Arquivo para 2 de dezembro de 2009

02
dez
09

CANDIDATA DE LULA

CURRICULUM DE DILMA ROUSSEF CANDIDATA A PRESIDÊNCIA EM 2010

Com um Curriculum desses o Bin laden que se cuide, Arruda, mensaleiros, mensalões, Cv, PCC e outros…a coisa vai ficar ruim prá eles.

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02
dez
09

Em clima de férias, Grêmio faz churrasco na preparação para pegar o Flamengo

da Folha Online
da Lancepress

O elenco do Grêmio realizou um churrasco de confraternização nesta quarta-feira, já em clima de férias, com presença até de banda de pagode, no CT do clube, em Eldorado do Sul. A festa aconteceu após o treinamento da manhã, em preparação para enfrentar o Flamengo, no domingo, no Maracanã, pela última rodada do Campeonato Brasileiro.

Durante o churrasco, o meio-campista Tcheco chegou a brincar com o volante Adilson ao perguntar se o companheiro faria um gol no Flamengo, que disputa do título da competição com o arquirrival Internacional e com Palmeiras e São Paulo.

“Se houver um pênalti contra o Flamengo aos 45min do segundo tempo e o Inter estiver ganhando no Beira-Rio, o que você faria?”, perguntou Tcheco.

“Chamaria o Tcheco, que é o cobrador oficial”, respondeu Adilson.

O Internacional tem 62 pontos, dois a menos que o Flamengo. Para ser campeão, o time colorado precisa de uma vitória sobre o Santo André, no Beira-Rio, e de uma ajuda do Grêmio, que precisaria ao menos arrancar um empate do Flamengo.

Desfalques e time misto

Dois jogadores não participaram do treino desta manhã no Grêmio, sob a alegação de lesão: o atacante Jonas e o volante William Magrão. O zagueiro Rafael Marques, embora tenha treinado, será cortado do jogo devido a dores musculares.

Além desses, já estão previamente vetados Fábio Rochemback, suspenso, Tcheco, que se despediu domingo e já está acertado com o Corinthians, Adilson, Réver, Perea, Souza, Renato e Victor. Até sábado, dia da viagem para o Rio de Janeiro, outros titulares podem ser tirados da lista.

Ontem, o técnico Marcelo Rospide admitiu que a escalação para o jogo de domingo terá a influência da diretoria. “Eu e os demais integrantes da comissão técnica sentaremos com os dirigentes e escolheremos os jogadores a serem utilizados”, disse Rospide.

02
dez
09

Homossexuais “nunca entrarão no reino dos céus”, diz cardeal

da Ansa

O cardeal Javier Lozano Barragan disse nesta quarta-feira que homossexuais e transexuais “nunca entrarão no reino dos céus”, mas lembrou que “não cabe a nós condenar” e que “de qualquer forma são pessoas e, enquanto tais, devem ser respeitadas”.

“A homossexualidade é um pecado, mas isto não justifica nenhuma forma de discriminação. O julgamento cabe só a Deus. Sobre a Terra nós não podemos condenar, e, como pessoas, temos todos os mesmos direitos”, avaliou o sacerdote.

Em declarações à agência de notícias Ansa, o sacerdote disse que não é sua a constatação de que os homossexuais serão privados do paraíso, “mas de São Paulo” que, em carta aos romanos, fala de pessoas “impuras”, abandonadas a “paixões infames”, e no martírio dos que “desprezaram o conhecimento de Deus”.

Barragan disse ainda que “não se nasce homossexual, mas se torna um”. “Por várias razões, por motivos de educação, por não ter desenvolvido a própria identidade na adolescência. Talvez não sejam culpados, mas, agindo contra a dignidade do corpo, certamente não entrarão no reino dos céus”, afirmou.

Ex-presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, o sacerdote disse também que “tudo aquilo que consiste em ir contra a natureza e contra a dignidade do corpo ofende Deus”.

02
dez
09

EditoriaL à folha em 27 de novembro de 2009

02 Dezembro 2009

Sobre os meninos do MEP
César Benjamin, de quem eu nunca havia ouvido falar antes, numa crítica ao filme “Lula, o filho do Brasil”, escreveu na Folha de São Paulo o artigo intitulado “Os filhos do Brasil”. O artigo, que eu transcrevo abaixo, é exasperante ao mostrar Lula nos seus melhores momentos, ou seja, Lula como Lula é. Estamos falando de um sujeito que “não sabe viver sem boceta” e que tentou sem sucesso violentar “um menino do MEP”. Antes pensávamos que Lula era apenas vulgar, mas na verdade ele é vulgar e abjeto, asqueroso. Lula não tem decoro para ser presidente de nada (ou quase nada, talvez o sindicato que em geral é do crime).

