Arquivo para 24 de novembro de 2009

24
nov
09

Álcool é vantajoso para motorista em apenas 7 de 26 Estados

Etanol permanece mais econômico do que a gasolina somente em GO, MT, PR, PE, RO, SP e TO, aponta ANP

EDUARDO MAGOSSI – Agencia Estado

SÃO PAULO – Na hora de abastecer o tanque dos carros bicombustíveis (flex), o etanol combustível é mais vantajoso que a gasolina em apenas 7 dos 26 Estados brasileiros mais o Distrito Federal. Isso é o que mostra os dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE Taxas, referentes à semana encerrada na última sexta-feira. Atualmente, o etanol permanece vantajoso nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

Veja também:

Calcule o combustível mais vantajoso

Uma maior estabilidade dos preços do etanol nos postos de combustível fez com que a vantagem voltasse a subir em relação à semana anterior, quando seis Estados apresentavam um etanol mais competitivo. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a álcool é de 70% do poder nos motores à gasolina.

A gasolina está mais vantajosa em 18 Estados. Em Alagoas e Mato Grosso do Sul, o uso de etanol ou gasolina nos tanques dos veículos é indiferente. Desde a semana de 16 de outubro, a gasolina passou a ser vantajosa em mais Estados do País que o etanol.

Segundo o levantamento, os Estados onde a vantagem do etanol é mais significativa são Mato Grosso (onde o valor do etanol é 52,28% do preço da gasolina), Goiás (62,45%), São Paulo (64,09%) e Tocantins (65,34%). Já a gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima (valor do etanol é 80,01% do preço da gasolina), Rio Grande do Sul (78,19%), Amapá (77,62%), Pará (77,33%), Espírito Santo (75,87%) e Santa Catarina (74,55%).

Preços

Segundo a ANP, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,29 por litro, no Estado de São Paulo, enquanto o preço máximo foi de R$ 2,99 por litro, no Acre. O menor preço médio foi o registrado no Mato Grosso (R$ 1,457 por litro), enquanto o maior foi identificado no Amapá (R$ 2,185 por litro).

O levantamento também revela que os preços médios do etanol combustível subiram nos postos de 15 Estados brasileiros no período analisado. Os valores caíram em 12 Estados. As maiores quedas foram registradas em Rondônia (baixa de 1,33%), Bahia (queda de 1,25%) e Acre (recuo de 1,22%). Já as maiores altas foram registradas em Goiás (3,71%), Mato Grosso (2,38%), Espírito Santo (1,90%) e Minas Gerais (1,80%).

24
nov
09

Governo quer banda larga em metade dos domicílios em 2014

Projeto custaria R$ 75,5 bi, que seriam investidos nos próximos cinco anos, por meio de parceria público-privada

Gerusa Marques, da Agência Estado

BRASÍLIA – A meta fixada pelo Ministério das Comunicações é de chegar a 2014 com 50% dos domicílios do Brasil conectados à internet em banda larga. A previsão consta do documento “O Brasil em Alta Velocidade”, que está sendo apresentado na tarde desta terça-feira, 24, pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Todo o projeto custaria R$ 75,5 bilhões, que seriam investidos nos próximos cinco anos.

Pelo plano do ministério para a massificação da banda larga, no prazo de cinco anos, em cada grupo de 100 pessoas, 45 terão acesso rápido à internet. A proposta de Costa, obtida pela Agência Estado, é de chegar a 2014, com 90 milhões de acessos.

Deste total, 30 milhões seriam pelas redes fixas e 60 milhões pelas redes da telefonia celular. As empresas chegaram a propor ao ministério baixar a meta de conexões móveis para 50 milhões, mas a reivindicação não foi aceita. Estão previstas no projeto conexões em residências, empresas e cooperativas, além de pontos públicos de acesso coletivo.

Pela proposta, nos próximos cinco anos, seriam atendidos com acesso à internet em banda larga fixa 100% dos órgãos da administração federal, dos estados e municípios. Também seriam atendidas todas as escolas públicas rurais, que somam mais de 70 mil. As escolas públicas urbanas já estão sendo atendidas por outro programa, numa parceria entre governo federal e concessionárias de telefonia fixa. Seriam cobertas ainda 177 mil unidades de saúde pública, incluindo postos e hospitais. Também há previsão de atendimento a 10 mil bibliotecas e 14 mil órgãos de segurança pública, como delegacias de polícia.

