Arquivo para 26 de novembro de 2009

26
nov
09

Setor de tecnologia da informação terá carência de 140 mil profissionais em 2013, diz relatório

Agência Brasil –

A indústria brasileira de Tecnologia da Informação (TI) deverá precisar de 140 mil profissionais de todos os setores e níveis, em 2013. Esta é uma das conclusões preliminares do primeiro volume do relatório Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva, lançado hoje (25) em São Paulo.

Segundo o estudo, preparado pelo Observatório da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), o crescimento de trabalhadores assalariados no setor foi de 17% ao ano, de 2003 a 2006, apenas nas empresas cuja atividade fim é a informática.

“As empresas de outros setores da economia empregam quatro vezes mais que as de informática”, explicou o vice-presidente executivo da Sofitex, Arnaldo Bacha.

Segundo o estudo, o deficit é estimado esperando o crescimento de receita, produtividade e capacidade de contratação de mão de obra. Num cenário focado apenas em serviços, a falta de profissionais qualificados sobe para 200 mil. “Na Região Sudeste, onde concentra-se 78,1% da receita líquida do setor, os egressos de graduação são em torno de 36 mil”, explicou.

“Nas empresas cuja atividade fim não é informática, como bancos e indústrias, por exemplo, são 284 mil”, disse a coordenadora do observatório, Virgínia Duarte. Uma das projeções da associação é o crescimento de pessoal em 12,6% ao ano. “Estamos observando que o crescimento não é apenas de empregos formais, os chamados celetistas [regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho]. Entre 2003 e 2006, os empregados que trabalham como pessoa jurídica nas empresas cresceu 14,6% ao ano”, afirmou.

De acordo com o relatório, 132.510 pessoas se graduaram em cursos superiores da área de TI, de 2003 a 2005. Os graduandos em cursos superiores foram mais de 8 mil pessoas de 1996 a 2006 e as ofertas de mestrado cresceram aproximadamente 97,9% ao ano, de 2001 a 2006.

26
nov
09

Enfermeiro nos EUA é acusado de abuso sexual de mais de cem pacientes sedados

da Efe, em Washington

Um enfermeiro anestesista foi acusado nesta quarta-feira em Atlanta (Geórgia) de abusar sexualmente de mais de cem pacientes, e a polícia informou que conta com vídeos que mostram os abusos.

O homem foi identificado como Paul Patrick Serdula, 47, que trabalhava em consultórios médicos e dentais da zona metropolitana de Atlanta.

Segundo fontes judiciais, Serdula foi detido na segunda-feira sob acusações de sodomia e abuso infantil.

Um porta-voz da polícia do condado de Cobb disse que a detenção aconteceu depois da descoberta de vídeos que mostravam Serdula abusando dos pacientes sob efeito de anestesia.

Acrescentou que a investigação revelou que essas agressões sexuais foram cometidas durante vários anos e que as vítimas incluem pacientes de outros estados que receberam tratamento por parte de Serdula.

“A magnitude disto é quase surreal”, disse a meios de comunicação locais o sargento Dana Pierce da Polícia de Cobb ao referir-se à possibilidade de que podem se contabilizar mais de 100 vítimas do enfermeiro.

Segundo as autoridades, o homem trabalhava sob contrato para vários médicos e dentistas, o que lhe dava acesso a consultórios em toda a cidade.

Pierce manifestou que falou com muitos pacientes que acreditam ter sido vítimas do estuprador.

O problema na investigação do caso, segundo fontes judiciais, é que a maioria das vítimas não poderia afirmar com certeza o ataque sexual de Serdula por estarem anestesiadas.

26
nov
09

Investigação sobre programa do Irã chegou a “beco sem saída”, diz ONU

da Efe, em Viena
da Folha Online

O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Mohamed ElBaradei, advertiu nesta quinta-feira, em Viena, que a investigação sobre o programa nuclear iraniano chegou a “um beco sem saída”, do qual não sairá “se o Irã não cooperar plenamente”.

Além disso, expressou sua decepção pelo fato de que o Irã ainda não tenha dado seu sinal verde à proposta “equilibrada e justa” de enviar seu urânio enriquecido ao exterior, para posterior conversão em combustível nuclear para um reator científico em Teerã.

“Na minha opinião, o acordo proposto representa uma oportunidade única para tratar as necessidades humanitárias (no Irã) e criar espaço para negociações”, disse ElBaradei.

