à conclusão de que os ventos não ultrapassaram 80 quilômetros por hora na região. Chuva, também não. Não tem nada de anormal nas condições atmosféricas naquele momento. Uma tempestade, tinha raios, mas nada fora da normalidade que justificaria, num sistema de transmissão tão seguro e com manutenção tão bem feita por Furnas. Tudo indica que foi um problema elétrico. Todo sistema do mundo está sujeito a falhas. Ter uma falha não significa nada, não significa que não está bem. Pelo contrário, a Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, desde 2000, tem feito um programa fantástico em pesquisas, exemplar. O sistema elétrico brasileiro é, disparado, na América do Sul, o mais desenvolvido. O que aconteceu não é crise, não é problema, não é falta de competência, não é nada. É um acidente que acontece como acontece com qualquer coisa no mundo. Qualquer sistema está sujeito a um acidente. O que temos que fazer é investigar o motivo para tentar evitar que se repita.

O governo apresentou supostas marcas de raios em torres de transmissão. O senhor viu?
Não vi não. Não sei, pode ser que tenham investigado se existem estas marcas, de quando são, podem estar lá há muito tempo. Vamos aguardar a continuidade disso, pode ser que as coisas não apareçam de uma forma rápida, porque é um sistema complexo e exige uma avaliação de muitas coisas.

Mas, de qualquer forma, existe uma proteção antirraio no sistema energético brasileiro, não?
Claro. As linhas de Furnas, de Itaipu, têm um cabo para-raio que por cima das fases exatamente para, quando as cargas venham eventualmente atingir as linhas, atinjam o cabo para-raio, o cabo-guarda, e aí escoa para a terra a corrente de raio e não causa problema. Existem raios muito fortes que são capazes de provocar um deslizamento, não há dúvida. Mas, naquele momento, naquele dia, lá naquele local, não houvia nenhum raio intenso, capaz de criar um problema nas linhas. Só havia, perto das linhas, alguns raios fracos, que, mesmo caindo nas linhas, não teriam causado nenhum dano. Então, esta hipótese está descartada.

Em 1999, um apagão também foi atribuído a um raio e o senhor o desmentiu?
No dia seguinte, o ministro falou que foi raio, saiu no mundo inteiro. Dois meses depois, nós dissemos que não foi. Posteriormente, o Operador Nacional concordou conosco e enviou uma nota, dizendo que não foi raio. Em 2007, me parece em janeiro, tivemos dois apagões no mesmo mês, atingindo o Rio e, no outro, atingindo o Rio e o Espírito Santo. Nos dois deslizamentos, que aconteceram num intervalo de 20, 30 dias, avaliamos que foram devido a raios. E foi comprovado. Então, acontece deslizamento devido a raio, sem dúvida. Mas, neste caso específico (desta semana), a chance é mínima – e, a partir desta informação do diretor do ONS, a chance se tornou zero.

O senhor acha que, a exemplo do que aconteceu em 1999, o governo também vai admitir que não foi raio, como da outra vez?
Eu acredito que sim, mas eu acredito que isso possa demorar um pouco.

Tem que sair do noticiário, tem que abafar um pouco o caso?
É. Existem aspectos que não são só técnicos, existem aspectos políticos aí e que podem gerar algum desgaste. Então, a tendência é deixar o tempo passar um pouco, esquecer. Também não me surpreenderia – porque o Brasil está evoluindo a cada ano que passa como país – que o governo ainda hoje reconheça isso, confio no Brasil. Não acho que seja provável que aconteça.