O desafio principal do plano nacional de banda larga, na avaliação do Ministério das Comunicações, é baixar o preço da conexão para que os serviços possam chegar às classes mais carentes da população e ao interior do País. Na proposta de Hélio Costa, a banda larga popular teria um preço máximo de R$ 30 por mês. Outro objetivo do projeto é o de aumentar em dez vezes a velocidade mínima de conexão, saindo hoje de 200 quilobits por segundo (kbps) para 2 megabits por segundo (mbps), em 2014.

Investimentos

O documento de 195 páginas propõe parceria público-privada para permitir que o País chegue a 2014 com 90 milhões de acessos de banda larga, meta já antecipada pela Agência Estado. Do total de investimentos, R$ 49 bilhões seriam aplicados pelas empresas, com recursos próprios e de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os outros R$ 26,5 bilhões viriam do setor público, incluindo o governo federal e os governos estaduais.

A maior parte do investimento privado seria bancada pelas operadoras de telefonia celular, que ficariam responsáveis pelo aporte de R$ 31 bilhões, correspondentes a 53 milhões de novos acessos à banda larga pela rede móvel. As empresas de telefonia fixa investiriam R$ 18 bilhões, para criar 18 milhões de novas conexões até 2014.

Os governos contribuiriam para o projeto com isenção tributária para novos acessos e a liberação de fundos setoriais. A maior parte do dinheiro público – R$ 12,6 bilhões – viria da isenção da cobrança de ICMS sobre os novos acessos à banda larga, o que depende da concordância dos Estados. Também haveria isenção da cobrança de Pis e Cofins, no total de R$ 1,63 bilhão, para novos acessos e modens de conexão à internet.

O governo federal liberaria R$ 4 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e R$ 1,6 bilhão do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), além de abrir mão da arrecadação de R$ 3,45 bilhões do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), que deixaria de ser cobrada sobre os novos acessos, até 2014.

Expansão da rede

Costa propõe que as empresas responsáveis pela construção de obras públicas de infraestrutura – como habitação, saneamento e energia – sejam obrigadas a incluir dutos e fibras ópticas que possam ser usadas para a comunicação. Há ainda a sugestão para que sejam criadas linhas de financiamento pelo BNDES. Essas linhas seriam usadas para a expansão das redes, para projetos de inclusão digital das prefeituras e para a implantação de lan houses, entre outras aplicações.

O ministério também propõe incluir os provedores de internet que são microempresas ou empresas de pequeno porte em regimes fiscais diferenciados, como o Supersimples e o Simples Nacional.

O ministério destaca ainda que os eventos esportivos que ocorrerão no Brasil nos próximos anos – como a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016 – exigem uma infraestrutura de banda larga “moderna e abrangente”.

Para coordenar a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, o ministério propõe a criação de um comitê gestor, que ficaria responsável pelo acompanhamento e revisão periódica das metas. Este comitê seria composto por representantes de órgãos de Governo, da indústria e das prestadoras de serviços.

24
nov
09

Governo Obama tem sabor de decepção, diz assessor de Lula

Laryssa Borges , Portal Terra

BRASÍLIA – O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, classificou nesta terça-feira como “frustração” o resultado das recentes políticas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em relação à América Latina, às negociações sobre a liberação econômica da Rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC) e às propostas de combate às bruscas mudanças climáticas.

De acordo com o assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já existem “sintomas e posicionamentos” que apontam para um “sabor de decepção” do Brasil em relação às decisões tomadas pela Casa Branca.

“Nós entendemos que o presidente Obama está enfrentando uma situação complexa com uma agenda interna difícil, mas a grande verdade é a seguinte: está provocando uma certa frustração. Não diria que é uma inflexão. O presidente Lula continua com expectativas de que possamos ter um bom relacionamento com os Estados Unidos, mas até agora há um certo sabor de decepção, que esperamos que seja revertido. Nas conversas com altos funcionários americanos é esse o sentimento que temos expressado”, disse Garcia após participar de almoço no Palácio do Itamaraty.

“Esperamos que haja uma percepção da parte do governo americano de que não é o fato de que na América Latina não explodam bombas, de não termos atentados nem grandes crises que deva significar que eles fiquem ausentes e (não) tenham uma política mais consistente em direção (aos latinos)”, criticou o assessor de Lula.

