Arquivo para 7 de dezembro de 2009

07
dez
09

Aécio quer todo mundo ligado no Piauí

Comentário

Como o papel aceita tudo – e a internet nem se fala – fica o registro do que o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, anunciou esta tarde: ele se encontrará no Piauí com o colega José Serra na próxima sexta-feira. E antecipa que desse encontro poderá sair o nome do candidato do PSDB à sucessão de Lula.

Só há uma hipótese de a previsão de Aécio se confirmar: caso ele aproveite o encontro para abdicar de sua candidatura. Dificilmente o fará.

Aécio tem repetido que a definição do nome do candidato do PSDB não passará do início de janeiro.

Serra não quer definição antes de março. Não vê nenhuma vantagem em se apresentar antes como candidato. E não dá o menor sinal de que possa deixar de ser candidato a presidente.

Aécio sabe – mais do que Serra – atrair a atenção da mídia. É o que ele parece fazer para um evento que de outro modo só seria coberto pelos veiculos locais de comunicação.

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07
dez
09

A FALA BOÇAL DO EX-NÚMERO 2 DO ITAMARATY E ATUAL TITULAR DA SEALOPRA

Ah, mas era “batatolina”, como se dizia na minha meninine!

Quem está hoje nos jornais pregando o “desarmamento” das potências nucleares? Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty, atual titular da Sealopra (quela pasta que foi de Mangabeira Unger) e antiamericano delirante desde sempre.

Aquela estupidez que Lula disse na coletiva com a chanceler alemã, Angela Merkel — segundo a qual EUA e Rússia devem eliminar seus próprios arsenais nucleares se não querem um Irã com bomba — não havia saído só de sua cabeça privilegiada. É um “saber” acumulado no Itamaraty. Já contestei a tese em si e evidenciei o que ela tem de estúpida, de mentirosa, de mistificadora. Não há muito a acrescentar.

O que há de relevante é notar que o antiamericanismo e a defesa, na prática, de uma espécie de corrida nuclear não são apenas ondas da oceânica ignorância de Lula. Há “intelectuais” — Guimarães se considera um, embora tenha um dos textos mais confusos que já li; chega a lembrar a língua portuguesa… — pensando essas misérias.

E diz uma coisa interessante a que o jornalismo basbaque ou ideologicamente comprometido não responde ou por ignorância ou por vigarice. Cita o caso da Coréia do Norte, afirmando que o país só não é atacado porque tem a bomba atômica. O argumento não parece realmente bom pra caramba?

Só diante de imbecis que têm aquele par de neurônios distraídos. Se a Coréia do Norte se transformou num problema grave porque tem a bomba, então se está diante da evidência de que não se atacou a Coréia do Norte no momento certo, ora essa!!! Quantas vezes Guimarães já sujou a testa tomando sorvete? Se o que ele diz a respeito do país é a conclusão sobre a utilidade de ter a bomba, então é preciso considerar um ataque ao Irã antes de ele… TER A BOMBA!!! Ou será uma nova Coréia do Norte.

Que um primitivo como este tenha sido o segundo homem do Itamaraty e ocupe hoje um ministério, bem, isso fala da miséria a que chegamos. É bem verdade que sua pasta é aquela dos assunto de “Longo Prazo”, aquele tempo em que estaremos todos mortos. Não se depender de Guimarães. Se depender dele, será no curto prazo mesmo.

Sim, é o fundo do poço.

07
dez
09

DILMA E A ÉTICA COMO QUESTÃO LATERAL

Todos têm seus moralistas prediletos, não é? O meu é Ricardo Berzoini, presidente do PT, que costumo chamar de Ricardo Berzoniev — acho que a “sovietização” de seu sobrenome combina com sua estatura, por dentro e por fora. Ele concede uma entrevista à Folha nesta segunda e, vejam só, tenta demonstrar que o mensalão do PT era, digamos, mais decente do que o de Arruda. Para ele, o petista não tinha dinheiro público — apesar das evidências em contrário que estão no processo que corre no STF.