“[Se o Irã o aceitasse], nos ajudaria a alcançar uma mudança de rumo, do confronto para a cooperação, e abriria o caminho para um diálogo mais amplo entre o Irã e a comunidade internacional”, acrescentou o diretor, que deixa o cargo na próxima segunda-feira (30).

ElBaradei –que falou na abertura de uma reunião do Conselho de Governadores do organismo atômico da ONU– qualificou a oferta feita ao Irã como uma “oportunidade de ouro” e disse que esta “deveria ser aproveitada, e seria muito lamentável se fosse perdida”.

Ele criticou ainda que há um ano não ocorra “praticamente nenhuma atitude em relação aos assuntos de importância” que os inspetores precisam esclarecer, para verificar a natureza pacífica do programa nuclear iraniano.

ElBaradei se referia ao suposto caráter militar do programa nuclear iraniano — acusação feita pelos Estados Unidos e outros países, com base em uma série de provas que Teerã nega.

Acordo

Em 21 de outubro passado, em Viena, como parte de uma reunião entre o Irã, França, Rússia e os Estados Unidos, a AIEA apresentou um projeto de acordo que permitiria a Teerã garantir a entrega de combustível nuclear para seu reator de pesquisa.

O acordo visa a definir os termos do envio de cerca de 1.200 dos 1.500 quilos de urânio enriquecido a 3,5% que o país possui à Rússia, onde deve ser enriquecido até 19,75% de pureza –o suficiente para gerar energia e incapaz de produzir armas nucleares. Para fabricar uma bomba atômica, são necessários cerca de 2.000 quilos de urânio enriquecido acima de 90%.

O urânio enriquecido seria então transferido à França, onde seria transformado em combustível nuclear e depois devolvido ao Irã para uso em um reator científico em Teerã que produz medicamento para tratamento de câncer. Esse reator funcionava até agora com combustível atômico de fabricação argentina, recebido em 1993 e que está acabando.

O texto estabelece ainda a supervisão da AIEA sobre o processo.

Emendas

Após seis dias do prazo estabelecido, o Irã entregou à AIEA sua resposta à proposta de acordo com emendas para que a entregado urânio seja gradual.

Na primeira emenda, o Irã propõe entregar o urânio enriquecido ao nível de 3,5% de forma progressiva para obter, em contrapartida, o combustível a 20% necessário para o reator de pesquisas de Teerã.

Na segunda emenda, o Irã propõe a troca ao mesmo tempo de uma quantidade de urânio levemente enriquecido pelo combustível necessário para o reator de Teerã.

Os EUA rejeitaram os pedidos iranianos por emendas no documento e uma nova rodada de negociação sobre o tema. O presidente americano, Barack Obama, afirmou que “o tempo de resolver as coisas com diplomacia está acabando e começa a subir o tom sobre sanções”.

26
nov
09

Deputados usam verba da Câmara em suas empresas

deu na folha de s.paulo

Envio de dinheiro público a empreendimentos deles ou de familiares era prática comum

Notas fiscais que detalham o uso da verba indenizatória foram obtidas e analisadas pela Folha; congressistas negam haver ilegalidade

De Alan Gripp e Ranier Bragon:

Deputados federais direcionaram sistematicamente verba pública da Câmara para as suas próprias empresas ou para as de familiares, revela a documentação secreta obtida pela Folha no STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dos exemplos se refere à Rádio e TV Difusora do Maranhão, pertencente à família de Edison Lobão (Minas e Energia). No ano passado, a emissora recebeu recursos da mulher do ministro, a deputada Nice Lobão (DEM-MA).

De acordo com os documentos, os repasses mensais, de R$ 5.727, foram feitos dentro da rubrica “manutenção de escritório”, uma subdivisão da chamada verba indenizatória de R$ 15 mil mensais usada pelos deputados.

Sócio da empresa, o senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), filho do ministro, afirma que o repasse se refere ao aluguel, pela Difusora, de um escritório à deputada.

“O escritório existe, é conhecido por todos e funciona cinco dias da semana. Estava locado até quando era permitido pelas regras [internas da Câmara]”, disse o senador. O ministro Edison Lobão estava ontem em viagem ao exterior. De licença médica, Nice também não comentou os gastos.