Para Garcia, Obama não tem demonstrado empenho em fazer com que os Estados Unidos colaborem nas negociações de liberalização comercial em termos mundiais e ainda tem apoiado a realização das eleições presidenciais em Honduras, embora o país tenha passado os últimos meses sob intenso estado de tensão e violência. O presidente deposto do país caribenho, Manuel Zelaya, está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde 21 de setembro.

“Vemos com preocupação alguns sintomas e alguns posicionamentos dos Estados Unidos. A Rodada de Doha (de liberalização do comércio) está paralisada, e o próprio presidente Obama, na carta que enviou neste fim de semana ao presidente Lula, não deu muita possibilidade de que isso se desenvolva. Em relação a Honduras já (há) esse nítido desapoio não só em relação ao Brasil, mas em relação à maioria dos países latino-americanos (em prol das eleições presidenciais). No que diz respeito à convenção do clima, os Estados Unidos não estão entregando praticamente nada. Somente um item que o Brasil está propondo corresponde a tudo que os Estados Unidos têm proposto até agora”, afirmou.

“Se houver um desencontro e um desentendimento muito grande, os Estados Unidos começarão a olhar para a América Latina e vão chegar à conclusão de que estão olhando tarde demais. Esperamos que isso não ocorra porque o Brasil, que manteve uma relação excelente com os Estados Unidos durante o governo Bush, tem muito mais razões para manter uma relação melhor ainda durante o governo Obama”, disse o assessor.

24
nov
09

Número de mortes por Aids cai 10% no mundo

Carlos Araújo, Rádio das Nações Unidas

NOVA YORK – O maior acesso a antiretrovirais ajudou a reduzir a mortalidade por Aids em mais de 10% a nível global, nos últimos cinco anos. O número de novas infecções também sofreu um declínio de 17% nos últimos oito anos.

As conclusões fazem parte de um relatório divulgado nesta terça-feira em Shangai, na China e em Genebra, pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV-Aids, Unaids e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Prevenção

Segundo a “Atualização da Epidemia de Aids-2009”, programas de prevenção da doença tem tido um impacto considerável ao redor do mundo. Os maiores progressos foram registrados na África Subsaariana, onde o número de novas infecções sofreu uma queda de 15%, ou seja, cerca de 400 mil pessoas não foram infectadas em 2008.

Em Botsuana, onde a cobertura antiretroviral é de 80%, mortes causadas pela doença sofreram um declínio de 50% nos últimos cinco anos.

O estudo mostra que o número de pessoas que vivem com Aids nunca foi tão elevado, cerca de 33,4 milhões. Mas essas pessoas vivem mais tempo graças aos efeitos benéficos dos antiretrovirais.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que investimentos nacionais e internacionais no combate à epidemia estão dando resultados concretos. Ela pediu mais esforços para salvar mais vidas.

Mortalidade

A conselheira assistente do diretor-executivo do Unaids, Georgeana Braga, disse à Rádio ONU, de Genebra, que o Brasil é um exemplo positivo.

– O Brasil está como sempre voltando como um exemplo de prevenção, o trabalho do Brasil começou muito cedo e medicamentos estão disponíveis no país desde 1996, então ele ainda é um exemplo de prevenção e de tratamento disponível para todos – afirmou.

Apesar dos bons resultados Georgeana Braga alerta que a taxa de incidência do HIV entre a população carcerária do Brasil e da Argentina ainda é muito alta e passa dos 10%.

24
nov
09

FAB dá carona a filho de Lula e mais 15 acompanhantes

Da Folha Online

Faltando dez minutos para pousar no aeroporto internacional de Brasília no dia 9 de outubro, uma sexta-feira, o Boeing 737 de prefixo 2116, da FAB (Força Aérea Brasileira), teve de mudar de itinerário e retornar a São Paulo para buscar novos passageiros: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com 15 acompanhantes, informa reportagem de Kátia Brasil, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo a reportagem, a viagem do Boeing começou em Gavião Peixoto (SP), levando a Brasília militares a serviço da Aeronáutica. Eram 17h, já perto da capital federal, quando o comandante recebeu ordem de voltar a São Paulo.

O Boeing voltou e pousou às 19h em Guarulhos, onde foi abastecido. O comandante recebeu nova ordem: os passageiros embarcariam em Congonhas, não em Guarulhos.