E deu uma resposta encantadora quando indagado se Dilma Rousseff tocará na questão ética em 2010:
“Esse assunto envolve, para nós, o debate da reforma política. Deve ter um peso importante, mas que não seja o assunto central. O assunto central são os rumos do país, para onde o país está caminhando em termos de desenvolvimento, geração de emprego, infraestrutura.”

Entendi. Nada de “ética” como assunto central. Essa tese já até virou um adágio no Brasil: “Rouba, mas faz”. Era gente que pensava no desenvolvimento do Brasil, embora achasse que a ética não era central. E é bem possível que considerasse que tudo era culpa, sei lá, “do sistema”.

PS – Ah, sim: Berzoini repete que as oposições tentaram usar o mensalão do PT para desestabilizar o governo. Ele só não diz por que Arruda, que também fazia um governo aprovado pela população da DF, não poderia dizer o mesmo.

Aí o petralha, com a pança cheia de capim-gordura, tenta responder: “Ah, nesse caso, há as fitas”. E, no do mensalão petista, há uma penca de outras provas — bancárias inclusive. Lembram-se da tal ambigüidade moral, da “nossa” moral e da “deles”? Acusar mensalão no PT é golpe; acusar no DEM é patriotismo.

07
dez
09

As ameças à hegemonia do Google

Do Caderno Link, do Estadão.

As ameças à hegemonia do Google, o cão de um truque só
por Pedro Doria

Conversa inteligente, ainda mais sobre tecnologia, não se vê todo dia. Pois nesta semana que passou o New York Times hospedou uma em seu site. O moderador foi John Markoff, veterano repórter que cobre o Vale do Silício já faz quatro décadas. A ele se juntaram Fred Wilson, investidor em uma penca de empresas no Vale, e Ken Auletta, outro repórter de longa experiência, que escreve na revista New Yorker e que publicou faz pouco mais de um mês o livro Googled. Os três trataram, ora, do próprio Google.

Tanto Wilson quanto Auletta enxergam um mesmo sinal de alerta para o site de buscas favorito de todos. “Se você procura uma câmera”, pergunta o repórter, “vai preferir 20 mil links de resposta no Google ou as sugestões cuidadosas de 20 amigos em quem confia?” Segue o capitalista de risco: “Meu blog recebe mais tráfego vindo do Twitter do que do Google; Perez Hilton recebe mais visitas via Facebook do que por buscas.”

Perez Hilton é o rei da fofoca, um dos blogueiros mais populares dos Estados Unidos. E não é à toa que o Google tentou comprar o Twitter há pouco mais de um ano.

Sem esconder o mau humor, o presidente da Microsoft, Steve Ballmer, gosta de dizer que o Google é “cachorro que só conhece um truque”. Faz buscas como ninguém e, com seu sistema de propaganda direcionada, aprendeu a faturar fortunas um clique por vez.

Mas as ondas da internet pós-busca, o Google perdeu-as todas. GoogleVideo não deu certo, tiveram de comprar o YouTube. Compraram o Blogger porque não perceberam os blogs surgindo. Quando as redes sociais pareciam o futuro da web, lançaram o Orkut. Este pode até parecer muito grande quando visto cá da Marginal Tietê. Mas o sucesso no Brasil e na Índia só acentua o evidente: perdeu a corrida mundial em duas rodadas. Na primeira, para o MySpace; na segunda, para o campeão definitivo, Facebook.

Quando os olhos atentos do governo americano, sempre preocupado com monopólios, começaram a mexer com a IBM, ela já estava sendo passada para trás por companhias jovens do Vale. O mesmo ocorreu com a Microsoft, uma gigante que apenas 10 anos atrás parecia imbatível e hoje é uma distante segunda.

Sim, como não dizê-lo: o Google parece imbatível, hoje. Um portento que ameaça todas as empresas de mídia: gravadoras, estúdios de cinema, jornais, TVs. Parece destinado a comandar o mundo.

É só que o céu, no Vale do Silício, muda de configuração toda hora. Ao que parece, a maneira como as pessoas se informam na internet está mudando. Fazem menos buscas, ouvem mais indicações pelas redes sociais. A mudança é lenta no princípio, mas se concretiza num repente.

