Arquivo para 4 de dezembro de 2009

04
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HOMEM DO DINHEIRO NA CUECA É AMIGO DE PETISTAS E JÁ ATUOU EM PROJETO DO PLANALTO. SERIA UMA SINA?

Por Reinaldo Azevedo:

Lembram-se de Alcyr Collaço, o homem que aparece no vídeo guardando dinheiro na cueca? O Estadão dá a sua ficha na edição de hoje. Segue um trecho:
(…)
Com a ficha suja e os negócios prejudicados em São Paulo, Collaço transferiu-se para Brasília em 2003. Veio pelas mãos do petista Marcelo Sereno, ex-membro da Executiva Nacional do PT e assessor da Casa Civil da Presidência na primeira fase do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Collaço também mudou seu ramo de negócios com a compra do jornal. Chegou a integrar o núcleo operacional de um esquema, engendrado no Palácio do Planalto, para montar uma estrutura de poder destinada a durar décadas, com o PT na cabeça. Idealizado pelos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação), com o qual Collaço se encontrou algumas vezes, o esquema incluía a construção de uma rede nacional de comunicação, integrada por mídias regionais, financiadas por recursos captados junto a fundos de pensão, entre outras fontes.
Pouco antes de cair em desgraça, Collaço chegou a integrar a diretoria da Bolsa Mercantil e de Futuros de São Paulo. Num primeiro momento, ele atuou na captação de recursos do fundo de pensão Portus, para o qual chegou a indicar diretores. Foi o que levantou a subcomissão de fundos de pensão da CPI dos Correios. “Apurei que ele atuava sob as ordens do Marcelo Sereno, que admitiu ser seu amigo de longa data”, disse o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), relator da subcomissão.

04
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LULA E O IRÃ: EM 2009, ELE PENSA COM A CABEÇA DE 1979

“A coisa melhor e mais barata para todos nós é contarmos com as negociações e termos paciência, muita paciência. (…) Na minha opinião, não é apropriado tratar o Irã como se fosse um país insignificante e fortalecer a pressão sobre o Irã todos os dias”.

Este é Lula, na Alemanha, depois de um encontro com Angela Merkel. Em palavras aparentemente tão mansas e pragmáticas, uma fala tão perigosa!

Ninguém trata o Irã como uma “país insignificante”. Ao contrário: é tão “significante” que o seu programa nuclear é alvo da preocupação mundial. E a razão é simples: ele se dá à margem de qualquer controle. Não fosse o Irã um país que financia o terrorismo em pelo menos três países e que anuncia o intuito de destruir um outro, talvez as preocupação fossem menores.

Paciência com Irã? No dia 27 passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condenou o país por falta de cooperação. Qual foi a reação? Tentativa de se explicar? Não! Num claro desafio à entidade — e a boa parte do mundo —, anunciou a construção de dez novas unidades de enriquecimento de urânio.

Lula insiste na cascata de que é preciso vencer as “desconfianças mútuas” entre o Irã e o Ocidente. Mas vejam só: já nem se trata mais de “Ocidente”. Até China e Rússia condenaram o país na AIEA. De resto, sabemos por que desconfiar do Irã, não? Mas qual é a desconfiança dos iranianos? Quando se fala nessa suposta “mutualidade”, supõe-se que os atores jogam, no mundo, papéis equivalentes. Tenham paciência!

O movimento é ainda discreto, mas já começa a ser evidente: a política externa destrambelhada do Brasil começa a chamar a atenção do mundo. O que parecia um protagonismo adequado à importância econômica do país está começando a ser visto como manifestação de arrogância. Há coisa de dois meses, a The Economist, que admira o país, indagava: “De que lado está o Brasil?”

Imaginem vocês: Lula, hoje o governante mais severo com Honduras de quantos tenham se pronunciado sobre a realidade daquele país, é, no entanto, um anjo de candura e compreensão quando o assunto é o Irã.

Não é por acaso que o respeitado presidente Óscar Arias, da Costa Rica, disse há dias, de forma irônica, que havia países que reconheceram sem pestanejar as eleições no Irã, eivada de fraudes, mas se negavam a reconhecer as de Honduras, sem fraude nenhuma. Estava se referindo, obviamente, ao Brasil.

Enquanto Lula era um “ex-operário” que havia chegado à Presidência do Brasil e alertava o mudo para os grandes problemas da humanidade (!), isso tinha lá o seu charme e seu apelo. Quando decidiu entrar na arena para valer, percebeu-se que a “contribuição” do país tem-se caracterizado por cobrar candura com ditadores e facínoras. O ditador do Sudão que o diga!