A Folha informa que o Sucatinha partiu de Guarulhos às 20h30. Como já havia sido abastecida, a aeronave teve que ficar voando por uma hora para gastar combustível e ingressar nas condições de pouso em Congonhas, onde aterrissou às 21h30.

Os militares foram deslocados para a parte traseira, para que os novos passageiros embarcassem. A decolagem foi às 23h. O avião chegou a Brasília uma hora e 40 minutos depois.

Outro lado

A assessoria do Banco Central diz que Meirelles solicitou a aeronave da FAB apenas para ele e um assessor.

A assessoria de imprensa da Presidência da República afirma que os passageiros, incluindo Lulinha, eram convidados do presidente. Lulinha não foi localizado para comentar o caso.

O tenente-coronel Henry Wender, assessor da FAB, afirma que, como o Boeing estava à disposição da Presidência, a FAB não tem controle de lista de passageiros e de itinerário.

24
nov
09

Temer diz ter convocado consultores para acelerar investigação sobre mau uso de verba

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou nesta terça-feira ter convocado um grupo de consultores legislativos para acelerar a análise do material contido na denúncia divulgada pela Folha mostrando o mau uso da verba indenizatória por parlamentares.

Segundo ele, levar as denúncias para o Conselho de Ética seria pular uma etapa. Temer reafirmou que as investigações seguirão o rito natural, passando, primeiramente, pela Corregedoria.

“Tudo que saiu vai para a Corregedoria. Eu falei com o deputado ACM Neto [corregedor] e convoquei consultores legislativos para auxiliar nessa tarefa”, disse.

Questionado se os parlamentares deveriam ser levados ao Conselho de Ética, Temer defendeu cautela. “Nós nem começamos a apurar. Hoje será tudo encaminhado para a Corregedoria”, disse.

Reportagem da Folha publicada hoje mostra que pelo menos sete parlamentares usaram recursos da Câmara dos Deputados para custear gastos em campanhas eleitorais de 2008.

No domingo, o jornal revelou que 25 deputados apresentaram notas de empresas de fachada ou com endereços fantasmas, tendo como objetivo se beneficiarem da verba, que é R$ 15 mil ao mês, para reembolsar gastos nas bases eleitorais.

Ontem, Temer tinha defendido uma pena alternativa para esses parlamentares que usaram notas frias, ao invés da cassação do mandato.

“Há um projeto de modificação do regimento do Conselho de Ética que permite até a gradação de penas. Eu tenho patrocinado esta fórmula porque, às vezes, não é caso de cassação imediata, mas de punição de menor natureza. Estamos trabalhando nessa tese também”, afirmou.

A Folha mostra hoje que os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Jader Barbalho (PMDB-PA), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Narcio Rodrigues (PSDB-MG), Giovanni Queiroz (PDT-PA), Fábio Ramalho (PV-MG) e Paulo Rocha (PT-PA), envolvidos nas eleições do ano passado –seja em suas próprias candidaturas ou no apoio de candidatos aliados– utilizaram verba destinada a atividades parlamentares para alugar carros e aeronaves em campanhas e em hospedagem de assessores em hotéis.

Os valores gastos vão de R$ 2.000 a R$ 28 mil. A maioria dos candidatos alegou à reportagem que as despesas correspondem a custos do próprio mandato, e não de campanhas eleitorais.

O Conselho de Ética da Câmara julgou, em julho, um caso de suspeita de uso irregular da verba indenizatória.

O deputado Edmar Moreira (PR-MG), que acabou sendo absolvido pelo conselho, exibiu notas de suas próprias empresas de segurança para justificar gastos de R$ 230,6 mil com a verba indenizatória. A suspeita era a de que os serviços não foram prestados. O deputado foi absolvido.

24
nov
09

Após obter apoio de Lula, Ahmadinejad segue para Bolívia e Venezuela

da Folha Online

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, partiu nesta terça-feira para Bolívia, próxima etapa de seu giro na América Latina em busca de apoio para seu controverso programa nuclear. Ele deixa Brasília satisfeito com um discurso de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu o direito iraniano a um programa nuclear, desde que tenha fins pacíficos.

Os encontros com os presidentes esquerdistas da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, para onde segue viagem, deve render a Ahmadinejad um apoio ainda mais declarado.