Para quem trabalha com conteúdo, a notícia é boa. As redes sociais são várias, este é um jogo no qual não há um único dominando. Variedade é bom.

07
dez
09

Uma cidade partida

Comentário
Por Ricardo Noblat(O Globo)

A leitura dos três volumes e dos três apensos do inquérito sobre o mensalão do DEM é um mergulho de perder o fôlego em um denso mar de lama.

Está exposto ali em detalhes, e amparado em farta quantidade de provas, o funcionamento da organização criminosa que ascendeu ao poder no Distrito Federal em janeiro de 2007. Espanta pela simplicidade.

Se lhe faltar tempo, leia ao menos o terceiro apenso.

Primeira descoberta: o governo de José Roberto Arruda (DEM) é uma extensão do governo anterior de Joaquim Roriz (PMDB) que durou oito anos.

Segunda descoberta: os meios exaustivamente empregados para desviar recursos públicos, fraudar licitações e obter dinheiro sujo em nada distinguem as duas administrações. São primitivos, toscos, amadores, mas eficientes.

O que fez a diferença?

A diferença atende pelo nome de Durval Rodrigues Barbosa, um experiente ex-delegado de polícia que responde a 33 processos por corrupção.

Como presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), ele se sentiu protegido sob as asas de Roriz.

Como secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, temeu ir para a cadeia. Então decidiu contar o que fez, gravou e sabe à Polícia Federal.

Ainda não contou tudo. Por ora poupou Roriz e uma fatia suspeita do Ministério Público do Distrito Federal e do Tribunal de Justiça.

Em conversa informal com delegados e promotores, admitiu que não pode brigar com muita gente ao mesmo tempo. Seria suicídio. Detonou Arruda porque se sentia detonado por ele.

Arruda sabe desde 2008 que havia sido filmado por Durval recebendo grana em mãos. Provocado a respeito, Durval não negou. “Tenho que me defender”, observou. Arruda garantiu que ajudaria Durval a se livrar dos processos desde que o filme jamais se tornasse público.

Deu no que deu.

Em 2003, assim que Roriz inaugurou seu novo mandato – o quarto desde 1988 -, Durval foi procurado por Arruda atrás de apoio para se eleger governador em 2006.

“Preciso de uma ordem de cima”, esquivou-se Durval. Na frente dele, Arruda telefonou para Roriz e anunciou: “Governador, estou aqui na Codeplan. Eu disse a Durval que o senhor me autorizou a se entender com ele”.

Fez-se o entendimento. Arruda recebeu a lista dos contratos firmados pela Codeplan com órgãos públicos e empresas privadas acompanhados do valor mensal de cada um, data de pagamento e data de renovação.

Passou a se acertar direto com quem prestava serviços à Codeplan, estipulando o valor das comissões a serem pagas como contribuição para sua campanha, e prometendo em troca futuros e gordos contratos.

Está no depoimento de Durval ao Ministério Público local a revelação de que Arruda atuava com igual desenvoltura na Companhia de Energia de Brasília, no Instituto Candango de Solidariedade, no Metrô de Brasília e no Banco Regional de Brasília.

Roriz sempre esteve a par das atividades dele.

Entre 2005 e 2006, somente a Codeplan ajudou Arruda com algo próximo de R$ 58 milhões, segundo contas de Durval. A campanha eleitoral dele custou à companhia exatos R$ 7.985.660,00.

Durval levou um susto ao saber por meio de uma procuradora do Ministério Público que Arruda planejava se livrar dele tão logo fosse eleito. Só queria por perto quem fosse de sua estrita confiança.

No dia do segundo turno da eleição de 2006, a tal procuradora havia patrocinado uma reunião no seu apartamento entre Arruda, Paulo Octávio, seu vice, e outros membros do Ministério Público. Desejava aproximar os dois lados.

Durval levou outro susto ainda em 2007 quando se tornou alvo de reportagens do Correio Braziliense encomendadas por Arruda a Álvaro Teixeira da Costa, presidente do jornal, durante um jantar na casa de José Celso Gontijo, engenheiro e construtor.