Na análise dos dados das cerca de 70 mil notas fiscais, a Folha encontrou outros casos semelhantes, sendo que nenhum deles se repetiu após abril, quando os gastos passaram a ser divulgadas na internet.

Na ocasião, após a revelação de que o deputado Edmar Moreira (PR-MG) apresentou notas de sua empresa de segurança para obter reembolsos, a Câmara baixou norma vedando explicitamente o direcionamento da verba para si próprio.

O argumento de que não havia regulamentação prévia serviu para inocentar Moreira no Conselho de Ética, mas contraria o artigo 37 da Constituição: o uso do dinheiro público deve seguir os princípios da moralidade e da impessoalidade.

26
nov
09

PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos Estados

deu em o estado de s.paulo

Dificuldade para montagem de palanques está principalmente em MG e RJ, mas BA, PA, MS, PR e CE também apresentam amarras para a parceria

De Vera Rosa:

No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados.

A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

“A partir de agora vamos fazer política 24 horas por dia para resolver esses impasses”, afirmou o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, que venceu a disputa interna no primeiro turno, com 58% dos votos. Na lista dos casos considerados “perdidos” para a aliança estão Estados importantes, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco.

26
nov
09

País tenta reaver dinheiro de “propinoduto”

deu na folha de s.paulo

Tarso Genro negocia na Suíça repatriação de valores entre US$ 20 mi e US$ 30 mi desviados no RJ entre 1999 e 2000

Investigação foi deflagrada pelas autoridades suíças, que localizaram depósitos suspeitos de US$ 33,4 mi feitos por auditores e fiscais

O ministro da Justiça, Tarso Genro, negocia na Suíça a repatriação de valores entre US$ 20 milhões a US$ 30 milhões (entre R$ 34,5 milhões a R$ 51,8 milhões) que foram desviados no caso do “propinoduto”, protagonizado por fiscais do Rio de Janeiro e que começou a ser investigado em 2002.

Caso a negociação se efetive, esse será “o maior valor que o Brasil já obteve em fundos repatriados”, afirmou Tarso ontem em Genebra. Em investigações sobre doleiros nos EUA, o governo conseguiu reaver US$ 1,8 milhão (R$ 3,1 milhões).

O processo na Suíça foi aberto pelo Ministério da Justiça e pela Advocacia Geral da União. O governo do Rio não quis entrar no processo e, por isso, pode ficar sem receber os valores recuperados. O dinheiro ficaria integralmente com a União.

A investigação do caso teve início na Suíça, em 2002, quando a procuradoria da confederação começou a apurar depósitos suspeitos de US$ 33,4 milhões feitos por quatro auditores federais e quatro fiscais de renda do Rio de Janeiro.

Em 2003, a Justiça condenou 22 réus por crimes como lavagem de dinheiro, remessa ilegal ao exterior e corrupção.

No processo, um dos fiscais, Rodrigo Silveirinha, arrolou como testemunha de defesa o ex-governador Anthony Garotinho. Não foi provado, porém, o envolvimento de políticos.

O valor que virá da Suíça está indefinido porque os dois governos ainda discutem qual acordo internacional será usado para repatriar o dinheiro.

26
nov
09

UM DEMÔNIO EM MEUS OUVIDOS

Por Reinaldo Azevedo:

Escrevi bastante ontem sobre pesquisas e eleições. Textos de uma frieza que considero pouco habitual na minha produção diária. Prefiro lidar com uma mistura mais apimentada, que não seja alheia também à paixão. Acho que blogs pedem mais comprometimento pessoal. A julgar — serei um tanto imodesto por culpa de vocês, hehe… — pelo sucesso desta página, acho que estou certo. Ora, é evidente, e são os números que o dizem, que as oposições poderiam se dizer com a faca e o queijo na mão, para recorrer ao clichê mais escancarado para indicar o casamento entre o instrumento e a oportunidade. E é evidente também que bobagens em penca estão sendo feitas há tempos e, tudo indica, continuarão a ser feitas.

Isso é inédito? Não! Não é, como demonstrarei mais adiante. Como toda pessoa que lida com idéias, confesso que, às vezes, um demônio sopra ao meu ouvido, e fico mais tentado a provar que estou certo do que a torcer, sei lá, pelo melhor… Sabem como são os demônios… Não sou o único a ouvi-lo, tenho certeza… E o que ele sopra agora?