A agenda de Ahmadinejad na Bolívia ainda não foi divulgada. Já a Chancelaria da Venezuela, talvez uma das maiores aliadas de Teerã, afirmou que será uma visita “intensa” de dois dias para fortalecer a “sólida” relação entre os dois países.

“Somos dois povos decididos a construir nosso próprio caminho de independência e de desenvolvimento”, disse nesta segunda-feira o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

O chanceler venezuelano destacou “o esforço do presidente Ahmadinejad para aprofundar as relações produtivas entre ambos os países” demonstrado, segundo ele, “pelos mais de 70 projetos conjuntos existentes”.

“Nada pode nos impedir que sigamos desenvolvendo toda a capacidade produtiva entre ambos os países”, acrescentou Maduro, que citou os âmbitos energético, industrial e agrário como os principais pontos a serem tratados.

Irã e Venezuela assinaram nos últimos anos cerca de 300 memorandos de entendimento, dos quais quase 80% já foram aplicados, segundo disse na semana passada em Teerã o chefe da diplomacia venezuelana, em uma viagem para preparar a visita do presidente Ahmadinejad. Chávez viajou duas vezes este ano à capital iraniana.

Brasil

No Brasil, o presidente Lula afirmou diante de Ahmadinejad que reconhece o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear “com fins pacíficos” e em conformidade com os acordos internacionais. “O que nós temos defendido há muito tempo é que o Irã possa produzir urânio para desenvolvimento de energia”, disse Lula após a reunião que teve com Ahmadinejad em Brasília.

O presidente afirmou ainda que o desarmamento nuclear deve “andar junto” com a não-proliferação. Lula incentivou Ahmadinejad a continuar em busca de “países interessados” em encontrar uma solução para o que chamou de “questão nuclear iraniana”.

O presidente iraniano avaliou o papel do Brasil no cenário internacional e assegurou que o país “pode ter um papel ativo” na busca pela paz. Ahmadinejad deu ainda “boas-vindas à presença do Brasil na Ásia e no Oriente Médio”, por considerar que o país “pode fortalecer a cooperação” e também “contribuir para a estabilidade” na região.

Lula respondeu dizendo que o Irã pode ter um papel decisivo para conseguir a paz no Oriente Médio e na Ásia Central e que o país será “especialmente importante” para conseguir a “união” dos palestinos, condição prévia para que alcancem a ‘liberdade” de Israel.

Antes de Ahmadinejad, Lula recebeu nos últimos dez dias os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil foi bastante criticada, principalmente pela comunidade judaica, por organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e por outros movimentos sociais devido à recusa do presidente iraniano em reconhecer o Holocausto, por suas ameaças a Israel e por causa da falta de liberdades no Irã.

24
nov
09

Para “El País”, visita de líder iraniano pode tirar prestígio de Lula

da BBC Brasil

Um editorial do jornal espanhol “El País” nesta terça-feira diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de “perder parte do prestígio internacional que colheu”, ao receber o colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

“Ahmadinejad pretende buscar fora [de seu país] a legitimidade que dentro continua sendo contestada. Mas a visita ao Brasil também está relacionada às sanções que a comunidade internacional imporá a Teerã após o bloqueio das negociações sobre seu programa atômico”, diz o jornal.

O artigo parte do princípio de que a visita de Ahmadinejad a Brasília amplia “o cenário internacional onde se dá a disputa sobre o programa nuclear iraniano”.

Para o diário espanhol, ainda que o Irã tenha relações com a Venezuela, a Bolívia, o Equador e a Nicarágua, e seja ainda um observador na Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) –o bloco de países criado e incentivado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez–, “nada disso tem o profundo significado da nova escada latino-americana de Ahmadinejad”.

“O Brasil decidiu ocupar o novo papel que lhe corresponde, e isso passa por desenvolver uma política própria para as questões mais contenciosas, em particular, as do Oriente Médio e do programa nuclear iraniano.”

“É uma aposta arriscada para o presidente Lula que, antes de Ahmadinejad, recebeu o presidente israelense Shimon Peres e o da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, forçado pelo dominó de equilíbrios que deve respeitar após mover a primeira peça.”

Na opinião do “El País”, “a visita de Ahmadinejad ao Brasil não admitiria outro desenlace senão o que um jogo que termina em zero a zero”.