Os filhos do Brasil (FSP 27/11/2009)

CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”. Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que “estavam pedidos” pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: “O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal”.
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -“sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio”, para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, “de alta periculosia”, como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de “provas de fogo”, situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a “língua de congo”, o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é “sujeito-homem” e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci.

Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal “O Dia”. A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: “Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!” Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

Depois de muito critica pelas esquerdas, completamente viciadas e cegas pela cocaína do poder, César Benjamin dá uma resposta ao artigo acima:

02
dez
09

Irã diz que produzirá sozinho o urânio enriquecido de que precisar

da Folha Online

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta-feira que seu país produzirá, “sozinho”, todo o urânio enriquecido a 20% de que precisar para fabricar combustível nuclear.

“Eu declaro aqui que, com a graça de Deus, a nação iraniana irá produzir sozinha 20% e tudo o mais que precisar”, disse Ahmadinejad, diante de uma multidão animada, em Ispahan. “Nós dissemos a eles ‘deem combustível 20%’, mas daí eles começaram a impor condições. Então nós dissemos ‘se vocês quiserem dar o combustível, nós pegaremos, se não, então tudo bem e obrigado'”, relatou o presidente aos iranianos.

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou uma resolução sexta-feira (27) censurando o Irã por construir secretamente uma usina de enriquecimento de urânio perto da cidade de Qom. Em retaliação, domingo (29), Teerã anunciou planos de construir outras dez plantas de enriquecimento de urânio.

Recentemente, o Irã rejeitou um esboço de acordo com a AIEA que previa a troca de urânio enriquecido iraniano (a 3,5%) por urânio enriquecido a 20% desde que os processos fossem realizados em outros países, como a França. O plano foi aprovado pelas grandes potências, que acusam o Irã de usar o programa nuclear para buscar uma bomba, mas acabou negado pelo Irã, que agora ainda reivindica a autoria da proposta.

“Nós estávamos interessados, desde o início, em resolver todos os problemas relacionados à questão nuclear. Agora, em nossa opinião, está acabado. Não importa o quanto eles chorem”, afirmou Ahmadinejad. “Eles [países ocidentais] uma vez mais provaram que não têm compromisso com a lei. Eles usam órgãos internacionais como ferramentas. A era de jogos tão infantis já acabou.”

O Irã possui, atualmente, uma usina de enriquecimento de urânio em funcionamento, na qual já conseguiu enriquecer, a 3,5%, 1,5 kg da substância. No entanto, o país afirma precisar de combustível enriquecido a 20% para fazer funcionar um reator nuclear com fins medicinais.

02
dez
09

Denuncismo e financiamento de campanha

Por João Vergílio G. Cuter

Aos poucos, vai se desenhando com clareza a estratégia de poder da direita no Brasil. Não se trata de uma estratégia formulada explicitamente, fruto de reuniões de cúpula, ponderações de perdas e ganhos, argumentações exaustivas. É uma espécie de sedimento involuntário que foi se formando no espírito dos principais atores do processo político, ao mesmo tempo em que ia se escondendo por trás de um discurso justificador de caráter nitidamente ideológico. Essa estratégia tem dois pontos de apoio interrelacionados: as regras atuais para o financiamento de campanhas eleitorais e o denuncismo moralista.

O primeiro fator desempenha, nessa estratégia geral, um papel duplo. Em primeiro lugar, funciona como uma espécie de filtro ideológico. Se um partido ou candidato não estiver vocalizando uma proposta palatável para as grandes fortunas do país, estará simplesmente fora do jogo. Dependerá apenas da arrecadação miúda, das pequenas contribuições de cidadãos isolados, o que num país como os EUA (com uma tradição muito maior que a nossa nessa modalidade de apoio) representa menos da metade do valor necessário para bancar o jogo. Num país como o Brasil, não representaria coisa nenhuma. A simples necessidade de passar o chapéu junto à iniciativa privada, portanto, já obriga o político a posicionar-se para lá de um certo ponto no espectro ideológico.