Confesso que seria intelectualmente fascinante ver o tucano José Serra chutar o pau da barraca e cair fora da disputa presidencial. Alguém poderia perguntar: “Mas por quê?” E eu responderia: “Ora, porque ele vence a disputa em todas as simulações, e isso, como se nota, parece ser um problema grave em algumas áreas do PSDB e do DEM. Como esses gênios não sabem lidar com quem está na frente, talvez eles saibam fazer vitorioso quem está atrás”. Meu demônio íntimo dá respostas boas.

E pronto! Esses setores do PSDB e do DEM ficariam livres para fazer, como é mesmo?, a sua política de alianças e de “agregação de forças” — não sei se uso direito esses substantivos. Só não seria de se esperar, por exemplo, que uma aliança juntando os bons amigos Aécio Neves e Ciro Gomes contasse com o entusiasmo de Serra, acho eu… Trocar-se-ia o apoio do governador de São Paulo pelo do Condestável de Sobral. Golaço!

Sem Serra, Rodrigo Maia, presidente do DEM, também ficaria livre para, como é mesmo?, formar os palanques estados afora. E Cesar Maia não teria mais nenhum “caudilho” a atrapalhar as suas antevisões. O DEM poderia, finalmente, ter no Brasil a força que tem no Rio de Janeiro. Não haveria mais obstáculos! De um lado, teríamos o lulo-petismo e sua fábrica de chocolates; do outro, oposições livres para oferecer… Bem, para oferecer… Ehhh… Para oferecer sei lá o quê! Faço algumas sugestões: amanhãs gloriosos? Futuros radiantes? Auroras alvissareiras? Ou alguém sonha com uma aliança com Ciro Gomes esperando de Serra a “disciplina partidária”? Sim, porque estou certo de que se falaria em “disciplina partidária”. Em política, depois do vale-tudo, alguém sempre lembra que é hora de ser pudoroso e recitar alguns princípios.

Os petistas nem precisam ser tão bons em política — as oposições já são ruins o suficiente por eles e em honra deles. Como não há plano estratégico, COMO SE USAM OS MEIOS PARA DESTRUIR OS FINS, há gente jogando às cegas, deixando-se manipular por joguinhos vulgares para influenciar a opinião pública. A vulgata da máxima maquiavélica — meios justificando os fins — já não é coisa prudente. Se os meios, como disse há pouco, destroem os fins, aí já é um caso de burrice disfarçada de sagacidade. Como o PSDB será mesmo governo em São Paulo com Alckmin ou com Serra, um núcleo de possível sobrevivência do partido estará assegurado. Em Minas, não se sabe. O DEM teria uma sobrevida até 2012, quando encerra o mandato de Gilberto Kassab. Depois, restará, quem sabe?, o governo do Distrito Federal.

É um cenário e tanto para o chamado “pós-Lula” — que, com a eventual vitória de Dilma, será, evidentemente, de continuidade do lulismo. Mais quatro anos podem ser mais 12! Se setores da oposição não se conformam em ter, há um ano, um candidato favorito e caem na conversa de pesquiseiros vigaristas, assustando-se, ou fazendo exploração intelectualmente desonesta, de uma esperada e óbvia ascensão da candidatura oficial, que sintam o gosto, então, de não ter mais o favorito.

Estou escrevendo o óbvio, coisa que os estudantes de semiótica aprendem logo nas primeiras lições: há certo protagonismo que só é charmoso diante de um antagonista dado. Se ele sai de cena, desaparecem a tensão e o interesse do público. Ninguém mais quer saber. E o que parecia antes tão esperto, tão sagaz, torna-se apenas bisonho.

É impressionante, dados os números, que Serra não seja ainda o candidato das oposições, ainda que decidisse não se colocar já na disputa. OK. Uma vez não sendo, é impressionante que ele e Aécio não tenham chegado a um entendimento para valer e não tenham estabelecido que o objetivo comum é vencer o PT. Notem: ninguém tem o direito de desconfiar de que considero a derrota dos petistas importante para a democracia. Mas falo só como observador mesmo. OS PRÓPRIOS PETISTAS NÃO DEVEM ACREDITAR NO QUE VÊEM. Se Serra e Aécio estivessem unidos, sem golpezinhos, irmanados no mesmo interesse, a tarefa já seria hercúlea. Com Ciro no meio, bem…, aí já é romance de Jorge Amado…

Recobro a frieza de uma lâmina, em linguagem militar: a tropa vai unida para a guerra, ou se pretende antes esfolar o comandante para declarar, depois da derrota, que ele é o único culpado pelo desastre? No lugar de Serra, e dado o cenário, eu realmente pensaria bastante. Seus adversários no PSDB e no DEM parecem ter descoberto a receita para ganhar espaço na disputa interna. Se julgam ter a receita também para a externa, boa sorte! Suponho que esperariam dele, também, o silêncio obsequioso que não souberam guardar.

