Arquivo para 16 de novembro de 2009



16
nov
09

Oposição sem rumo (Editorial)

Deu em O Estado de S. Paulo

O governo federal queima dinheiro com gastos improdutivos, investe pouco, incha a máquina pública, loteia o setor elétrico e atrapalha-se todo na hora de explicar um apagão em 18 Estados, mas a oposição silencia diante da maior parte dos erros, é tímida na hora do confronto e seu provável candidato em 2010, o governador José Serra, parece gostar mesmo é de criticar a política de juros do Banco Central (BC).

Tudo isso é visível para quem acompanha o dia a dia da economia e das principais decisões do governo, mas o economista Rogério Furquim Werneck, da PUC-Rio, vai um passo além e faz uma advertência: para não serem vistos como anti-Lula, os oposicionistas ficam sem discurso e arriscam-se a entrar sem bandeira, ou com uma bandeira muito descorada, na disputa eleitoral.

Eleição à parte, o comportamento desses políticos chama a atenção também por outra peculiaridade. Ao concentrar as críticas na política monetária, o governador José Serra e alguns de seus companheiros escolhem o alvo errado. Em primeiro lugar, cometem uma injustiça.

O BC é o único setor da administração federal com uma boa folha de serviços prestados nos últimos sete anos. Se a inflação se manteve controlada nesse período, foi por causa da manutenção de dois pilares da política econômica, o sistema de metas de inflação e o regime de câmbio flutuante.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem diploma de economista, mas entendeu perfeitamente esse fato. Sua reeleição foi muito facilitada pelo êxito da política anti-inflacionária. Sem isso, a redução da pobreza e da desigualdade teria sido muito mais difícil. O salário real teria subido menos – ou não teria subido – e os programas de transferência de renda teriam sido minados pela alta de preços.

Alvo preferencial também de uma parte dos petistas, dos aliados de Lula e de alguns membros do governo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, foi no entanto preservado. Nenhum de seus antecessores durou tanto no cargo. O presidente Lula não escolheu esse caminho só para agradar ao mercado financeiro.

O terceiro pilar da política econômica foi razoavelmente preservado no primeiro mandato do presidente Lula, mas vem sendo submetido a uma erosão cada vez mais perigosa. As tentativas cada vez mais evidentes de maquiar as contas, por meio de ajustes na meta fiscal, não permitem nenhuma dúvida. Se o governo tivesse agido com alguma parcimônia, contendo o desperdício, teria terminado o ano em condições financeiras muito melhores, apesar da crise e dos incentivos concedidos para o combate à recessão.

O desperdício continuará no próximo ano, porque o empreguismo, o aparelhamento e as bondades concedidas com dinheiro público vão continuar e servirão a propósitos eleitorais, mas nada disso parece impressionar a oposição.

O governo conseguirá, sem a mínima dificuldade, a aprovação de um orçamento segundo as suas conveniências. Continuará queimando dinheiro, deixará de investir por incompetência, não por falta de verbas, e porá a culpa no Tribunal de Contas da União.

Em segundo lugar, a oposição erra na escolha do alvo porque a bem-sucedida atuação do BC é uma continuação de políticas adotadas a partir de 1999. Essas políticas deram certo logo depois de adotadas, continuaram garantindo uma razoável estabilidade de preços e têm contribuído para facilitar o planejamento das empresas.

Além do mais, o BC foi muito mais ágil que o Ministério da Fazenda, nas primeiras ações de combate à crise, no ano passado. Sem essa intervenção, as condições de financiamento teriam sido muito piores, bancos pequenos e médios teriam corrido riscos muito maiores e a situação cambial poderia ter-se deteriorado muito mais perigosamente.

Em resumo, a oposição combateu algumas das melhores ações econômicas dos últimos sete anos e silenciou diante das mais desastrosas. Foi incapaz de defender algumas das mudanças mais importantes do governo anterior, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a bem-sucedida privatização de empresas com atividades típicas de mercado, como a mineração, a produção de aço e a fabricação de aviões.

Os oposicionistas ficaram quietos quando o presidente Lula tentou intervir na gestão de algumas dessas companhias, assim como têm ficado passivos diante das perigosas mudanças embutidas nos projetos de lei do pré-sal. Se essa é a sua orientação, que mensagem terão para o eleitorado?

16
nov
09

Um vice para Marina: do capital ou contra o capitalismo?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009 | 5:17

Estou acompanhando com algum interesse, ao qual não falta também alguma ironia, as conversações entre o PV, o de Marina Silva, e o PSOL de Heloisa Helena. O primeiro que reagiu contra a eventual aliança foi José Dirceu. José Dirceu é aquele petista que, segundo li numa reportagem, acha que o PSDB fará uma grande bobagem se escolher José Serra candidato. Ele considera Aécio Neves muito mais perigoso para o PT. Por isso, homem gentil que é — a delicadeza política de Dirceu é proverbial —, dispensa salamaleques a Aécio, que ele teme, e ataca Serra, que ele considera fácil vencer. Se vocês não entenderam nada, não tem importância, se é que me entendem… Mas voltemos.