“Ou Lula fica em evidência por debilitar em troca de nada a frente internacional contra o programa nuclear iraniano, ou o Irã tem de fazer ante Lula concessões que até agora tentou evitar por todos os meios.”

“Talvez um meio caminho, como ganhar tempo antes das sanções [internacionais], fosse aceitável para Ahmadinejad. Lula, por outro lado, perderia uma parte do prestígio internacional que colheu merecidamente.”

24
nov
09

Economia não decide eleição, diz Serra

•”Fui lançado candidato a presidente pelas pesquisas, porque estou na frente”
•”Ele [Ciro] não vai fazer nada que o Lula não queira. Isso é jogo político”

O governador de São Paulo e mais provável candidato do PSDB a presidente da República em 2010, José Serra, lançou hoje uma tese polêmica. “Economia não decide eleição”, declarou ele ao conceder longa entrevista à rádio Jovem Pan, transmitida em rede por essa emissora paulista e suas associadas para o Brasil inteiro –ao todo, são rádios em 141 cidades, entre elas, 20 capitais. Aqui, o áudio da entrevista.

Serra respondia a respeito do estado da economia e como poderia ser o efeito sobre a sucessão presidencial em 2010. Quase falando como candidato a presidente, Serra deu vários exemplos para refutar a tese (em voga no governo) de que a economia em alta favorecerá à pré-candidata a presidente pelo PT, Dilma Rousseff.

“Em 2006, a economia não vinha bem, mas o Lula ganhou a eleição”, disse Serra. O governador tucano também usou uma metáfora. Se a economia está em boas condições, afirmou, seria como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor terá de decidir sobre quem estará mais apto a continuar a conduzir o ônibus da melhor forma possível.

Indagado sobre a pesquisa eleitoral CNT/Sensus, Serra deu sua resposta padrão: o quadro só vai se definir em abril ou maio de 2010, mas sempre ressalvando: “Eu estou bem adiante nas pesquisas”.

Aproveitou para alfinetar o levantamento CNT/Sensus –na qual ele pontua, aproximadamente, de 30% a 40%, a depender do cenário. Serra acha que essa pesquisa inclui perguntas sobre temas da atualidade que acabam esquentando o eleitor e induzindo a uma resposta mais favorável a um candidato do governo.

De fato, a pesquisa CNT/Sensus pergunta sobre a avaliação do governo Lula para depois falar sobre sucessão presidencial. Como Lula está bem avaliado, em tese, as respostas a favor de Dilma Roussef seriam sempre mais positivas. Um detalhe: a pesquisa CNT/Sensus tem uma metodologia consistente, tendo sido realizada dessa forma há anos, desde o governo FHC.

Serra insiste que o quadro político só será definido em abril e maio de 2010. Embora se dizendo ainda sem definição, o tucano sempre deixa escapar frases que demonstram uma atitude de candidato. “Tenho o panorama do Brasil inteiro, Estado a Estado”, disse ele sobre as eleições do ano que vem.

Lula vai transferir votos para Dilma Rousseff? Fala Serra: “O Lula estava com um prestígio enorme e ele veio aqui [São Paulo] apoiar a Marta [Suplicy, candidata a prefeita pelo PT, em 2008] e o [Gilberto] Kassab [do DEM, apoiado por Serra] ganhou”.

Para Serra, “pesquisa não ganha eleição. É uma referência”. Ainda assim, ele festeja: “Eu fui lançado candidato a presidente pelas pesquisas, porque estou na frente… folgadamente”. E ressalva: “Se você está ganhando uma partida de 4 a 0, você acha que vai ser sempre assim? O resultado eleitoral do ano que vem não vai ser essa folga que as pesquisas mostram. Acho que a gente tem vantagem, mas não vai ser toda essa vantagem que as pesquisas mostram”. Em resumo, é Serra já fazendo um comentário preventivo sobre o aperto da diferença entre ele e Dilma, previsto para o início de 2010. E está mais candidato do que nunca.

Meu ex-presidente é melhor que o seu

Num trecho curioso de sua entrevista à rádio Jovem Pan, Serra foi indagado sobre se a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prejudica o PSDB. Mais especificamente, a pergunta foi sobre o fato de FHC ter recentemente criticado duramente Lula, a quem classificou como representante ou criador de uma espécie de “subperonismo” no Brasil.