Reitero: para o país, acho que seria péssimo. Mas gosto de estar certo. Se as oposições não merecem o eleitorado que têm, que ele vá para quem tanto o deseja. Na primeira entrevista que desse após a desistência, imagino algo assim:
Governador, por que o senhor desistiu?
Porque eu estava na frente havia mais de um ano, e isso passou a ser malvisto por alguns aliados. Então eu não quis mais chateá-los.
O senhor vai apoiá-los agora?
Claro! Se eles não me apoiaram estando eu na frente, por que cargas d’água eu não iria apoiá-los estando eles atrás? Isso é da mais absoluta e pura lógica cartesiana!

Finalmente
No dia 3 de dezembro de 2005, eu era colunista de O Globo, e Serra era líder nas pesquisas: vencia a eleição contra Lula. Mas havia tucanos que diziam que não, que ele não poderia ser o candidato. Reitero: ELE LIDERAVA TODAS AS PESQUISAS. Escrevi então — há 3 anos e 11 meses:

O PSDB deve ser o único partido no mundo em que um candidato favorito não é favorecido pelo favoritismo – se me permitem a lambança tautológica. Para alguns, é como se a preferência do eleitorado fosse um prejuízo, um peso de que querem se proteger. Parece que os ouço: “Não, este não. Está na frente nas pesquisas. Não pode!”

É mais ou menos o que se verifica com o nome de José Serra – até agora o único a vencer Lula num eventual segundo turno. Pode mudar? Pode. Mas é assim enquanto escrevo. Satisfação nas hostes tucanas? Há os que se mostram inquietos. O argumento maroto é o de que pesquisas refletem a realidade do momento. Sei. Futuro certo é só com a Mãe Dinah. (…)
Pergunta: caso Serra deixe de ser o mais bem colocado, suas chances aumentam?

Usa-se como argumento contra as pesquisas a candidatura de FHC em 1994, que largou atrás. Teria deslanchado depois de conhecido. Lorota. Era o homem do Real: havia domado a inflação. O trunfo lhe valeu duas eleições. É história. Os tucanos precisam é de projeto e de voto. Ainda não têm o primeiro, mas alguns se apressam em dar de ombros para o segundo. Os petistas devem acompanhar cheios de esperança esse jeito Toninho Cerezo de trocar passes no campo defensivo.
(…)
Serra, por seu turno, tem de abandonar a ambigüidade. É pré-candidato ou não? É. Por vontade sua, claro, mas também de quem se mostra disposto a votar nele. Candidaturas são construções políticas. Espero que seja ele? Espero é que seja um método!

26
nov
09

AMORIM E SEUS ALOPRADOS PRECISAM DE CAMISA-DE-FORÇA

Por Reinaldo Azevedo:

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) decidiu entrar com um requerimento no Itamaraty pedindo informações e esclarecimentos sobre uma entrevista concedida por Ruy Casaes, representante do Brasil na OEA, à Terra Magazine. Ruy Casaes? Vocês se lembram do homem. Ele resolveu me mandar um e-mail contestando um post meu certa feita, e eu fiz um vermelho-e-azul com ele. Com a devida vênia, observo que o homem destrambelhou de vez. E lhe faço justiça: não se trata de um destrambelhamento pessoal. Ele nada mais faz do que reproduzir o estado miserável a que chegou a política externa brasileira.