Seria uma prova de maturidade isso (admitir)?
Somos uma nação jovem, comparada com o Primeiro Mundo. Precisa evoluir. As pessoas precisam evoluir, amadurecer. Mas acho que estamos indo no caminho certo, o setor elétrico está no caminho certo. E tenho esperança que, com pouca chances, mas, tomara, já nos próximos dias eles reconheçam alguma coisa. Vão esperar um pouco, mas, daqui a alguns meses, a verdade acabará vindo à tona

12
nov
09

STF DECIDE HOJE O DESTINO DE BATTISTI, O HOMICIDA AGORA VISTO COMO HUMANISTA

Por Reinaldo Azevedo:

O destino do homicida italiano Cesare Battisti será decidido hoje pelo STF. Quando o julgamento foi suspenso, o placar era de 4 a 3 contra a sua pretensão de permanecer no Brasil. Votaram contra a extradição os ministros Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia e Eros Grau. Seguiram o voto histórico de Cézar Peluso os ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto e Ellen Gracie. Marco Aurélio de Mello pediu vistas, mas suas intervenções no julgamento fazem supor que deva levar o placar para 4 a 4. O desempate ficaria para Gilmar Mendes, presidente do Supremo. A tese da defesa de que ele não votaria porque se trata de matéria penal é furada. Trata-se de matéria constitucional. Não se conhecem os termos do seu voto, mas a expectativa é que considere ilegal a concessão do refúgio e vote a favor da extradição.

Então está 5 a 4, e a situação está resolvida? Não! Tudo vai depender de Antonio Dia Toffoli, o mais novo ministro do Supremo. Mesmo não tendo participado anteriormente do julgamento, ele pode se dizer instruído o bastante sobre o caso — o que certamente está, já que era advogado-geral da União — e decidir votar. E não se pode dizer com certeza qual será seu voto. Se seguir os passos do governo que era encarregado de defender, vota contra a extradição. Nesse caso, com o placar em 5 a 5, o facinoroso fica no Brasil, e o ministro Tarso Genro, da Justiça, pode celebrar a sua patuscada ideológica.

Battisti, como sabem, foi condenado por crime comum na Itália, não por crime político, embora fizesse parte de um grupo terrorista. Tarso resolveu se comportar como revisor da Corte italiana e chegou a pôr em dúvida a democracia daquela país durante o julgamento — o que é uma estupidez — e o estado de direito mesmo hoje em dia, sustentando que a segurança de Battisti corre riscos se ele for extraditado. Imaginem: um representante do governo brasileiro está dando lição sobre segurança de presos para o governo da Itália…

Há duas maneiras de Toffoli fazer de sua trajetória no Supremo algo melhor do que o governo fez dele até aqui — com o seu ativo e altivo consentimento, é óbvio: ou se declara impedido, já que não participou do caso; ou vota a favor da extradição, levando o placar para um possível 6 a 4. Se de seu voto resultar a permanência de Battisti no Brasil — e, pois, o triunfo da tese estúpida de Tarso Genro —, então estará sinalizando que nem é nem quer parecer independente. E será uma estréia à altura das piores expectativas que cercam a sua atuação. Vamos ver.

Toffoli foi corajoso, como advogado-geral da União, ao sustentar que a Lei de Anistia havia anistiado todo mundo, desmoralizando uma tese justamente de Tarso Genro, que quer rever o seu alcance. Tenho para mim que, para ele, o mais prudente seria ficar longe desse caso. Se votar de um jeito, aumenta a suspeição de que está no tribunal para cumprir uma tarefa; se votar de outro, não faltará quem diga que o faz só para demonstrar autonomia. Um ministro tem de se preocupar com isso? Normalmente, não! Mas Toffoli, ex-advogado de Lula e do PT, tem a biografia que tem, pela qual ele é o único responsável.

PS1 – E só uma nota: tenho grande simpatia pelo ministro Marco Aurélio de Mello. Acho que é um homem que vota de acordo com sua consciência. Mas, tudo indica, no caso Battisti, as nossas diferenças são imensas.

PS2 – Não são 11 ministros? Sim, mas Celso de Mello declarou-se impedido. Uma agora assessora sua teria, em algum momento, participado do processo Battisti. E Celso de Mello cuida de sua biografia com desvelo. Até excessivo nesse caso. Duvido que alguém botasse em causa sua decisão. Mas ele está certo em ser o juiz mais rigoroso de si mesmo. É por isso que é tão respeitado. Que Toffoli, o mais recente ministro da Casa, mire-se no exemplo de Celso, o decano, que também chegou lá muito jovem, sem que nunca lhe tivesse faltado maturidade.