Confiabilidade ideológica, no entanto, não é tudo. Ninguém despeja centenas de milhares ou mesmo milhões de reais numa campanha política se não tiver pelo menos uma de duas certezas. Ou bem deve estar convencido de que o político ali presente está (ou estará) em condições de lhe proporcionar ganhos muitas vezes superiores à contribuição dada, ou bem deve estar temeroso de que, se contrariado em suas pretenções, poderá lhe infligir danos consideráveis. Tanto a capacidade de proporcionar ganhos quanto a de impor prejuízos pressupõe o controle de postos-chave na administração pública, assim como a disposição de praticar ilegalidades de diversos tipos e magnitudes. Ninguém joga o jogo da política brasileira atual sem firmar o pé na criminalidade organizada.

É nesse ponto que o sistema de financiamento da política se une ao segundo ponto de apoio do sistema todo: o denuncismo golpista. O principal preço do financiamento das campanhas políticas é o rabo preso. Ao conquistar o poder, o político deve saber de antemão que poderá ser apeado dali a qualquer momento por uma campanha desestabilizadora. Não deve passar de certos limites, pois do contrário os crimes que foi e continua sendo obrigado a cometer para se manter no jogo serão denunciados em capanhas espalhafatosas na grande imprensa.

É importante, por isso, que de tempos em tempos estourem escândalos como esse que envolveu o governador Arruda. Os políticos todos são alertados, nessas ocasiões, para a fragilidade de sua posição de mando. Percebem claramente que poderiam estar no lugar da vítima do dia, pois têm culpas exatamente semelhantes.

O denuncismo ocupa, hoje, a posição que já foi dos tanques. Em último caso, dada a profusão das acusações possíveis, é sempre possível mover uma campanha golpista contra qualquer ocupante do poder. Ou seja, quando o filtro ideológico inicial não funciona, resta sempre essa última altenativa, que terá o patrocínio direto, não mais dos militares, mas dos tribunais.

É esse o jogo que a direita pretende eternizar, apesar de quaisquer perdas que venha a sofrer no percurso. Globalmente, a estratégia garante a manutenção do status quo ao preço de uma corrupção generalizada. É preciso começar a perceber que essa corrupção, longe de ser indesejada, é funcional. No que depender dos conservadores, ela veio para ficar. O sacrifício de José Roberto Arruda envolve riscos localizados, mas envolve também ganhos bem palpáveis. Ao sacrificar um dos seus, a direita se credencia para pedir o sacrifício de quem quer que seja, quando a ocasião se der. É por isso que Lula tenta tirar o peso do episódio, mantendo-se à distância. E é por isso que, do outro lado, a cabeça do governador é pedida, em nome da coerência.

Esse jogo definitivamente não nos interessa. Financiamento público de campanhas o quanto antes!

02
dez
09

Desmoralizar a política só interessa aos golpistas

por Luiz Carlos Azenha

As cenas espantosas que os brasileiros testemunharam nas últimas horas nos portais da internet e nas telas da televisão devem servir de alerta. Oferecem uma oportunidade e um risco.

A reportagem de Rodrigo Vianna para o Jornal da Record, irretocável, reuniu uma sequência que provocou engulhos na plateia: empresários, integrantes do governo do Distrito Federal e do Legislativo de Brasília protagonizaram sem saber, diante das câmeras, atos pornográficos com dinheiro público.

Todos nós sempre desconfiamos que era assim, mas ver aquilo acontecer diante das câmeras não deixa de ser chocante: dinheiro vivo passando de mão em mão, sem que qualquer dos envolvidos esboçasse qualquer desconforto, como ratos que se atiram sobre o dinheiro do contribuinte…

E, a essa altura do espetáculo, não interessa quem são, nem a que partido pertencem. Sim, sim, eu sei que a primeira reação de muitos é de apreciar o desmanche da hipocrisia daqueles que se anunciavam como guardiães da moral e dos bons costumes.

Para além disso, no entanto, é preciso cuidar para que esse espetáculo dantesco não contribua ainda mais com a completa e absoluta desmoralização da política. Sinceramente, acho difícil.

Mas é preciso perguntar: a quem serve a desmoralização da política? Obviamente, àqueles que não podem ascender ao poder pela via eleitoral, àqueles que não apresentam um projeto coerente capaz de empolgar os eleitores, àqueles que no Brasil, na hora agá, preferem produzir argumentos para justificar o caminho extralegal (como aqui, por exemplo) do que depender da decisão da maioria.

Que o escândalo atual sirva para produzir algum tipo de consenso em torno de uma reforma política que resgate, se isso ainda é possível, algum tipo de confiança dos eleitores. Caso contrário, aqueles que celebram agora podem pagar caro mais adiante.




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