Alguns leitores já haviam comentado a entrevista aqui. Aquele que representa, na OEA, um país que chegou a se colocar como mediador da crise chama o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, de “palhaço”. Ainda que o atual presidente de Honduras fosse o mais desprezível dos seres, é evidente que não estamos mais diante de uma linguagem diplomática. Compreendo a fúria dos bolivarianos brasileiros. O papel ridículo desempenhado pelo Itamaraty revela-se agora sem reservas. Micheletti, para a turma de Celso Amorim, é mesmo um “palhaço”. O Brasil gosta de gente séria, de democratas circunspectos como Mahmoud Ahmadinejad, do Irã; Kadhafi, da Líbia, e Omar al Bashir, ditador do Sudão. Toda essa gente tem a mão atolada em sangue — Bashir, pelo menos 300 mil vezes. O governo Lula gosta é de homem sério. Micheletti não! Micheletti é um “palhaço!” Onde já se viu fazer uma “ditadura” em que os Três Poderes da República continuam a funcionar livremente, sem leis de exceção?

O que motivou o pedido de Jungmann, que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e foi convidado para ser observador das eleições hondurenhas, do dia 29 — e ele vai —, nem foi o destempero do tal Ruy. No vermelho-e-azul que fiz, já achava que ele precisava ou de férias ou de um Lexotan. Além, claro, de precisar ler a Constituição de Honduras. Jungmann quer que o Itamaraty explique outro trecho da entrevista. Ao considerar que Peru e Colômbia devem reconhecer o governo hondurenho que sair das urnas, afirmou o valente:
A Colômbia é um país altamente dependente dos EUA, o Peru é um país que tem um governo de centro-direita que tem dificuldades com alguns vizinhos, históricas com o Chile e ideológicas com a Venezuela. O Peru age de uma maneira que para eles é aquilo que significa a sua individualidade. Eu não sei se eles vão reconhecer ou não. Os indícios apontam que o Peru reconhecerá, assim como a Colômbia, independentemente de qualquer outra coisa. Eles estarão agindo de maneira incoerente e terão que fazer uma grande ginástica para justificar o fato de eles não estarem tomando a posição que eles assinaram tanto na Unasul, quando no Grupo do Rio, quanto na Calc. Isto será um problema deles.

Entenderam? Trata-se da confissão de que o alegado pragmatismo da política externa brasileira é mesmo falso. O alinhamento que conta é, antes de tudo, ideológico. Ora, não cabe ao representante brasileiro na OEA especular sobre o grau de “dependência” ou “independência” de uma nação soberana, como é a Colômbia, na relação com um terceiro país. É absurdo que o embaixador classifique ideologicamente o governo de uma nação amiga para desmerecê-lo, como ele faz com o Peru.

Sem contar que Casaes está falando, para não variar, uma grossa bobagem. Como ele mesmo deixa claro, os problemas do Peru com o Chile são “históricos” — e existiriam ainda que o governo fosse de esquerda. Mais: é o Peru que tem dificuldades “ideológicas” com a Venezuela, ou é a Venezuela que tem dificuldades com outros países? Qual dos dois governos julga poder exportar uma “revolução”? A crise hondurenha, aliás, nasce no chavismo, como é amplamente sabido.

A diplomacia brasileira, sob Celso Amorim, não é só primitiva ideologicamente. Ela é também ruim, grosseira, indicando seu impressionante rebaixamento. Casaes diz coisas como: “A população americana está se lixando para Honduras”, como se as populações dos demais países estivessem muito preocupadas. E, com razão, não estão: têm os seus próprios problemas. E Casaes? E Celso Amorim? E o governo brasileiro? Estariam eles, por acaso, preocupados com os hondurenhos ou estão ocupados apenas em marcar um ponto de vista que é de natureza ideológica? Gente preocupada com aquele povo propõe adiamento de eleições?

Vamos ver o que dirá a Fada Sininho que Amorim tem na imprensa, segundo aquela fascinante teoria da “penetração e do diálogo”… Nunca antes na história destepaiz tivemos uma diplomacia tão rasa, que nos expusesse a tantos vexames. Mas, se querem saber, estou começando a gostar da coisa. E explico por quê.

Amorim e seus aloprados estão começando a cumprir aquele roteiro da tragédia. Alguns tontos começaram a ver sucessos onde só havia desastres, e eles foram se agigantando — no caso de Amorim, trata-se de linguagem duplamente figurada… E foram sendo sempre mais ousados na demência. A tramóia para instalar Manuel Zelaya na embaixada, a proposta de adiar as eleições e a visita de Ahmadinejad dão conta de que os loucos passaram a tomar conta do hospício. Os “heróis” começaram a demonstrar a ambição desmedida, e isso chamou a atenção dos deuses, que estavam achando tudo até bem divertido até ali. “Está na hora de dar um chega prá lá nesses bananas”. E foi o que a diplomacia americana fez: pôs os bananas do Brasil no seu devido lugar.