Mais uma observação: em seu voto, Peluso diz que Lula tem de seguir, sim, a decisão do Supremo. Não lhe cabe escolher cumpri-la ou não. E os ministros que, até agora, votaram com relator o fizeram tendo em conta o voto todo.

12
nov
09

LULA E AS LUZES DO ORIENTE MÉDIO

“Lula criou o Luz Para Todos. Senhor presidente, venha e acenda as luzes no Oriente Médio”.

A frase é de Shimon Peres, na visita que fez ontem a Lula. Está recorrendo, convenham, a uma metáfora muito comum, a um verdadeiro clichê. Mas isso, dito ontem, algumas horas depois do apagão que escureceu o Brasil, acabou soando como uma ironia aguda, peça do mais fino e já antológico humor judaico.E o pior é que, no que respeita ao Oriente Médio, o governo Lula é pura treva.

12
nov
09

APAGÃO DO LULA: EU SEI O QUE FAZER

Por Reinaldo Azevedo:

O analfabetismo mais grave dos petralhas nem está naquele seu estoque de conhecimento entre o alfa e o beta… O seu analfabetismo mais grave é mesmo o moral. Mas é claro que incomoda a absoluta incapacidade desses caras de entender um texto, embora façam questão de opinar sobre todas as coisas. No post que escrevi na madrugada passada sobre o apagão, com 437 comentários até agora, afirmei que a culpa era de Lula. Quem reler o texto vai perceber que há lá uma abordagem um tanto irônica. E petralha só entende ironia com nota de rodapé.

Já que Lula, escrevi, vive chamando para si todos os méritos, sejam ou não seus, cumpre, por isonomia, que assuma também os problemas. E até brinquei: espinhela caída, unha encravada ou refugada do Baloubet du Rouet, tudo é culpa do governo. Não era exatamente isso o que os petistas faziam quando estavam na oposição? Culparam FHC até pela crise asiática… Quando o problema estoura, ou apaga, no seu quintal, aí temos um festival de desconversa. Ok, era uma ironia. Mas agora não é mais: o país apagou por culpa do governo, sim. Até agora, nota-se, ele está na mais absoluta escuridão técnica. Até agora, os valentes não sabem por que o Brasil parou. E a explicação do nosso Edison prova por que ele é o Lobão, e não o Thomas…

Se eles não sabem por que aconteceu, quer dizer que pode acontecer de novo! Lobão soltou um “Queira Deus que não”. É claro que Deus não quer, embora não se meta nessas coisas. Deixa para os homens o que cabe aos homens resolver. Imaginem… O mau tempo em Itaberá, no interior de São Paulo, teria provocado apagões do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, do Acre à Bahia, passando pelo Mato Grosso, deixando totalmente às escuras São Paulo e Rio, num total de 18 estados. Então estamos fritos. O Brasil estaria mais seguro se tivesse sido vítima de uma sabotagem, ainda que de hackers. Afinal, contra a sabotagem, podem-se usar investigação e repressão. Mas como negociar com as forças da natureza?

Não sou apenas eu que estou desconfiando das explicações do nosso Edison, o Lobão. Há especialistas afirmando que elas são muito pouco iluminadas. A exemplo deste escriba, torcem para que ele esteja apenas falando por falar; porque, afinal, tem de dizer alguma coisa. Ou o país é muito mais vulnerável do que pensávamos. Digamos que Lula tivesse herdado, na área, o caos que ele alardeia — vocês sabem: antes dele, não existia país… Em sete anos, não se conseguiu criar um sistema que não dependa dos humores de Zeus? Ora… Então estamos diante de um caso espantoso de incompetência mesmo, não é?

Mas Edison, o que não é Thomas, não se deu por achado. Vinte horas depois do ocorrido, voltara à sua opinião inicial — tudo teria sido culpa de uns raiozinhos — e ainda anunciou com orgulho que o Brasil era modelo para o mundo. O sistema interligado brasileiro certamente é inteligente quando uma rede dá suporte a outra em caso de pane, mas não se pensava que pudesse acontecer o contrário, não é? Que a soma virasse subtração. Lobão tentou nos fazer crer que 18 estados ficaram parcial ou totalmente apagados porque o nosso modelo é muito moderno e competente. Uau!