Dirceu está preocupado porque Marina pode morder aí algo entre 5% e 9% do eleitorado. É evidente que uma parte desses votos já esteve com Heloísa Helena em 2006. Assim, se a líder do PSOL apoiar a candidata do PV, não se deve esperar uma soma dos 1o% ou 11% de Heloisa Helena com os 8% ou 9% de Marina. De todo modo, a união dos dois partidos pode, por mais estranho que pareça, preocupar o PT, sim. Seria muito difícil chegar a temidos 20%, mas Marina e PSOL juntos podem ampliar os votos que Heloisa Helena teve sozinha. E Dirceu não é bobo — de jeito nenhum!

Mas o entendimento PV-PSOL também não é uma coisa tranqüila, né? Heloisa Helena compromete um tanto a imagem de modernidade que Marina pretende passar. Observem que a senadora não dispensa aos tucanos, por exemplo, o tratamento rombudo do petismo. Ela é, assim, a manifestação genuína da terra, porém submetida ao aprimoramento do capitalismo de face humana — como um creme da Natura. Ela é, em suma, “moderna” — pós-o-que-quer-que-seja. Não por acaso, é a candidata de Caetano Veloso, que também é um homem “moderno”.

Há no PSOL quem sonhe em indicar o candidato a vice de Marina. Todos sabem no meio político que quem está de olho nessa vaga é o bilionário Guilherme Leal, um dos donos, justamente, da Natura. Ele tem dado grande apoio, digamos assim, moral e psicológico às pretensões de Marina. E isso diz um pouco de como o Brasil, de fato, não é um país simples — e não digo, com isso, que certa complexidade que há por aí seja necessariamente boa. A vaga de vice de Marina pode sair de um partido que esconjura o demônio capitalista ou pode ser de um dos mais reluzentes representantes do… capitalismo, ainda que verde, verdíssimo mesmo.

O cenário de 2010 é muito menos previsível do que parece.

16
nov
09

Vítima do terrorismo também faz greve de fome

Ao noticiar ontem que o homicida italiano Ceare Battisti havia entrado em greve de fome, indaguei o que aconteceria se suas vítimas fizessem o mesmo. Pois é. Vejam o que noticia a Agência Ansa:

O presidente da associação de vítimas do terrorismo Domus Civitas, Bruno Berardi, anunciou hoje que também iniciou uma greve de fome contra a que é realizada pelo ex-ativista de esquerda Cesare Battisti.
“O objetivo é sensibilizar a opinião pública e a Alta Corte brasileira [Supremo Tribunal Federal (STF)], que julga o processo de extradição [do italiano], para que envie a nosso país o homicida Cesare Battisti”, anunciou Berardi.
Ao iniciar sua greve, ele também pediu justiça às vítimas e aos familiares dos crimes aos quais o ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) é condenado em seu país.

16
nov
09

Pegue aí, Celso Amorim, que o Bigodão é seu!

Ah, que peninha! O Bigodão não quer mais brincar. Manuel Zelaya, Manuel Zelaya… Lembram-se dele? Pois é. O Maluco de Tegucigalpa leu uma carta aberta a Obama em que diz não aceitar mais a recondução ao poder. Pare de rir, leitor! Que coisa! Ele não quer mais brincar! E diz que também não reconhece as eleições vindouras — que, não obstante, acontecerão.

Zelaya também lastima o que considera mudança de posição dos EUA, que já começam a admitir a possibilidade de reconhecer o governo que sair das urnas, ainda que o Malucão não seja reinstalado simbolicamente no poder.

O chato pra Zelaya é que tudo segue conforme ele exigiu. A pendenga final da negociação era quem decidiria o seu retorno: a Corte Suprema, como queria Roberto Micheletti, ou o Congresso, como ele queria. Ficou decidido que seria o Congresso. Só que o acordo não previa data para a decisão e, como estava redigido lá, não tornava obrigatória a sua volta.

Estabelecia prazo, sim, para a formação do governo de unidade nacional — para o qual Zelaya não quis indicar representante. E, pois, quem, formalmente, desrespeitou o acordo foi ele. Pelo visto, o homem vai ficar lá como “hóspede” na embaixada do Brasil para sempre. Agora, sim, a coisa está mais perto de sua real natureza: uma pantomima.

Pegue aí, Celso Amorim, que o Bigodão é seu!




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