Por isso Ruy Casaes está choramingando agora. As eleições hondurenhas vão acontecer apesar das ameaças terroristas. O novo governo tomará posse, e os EUA vão reconhecê-lo. E Amorim terá perdido mais essa.

E só para arrematar: vocês se lembram que escrevi aqui que Honduras havia se tornado um caso tão importante para as esquerdas latino-americanas porque era a primeira vez que a tática de assaltar a Constituição para dar sucessivos golpes por meio de eleições havia fracassado. E isso, claro, poderia servir de exemplo para outros países que viessem a sofrer o assédio de vagabundos dessa espécie. Casaes confirma minha análise. Leiam o que ele diz:
“Além de tudo é preciso levar em conta o efeito demonstração dessa crise. Há mais países com instabilidades internas que podem se agravar a partir do momento em que a crise não foi resolvida com a reinstalação da ordem democrática. Isso pode estimular. Se em Honduras, nada foi feito, porque não posso fazer em outro país também?”

Tá com medinho, Casaes? É isto mesmo: que as forças democráticas da América Latina, incluindo os militares, não mais permitam que Constituições democráticas, COMO É A DE HONDURAS, sejam rasgadas em nome da suposta democracia. CHEGA DE GOLPES NA AMÉRICA LATINA, INCLUINDO OS DOS POPULISTAS!

26
nov
09

DESONERAÇÃO NA BOCA DA URNA

Por Reinaldo Azevdo:

As ações de um governo devem ser coordenadas, ter um objetivo comum. Quando, no entanto, o Ministério da Fazenda começa a fazer política eleitoreira, aí as coisas se complicam. Por que escrevo isso? Porque o governo decidiu estender o prazo de alíquotas reduzidas de IPI para carros flex e caminhões — a linha branca já tinha sido beneficiada por novo prazo — e conceder o benefício ao setor moveleiro.

Estou aqui reclamando de redução de imposto? “Oh, que contradição!” Uma ova! É evidente que os beneficiados não reclamam. Especialmente os que exportam e tentam compensar com o mercado interno as dificuldades criadas pelo real supervalorizado. Os consumidores também gostam, e o governo espera o resultado nas urnas.

Então estão todos felizes, e só a oposição é que vai reclamar? Não! O consumo no Brasil vai bem e não precisa de incentivo. Essas medidas, que elegem beneficiados, acarretam perda de arrecadação e pioram a qualidade das contas públicas. Ora, com o consumo já bem acelerado, se há folga de caixa, por que não pensar no investimento?

O governo quer desonerar alguma coisa na retomada da economia? Por que não a folha de pagamento, por exemplo? No médio prazo, seria muito mais benéfico para o país — mas, está dado, não teria o mesmo efeito no curto prazo, que é aquele em que se disputa eleição.

Essas desonerações, nesse momento, têm tudo a ver com a (ir)racionalidade eleitoral e nada a ver com a racionalidade econômica. E vicia o empresariado, né? Ou vocês acham que já não há uma fila imensa de setores tentando provar que merecem impostos menores? São os empresários viciados em governo.

26
nov
09

O FALSO CONFRONTO E A QUESTÃO

Por Reinaldo Azevedo:

Conforme o previsto, José Eduardo Dutra — ex-sindicalista do setor pretroleiro, ex-senador petista, ex-presidente da Petrobras (a trajetória dessa gente é sempre tão interessante!!!) — foi eleito presidente do PT. Na sua primeira intervenção como o novo chefão do partido, anunciou a estratégia para a disputa eleitoral: “nada de salto alto!” Huuummm… O que eles querem é comparar os oito anos de governo FHC com os oito anos de governo Lula. O PT reitera, assim, a sua já anunciada intenção de travar a falsa disputa. Afinal, nem o atual presidente nem o ex são candidatos. Mas já sabíamos disso, não?