Lógica do Lobão: quando chegarmos a 100% de modernidade e competência, vamos conseguir apagar, então, o Brasil inteiro!

O mega-apagão brasileiro foi notícia no mundo inteiro. Especialmente porque vêm por aí uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Problema de geração não é; problema de transmissão não é; então é… um raio!!! Resultado: Lula vai ter de negociar pessoalmente com as forças da natureza. Ontem, ao falar a jornalistas, o homem se mostrou, de modo inédito, todo cheio de dedos… Não iria falar sobre aquilo que ainda não sabia etc e tal… Preferia aguardar mais informações, e a costumeira loquacidade deu lugar ao silêncio.

Eu aprendi algumas rezas contra a chuva. Duvido que Lobão as conheça. Quando nuvens negras se adensam no céu, basta queimar palma benta do Domingo de Ramos numa bacia, mas tem de ser em cima do telhado… Funciona? Bem, lembro-me de que, às vezes, as nuvens iam embora, e a gente atribuía o fato às palmas queimadas, mas acontecia também de o céu desabar, como se houvesse recusado a nossa oferta. Sei lá… Vai que Deus estivesse passadista naquele dia e exigisse um cordeiro…

Se Lobão quiser, passo a cuidar do tempo pra ele. O sistema não ficará nem mais nem menos seguro do que é hoje, mas a gente terá, ao menos, a sensação de que está fazendo alguma coisa.

12
nov
09

Gerador falha e três morrem em hospital do Rio

deu em o globo

No Hospital Carlos Chagas, na Zona Norte, até mesmo o gerador entrou em pane durante o apagão de terça-feira. A unidade ficou às escuras das 22h30m às 3h, período em três pacientes morreram.

Elza Maria de Jesus, de 77 anos; Antonio José Rocha, de 84; e Ene Barreto da Silva, de 73, morreram entre 22h30m e 23h25m, nas primeiras horas do blecaute. A Secretaria estadual de Saúde nega que os óbitos tenham ocorrido por causa do problema no gerador.

O Cremerj, no entanto, vai abrir sindicância para investigar o caso. O presidente do Sindicato dos Médicos (SindMed-RJ), Jorge Darze, disse que vai pedir uma auditoria ao Ministério Público estadual.

O presidente da Associação de Moradores de Marechal Hermes, Miguel Santos, por sua vez, vai solicitar à 30 DP (Marechal Hermes) abertura de inquérito.

O gerador do Carlos Chagas funciona com diesel e tem capacidade para 900 litros de combustível. A auxiliar de enfermagem Lenir de Andrade Pinheiro disse ter ouvido de uma colega, que trabalhou na madrugada de ontem, que os pacientes morreram por causa do blecaute.

O Corpo de Bombeiros informou que recebeu 104 pedidos de socorro de pessoas presas em elevadores em todo o estado. A maioria dos casos aconteceu na Zona Sul e no Centro do Rio.

Sinais de trânsito de pelo menos dez bairros do Rio também entraram em pane. Segundo a CET-Rio, os mais atingidos foram: Copacabana, Ipanema, Leblon, Madureira, Taquara, Praça Seca, Campo Grande, Irajá, Bonsucesso, Ramos, Méier e parte da Tijuca.

Além desses, os sinais na Avenida Presidente Vargas, na altura da Central do Brasil, também tiveram problemas. Segundo a CET-Rio, equipes estiveram nas ruas para fazer o reparo dos sinais e 200 agentes de trânsito ajudaram a orientar o trânsito.

12
nov
09

‘Pode ter sido gestão equivocada’

deu em o globo
De Henrique Gomes Batista:

O apagão de terça-feira mostra que houve um erro no sistema elétrico, afirma Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, uma das maiores autoridades no setor. Para ele, ex-presidente da Eletrobrás, pode ser uma falha humana ou de computador.

Como o senhor avalia o blecaute de ontem?

Houve um problema, não podemos dizer que está tudo bem. Itaipu é a maior usina brasileira, mas o problema foi maior que sua parcela na geração hidrelétrica. Não pode cair o sistema todo.