Lembram-se do sindicalista a revelar à revista Playboy quais eram os vultos da humanidade que ele tanto admirava? Pois é… Quem fala acima, em 2009, é o Lula de 1979.

04
dez
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O falso patrono da reforma

deu em o estado de s.paulo

Um dos talentos menos decantados do presidente Lula é o da sua prontidão para cumprir a lei de Gérson, aquela cujos seguidores “gostam de tirar vantagem em tudo”, conforme o comercial de uma marca de cigarro estrelado pelo craque da seleção de 1970. Tamanha a maestria do presidente nesse jogo que ele é capaz de tirar vantagem também de seus próprios lapsos ou erros.

O mais recente, como se sabe, foi a sua característica reação de desdenhar do escândalo do mensalão, ou do panetone, para usar o termo pitoresco, no Distrito Federal. O fato de serem do DEM, a começar do governador José Roberto Arruda, os principais envolvidos na mais documentada lambança do gênero não freou o impulso pavloviano de Lula de apanhar uma vassoura tão logo ouça a palavra corrupção – não para limpar a sujeira, mas para escondê-la debaixo do tapete.

Foi o que se deu na terça-feira, quando os jornalistas que o acompanhavam a Portugal, onde ele participava da Cúpula Ibero-americana, lhe perguntaram se as cenas mostrando boladas de reais manchados trocando de mãos não eram suficientemente eloquentes para merecer dele pelo menos um “palpite” sobre a bandalheira. Lula não se deu por achado. “Imagens não falam por si”, decretou, lapidando mais uma contribuição para a sua já alentada antologia de declarações cúmplices com o que há de mais execrável na política brasileira.

Caiu mal, como se diz. A repercussão previsivelmente negativa do abafa o apanhou no contrapé. No dia seguinte, já na Ucrânia, o presidente voador viu-se na contingência de negar que estava sendo condescendente com os maracuteiros do DEM, como havia sido com os mensaleiros do PT em 2005 – e, ao longo de seu mandato, com qualquer político apanhado com a boca na botija.

Desta vez, considerou as imagens “deploráveis” e foi além, sacando da lei de Gérson para se aproveitar do momento e novamente driblar a verdade em benefício próprio. Ele deu a entender que moveu céus e terras para fazer aprovar os dois projetos de reforma política que enviara ao Congresso – e que seriam a panaceia para, nas suas palavras, “moralizar o funcionamento dos partidos” e o processo eleitoral.

À parte a crendice nos poderes alvejantes da mudança das normas que regem o sistema, se desacompanhadas de provisões que efetivamente garantam a punição dos transgressores (o que inibe o crime, sabem os juristas, é, antes de tudo, a certeza do castigo), a alegação de Lula é falsa como os panetones de Arruda. O presidente que aprova praticamente o que quiser neste Congresso em que a base governista tem um peso sem precedentes desde a redemocratização do País não fez força alguma – descontadas as expressões corporais de praxe – para emplacar as suas propostas presumivelmente saneadoras.

E não fez pela razão elementar de que as atuais regras do jogo que ele finge reprovar lhe convêm não menos do que aos políticos que bloqueiam o seu aperfeiçoamento e com os quais construiu parcerias reciprocamente vantajosas.

É longa a lista dos aliados do presidente cujas carreiras vicejaram à sombra do que há de pior nos padrões reconhecidamente defeituosos que estruturam a política e as eleições no Brasil. O “inimigo oculto” que, segundo Lula, “não deixa os projetos serem votados” é ostensivo nos plenários do Congresso – e no espelho em que ele se contempla. Por exemplo, não fosse a infidelidade partidária que só a Justiça tentou coibir, o Planalto não teria conseguido manejar a composição das bancadas federais com a desenvoltura que se viu no primeiro mandato. A responsabilidade do presidente pela perpetuação do sistema do qual tira proveito não pode ser subestimada.

Na verdade, nunca antes na história deste país houve um presidente que tivesse contribuído tanto quanto Luiz Inácio Lula da Silva para o avanço galopante da gangrena da corrupção em todas as instituições republicanas. Está aí, “falando por si”, o tratamento privilegiado que dele mereceram alguns dos protagonistas mais expressivos de recentes episódios escabrosos da cena política nacional, a começar por Roberto Jefferson, passando por Jader Barbalho, Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor, etc., etc. e tal.

E isso quando, nunca antes na história desta República, houve um presidente com tantas condições, dado o seu poder no Congresso, de promover as reformas que diz ter tentado, mas que na verdade não fez porque não quis.




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