E Serra: “Ele [FHC] é um homem que teve muita importância no Brasil. Foi o homem que armou o real. Tem um passado importantíssimo. Pegou situação internacional difícil. Ele dá sua opinião sobre o quadro político. Enriquece o debate e a democracia. Parece que só ex-presidentes que apóiam o governo podem falar. E quem apóia o governo Lula? Collor e Sarney. Quando o outro fala, não pode falar? O Fernando Henrique não pode falar? O contraditório é saudável”.

Aí, Serra ofereceu uma pergunta: “Se você pudesse votar no passado [num ex-presidente], você votaria em quem? Fernando Henrique, Collor ou Sarney?” Trata-se de uma grande cutucada de Serra, dizendo que se ex-presidente, FHC, é melhor do que os ex-presidentes que apóiam Lula.

Ciro: só faz o que Lula quer

O encontro recente entre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado federal Ciro Gomes (PSB), também foi abordado. Ciro é desafeto de Serra. “O Aécio é um governador de Minas Gerais, um bom governador. Ele tem liberdade para encontrar as pessoas”, comentou Serra. Completou, um pouco sem convicção: “Vamos estar juntos, vamos estar unidos. Vamos para a batalha do ano que vem somando forças. Eu não tenho inimigos em política. O Aécio tem liberdade e eu não vou fazer juízo a esse respeito [encontro entre Aécio e Ciro].

Mas e o fato de Ciro ter dito que desiste de se candidatar se Aécio Neves concorrer a presidente da República? “Acho que não tem nada a ver. Ele [Ciro] não vai fazer nada que o Lula não queira. Isso é jogo político e não tem consequência nenhuma”. Ou seja, em outras palavras, o tucano Serra está dizendo que Ciro Gomes tem sido apenas um pau-mandado de Lula no atual processo de definições eleitorais para 2010.

24
nov
09

Limites éticos (Editorial)

deu em o globo

Afrontas à lei não se tornam aceitáveis em função do momento em que são praticadas. O presidente Lula praticamente não desceu do palanque no segundo mandato, mas é agora, à medida que se aproxima do calendário eleitoral de 2010, que o descaso do Planalto com as regras de regulação de campanhas políticas fica mais gritante.

Até porque, como hoje há um candidato oficial definido pelo método mexicano do “dedazo” presidencial, à espera apenas da unção pelo PT, o atropelamento dos prazos legais pela movimentação da ministra Dilma Rousseff não é mais questão de interpretação, mas um fato indiscutível.

Tanto quanto isso é inaceitável que a indicada de Lula para disputar a ocupação do gabinete dele a partir de 1º de janeiro de 2011 já esteja em campanha e continue em cargo público, custeado pelo contribuinte.

Além das normas e regulamentos, há limites éticos comezinhos que deveriam levar o Palácio a pensar duas vezes antes de usar de maneira desabrida o Erário para viabilizar a candidatura de Dilma.

Não há, porém, indícios de qualquer consciência pesada no Planalto, nem no PT. O próprio Lula já analisa sem rodeios a provável conjuntura político-eleitoral dos estados no ano que vem sem preocupação em sequer dissimular que a ministra já é a candidata chapa-branca.

Pelo contrário: leva-a a tiracolo em viagens ao exterior e decidiu escalá-la como chefe da delegação brasileira ao encontro de Copenhague sobre meio ambiente, assunto reconhecidamente fora da agenda de preocupações da ministra-chefe da Casa Civil, notabilizada por seu viés pró-desenvolvimento a qualquer custo — inclusive os ambientais.

Por distorções da política brasileira, Copenhague virou mais um palanque para o projeto lulista de 2010. Esses desvios não são de hoje. Há 50 anos, o jornal, na edição de 8 de outubro de 1959, analisava o fato de Lott, candidato à sucessão de JK, manter-se no governo:

“Mais de uma vez tem O GLOBO estranhado que o marechal Teixeira Lott ainda se conserve à frente da Pasta da Guerra, e que sua sensibilidade pessoal e cívica não lhe denuncie a impossibilidade moral de acumular o cargo de ministro com sua candidatura à sucessão de Sr. Juscelino Kubitschek.”

Ontem quanto hoje, a candidatura cumpria os prazos legais de desincompatibilização — no caso atual, em abril do ano que vem —, mas atropelava a ética de forma irredutível. Um dos problemas dos usos e costumes da vida político-partidária brasileira é nela a história se repetir, e não como farsa.




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