Nos dois embates direitos que teve com FHC, Lula foi derrotado no primeiro turno. Em 2002, ele se lançou candidato uma vez mais contra um FHC, ausente da disputa. Fez o mesmo em 2006. Nos dois casos, teve de ir para um segundo turno, o que o deixou mortificado. O ex-presidente não era candidato a nada, mas Lula precisava dizer para si mesmo que derrotara finalmente o único inimigo que povoa as suas fantasias. Agora, acredita que está indo para a tentativa de desempate. Se Dilma vencer as eleições, poderá dizer diante do espelho: “3 a 2! Perdeu, intelectual! O torneiro-mecânico ganhou!” Em algum lugar da sua consciência, sabe que há o dado irrecuperável: nos dois confrontos diretos, perdeu! Então ele tenta mudar a história contada já que não consegue mudar a história vivida. Mas aqui já há psicologismo demais. Voltemos aos fatos.

Nem Dilma é Lula — e como não é!!! — nem Serra é FHC. Por que digo “Serra”? Porque é óbvio que o PT anuncia que vai tentar colar a imagem do atual governador de São Paulo à do ex-presidente, o que seria mais difícil se Aécio fosse o nome tucano. Ora, até onde se sabe, se o PT investir mesmo do “Lula X FHC”, pouco importa a personagem. Sem contar que não é assim tão difícil evidenciar que, em certos aspectos — especialmente os ligados à economia —, Aécio é mais FHC do que o próprio Serra…

O que estou dizendo, se alguém ainda faz questão de dizer que não entendeu, é que a estratégia do confronto “Dilma é Lula” versus “Fulano é FHC” será usada de qualquer maneira. “Ah, mas com Serra é mais verossímil”. Olhem aqui: seria empregada contra Aécio também — a menos que ele negasse a sua vinculação com o presidente de honra do seu partido. Uma coisa é não reforçar proximidade; outra, diferente, é negá-la. O efeito seria contraproducente.

O PT vai investir nesse confronto porque, do ponto de vista eleitoral, esse é seu principal ativo — vale dizer: o principal ativo do partido é Lula. “E as conquistas sociais todas, as obras, as realizações?” Ora, isso todo mundo tem. A QUESTÃO É SABER COM QUAL VALOR SE VAI À LUTA. Embora só governos bem-sucedidos façam seu sucessor, não significa que TODO governo bem-sucedido o consiga — Bill Clinton sabe disso. Não são apenas as conquistas, digamos, materiais que contam. A QUESTÃO TAMBÉM É SABER COM QUE ABSTRAÇÃO SE VAI À DISPUTA, COM QUE SIMBOLISMO. Se o “é a economia, idiota!” sempre ganhasse eleições, Al Gore teria sdo presidente dos EUA. Graças a Deus, não foi! Se mentiu barbaramente num filme, temo só de pensar no que nao poderia ter feito na Presidência. A esquerdalha pode berrar à vontade! Mas volto.

Dilma não significa NADA! É uma personagem ainda vazia em busca de um conteúdo. Sua única virtude é, diante de Lula, deixar claro que não tem existência própria. Sua única chance é mesmo convencer o eleitor de que Lula continuará a ser o presidente. Vai colar? Não sei! FHC, por outro lado, é uma figura já um tanto distante para boa parte do eleitorado. Pouco importa quem seja o candidato tucano, Serra ou Aécio, a única saída do PT é associá-lo ao pré-Lula, àquele TEMPO MÍTICO em que todos os brasileiros teriam sido infelizes. Tenho a impressão de que ambos têm já uma personalidade política bastante consolidada e não são, assim, objetos passivos e passíveis desse tipo de campanha. Vamos ver.

A pesquisa CNT-Sensus fez lá a tal questão sobre os efeitos eleitorais do apoio de FHC e Lula. Máxima vênia, nem que a Confederação Nacional dos Transportes e o instituto tivessem combinado com Lula, a questão poderia ter saído tão ao gosto do petismo, não é? Há 15 anos, os petistas malham FHC todos os dias — em especial, depois que chegaram ao governo. E sempre para atribuir ao outro as mazelas e chamar para si as coisas boas. A pesquisa encontrou o que estava procurando. Fez a indução, e a imprensa foi atrás, como patinhos na lagoa. O principal parceiro de Dilma na disputa é o PMDB: por que o Sensus não pergunta sobre os efeitos eleitorais do apoio de José Sarney, por exemplo?

Então volto ao ponto e caminho para o post seguinte: com que VALOR ABSTRATO a oposição disputa as eleições do ano que vem?




novembro 2009
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930