Faltou investimento?

O investimento existiu. Na época que houve um problema de transmissão no Brasil, em 1999, não havia a terceira linha de transmissão de Itaipu, agora há. Mas isso não basta, é preciso ter uma gestão de rede mais inteligente. Uma manobra errada pode ser causadora de um acidente ou evitar que um incidente vá muito longe. E a manobra de terça-feira não foi inteligente.

Que tipo de manobra pode ter sido errada?

Pode ter ocorrido o que ocorreu nos EUA em 2003: uma gestão equivocada, que sobrecarregou uma linha que caiu automaticamente para evitar uma pane maior. A energia tenta outro caminho, que também fica sobrecarregado, e várias linhas caem em efeito dominó. Também tivemos isso no Brasil. Não me refiro ao apagão de 2001, quando houve falta de energia, mas ao blecaute de 1999.

O que causou o erro?

O sistema interligado é uma coisa, manobra errada é outra. Pode ser um erro de computador, que não prevê uma certa situação, pode ser uma decisão humana, pode ser uma interferência da natureza.

12
nov
09

Ministério Público abre processo para investigar causas

deu em o globo

Órgãos do setor têm de entregar documentos sobre a pane ao MPF

De Geralda Doca:

O Ministério Público Federal (MPF) abriu ontem processo administrativo para apurar as causas e os responsáveis pelo apagão que atingiu vários estados brasileiros na noite de terça-feira.

Os órgãos envolvidos — Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Usina Itaipu Binacional — terão 72 horas para enviar ao MPF toda a documentação produzida sobre a pane, principalmente as comunicações entre geradores, transmissores e distribuidores.

A ordem inclui ainda o envio de atas de reuniões, notas técnicas e laudos preliminares que possam ajudar a esclarecer o ocorrido.

O processo foi aberto pelo procurador Marcelo Ribeiro de Oliveira, lotado em Goiás. Ele é coordenador do Grupo de Trabalho de Energia e Combustíveis da Terceira Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria-Geral da República.

Dentro de 15 dias o MPF deverá se manifestar sobre o caso e indicar os responsáveis pela primeira falha detectada no sistema. Falará ainda se na época existiam medidas que pudessem evitar o blecaute. De acordo com o órgão, o objetivo é auxiliar o trabalho dos procuradores da República lotados em vários estados.

O Tribunal de Contas da União (TCU), por sua vez, alertou em julho o governo sobre riscos para o sistema elétrico. No acórdão que calculou em R$ 45,2 bilhões os prejuízos causados ao país pelo racionamento de 2001 e 2002, motivado pela falta de investimentos, os ministros do TCU recomendaram à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, verificar a situação dos órgãos ligados ao setor elétrico (quadro de pessoal e Orçamento), a fim de afastar o risco de um novo blecaute.

12
nov
09

Serra faz críticas ao apagão; Dilma se cala

deu na folha de s.paulo

Para governador, blecaute revela a vulnerabilidade do sistema no país; ministra cancela compromisso e evita imprensa

Parlamentares de oposição dizem no Congresso que falha é resultado da gestão de Dilma Rousseff no Ministério de Minas e Energia

Pré-candidata à Presidência em 2010, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que chefiou por dois anos e meio o Ministério das Minas e Energia, cancelou compromisso ontem, não participou de reunião do governo para discutir o blecaute e não comentou o episódio.

Dilma tinha encontro com o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, na sede provisória da Presidência, no Centro Cultural Banco do Brasil, mas desmarcou. Também não foi ao Itamaraty receber o presidente de Israel, Shimon Peres, como era esperado.

Ontem, às 19h40, quando deixava o CCBB antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que raramente faz, foi questionada sobre o apagão. Acenou aos jornalistas e disse: “Um beijo para vocês”. A Folha enviou a sua assessoria um e-mail com perguntas sobre o blecaute, mas não obteve resposta.

Há duas semanas, em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Radiobrás, Dilma disse que o Brasil estava a salvo de novo apagão elétrico. “Nós também temos uma outra certeza: que não vai ter apagão.”




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