Gontijo ganhou muito dinheiro durante o governo Roriz construindo a Ponte JK, uma obra faraônica. Ganhou no governo Arruda a licitação para construir a nova Estação Rodoviária de Brasília. Gontijo é a estrela de um dos vídeos do mensalão do DEM sacando de uma pasta pacotes de dinheiro.

O Correio é um jornal alinhado com Arruda – como, de resto, são todos os jornais do Distrito Federal, dependentes da milionária verba de publicidade do governo. Antes fora alinhado com o governo Roriz.

Durval entrou em pânico ao ser condenado pela primeira vez no Tribunal de Justiça em fevereiro passado. Mais recentemente, por maioria de votos, o tribunal recebeu outro processo contra ele, talvez o mais complicado e destinado a infernizar de vez a vida de Durval.

Arruda havia prometido que os processos contra Durval ele não iriam adiante. Pois é…

No dia 21 de outubro último, Arruda convocou Durval para um encontro em sua casa. Parte da conversa teve a ver com o processo recebido pelo tribunal.

– O combinado é que o advogado nós vamos pagar, todos. Na hora que eu precisei você me ajudou – lembrou Arruda. E adiantou para tranquilizar Durval:

– Eu vou fazer com calma uma visita ao presidente do Tribunal. Vou ouvir o que ele nos aconselha.

Por fim, pediu:

– Vá, me oriente, me diga: Arruda, eu preciso que você faça isso.

(Durval tem advogados pagos por Arruda e também por gente ligada a Roriz.)

O diálogo foi registrado por um equipamento de escuta costurado na roupa de Durval. Àquela altura, ele espionava Arruda para a Polícia Federal com a esperança de se livrar dos processos que implodiram até seu casamento. A mulher abandonou-o levando o casal de filhos depois de ter sido presenteada por um anônimo com uma fita que mostrava Durval e uma namoradinha dele.

Há 10 dias, finalmente, a Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal implodiu o governo Arruda.

Bateram em retirada 15 secretários e seis partidos que o apoiavam. O PMDB será o próximo. O DEM deverá expulsar Arruda ainda esta semana. Sem partido, Arruda não poderá tentar se reeleger.

No momento, há uma Brasília indignada e outra à beira de um ataque de nervos.

A indignada quer ver Arruda no chão. Como ele seguirá governando enlameado da cabeça aos pés? Como presidirá as celebrações em abril pelos 50 anos de fundação da cidade? Que pessoa de bem desejará ser vista ao lado dele daqui para frente?

A outra Brasília, essa menor, treme por saber que Durval entregou 30 vídeos à polícia e guarda mais de 100 capazes de comprometer políticos, empresários, jornalistas e juízes.

Quanto a Roriz, se tiver juízo desistirá de ser candidato ao quinto mandato.

07
dez
09

Governo Roriz será investigado

Deu no Correio Braziliense

Polícia Federal quer saber até onde vai o envolvimento do ex-governador e de políticos até agora não vistos em material divulgado por Durval Barbosa. O problema é que todos têm foro privilegiado

De Marcelo Tokarski:

Assim que concluir o trabalho de análise do material apreendido durante a Operação Caixa de Pandora, deflagrada no último dia 27, a Polícia Federal (PF) pretende investigar as origens do suposto esquema de corrupção que envolve o Governo do Distrito Federal, deputados distritais e empresários.

O objetivo é apurar até onde vai o comprometimento do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e de outros políticos que até agora não apareceram nos diversos vídeos gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. Para iniciar os trabalhos, a PF precisa de autorização da Justiça, pois as apurações envolvem pessoas com foro privilegiado.

Já investigado devido a suspeitas de envolvimento no desvio de recursos públicos, Barbosa foi presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) entre 1999 e 2006, quando Roriz governava o DF. Entre os vídeos já entregues por ele à PF, estão várias imagens feitas em seu gabinete na Codeplan — ou seja, até no máximo dezembro de 2006.

Foram flagrados recebendo dinheiro, ainda na gestão Roriz, os deputados distritais Leonardo Prudente, Eurides Brito e Júnior Brunelli. Os demais vídeos foram feitos já na atual administração, quando Barbosa ocupava a Secretaria de Relações Institucionais.

Além da origem do suposto esquema, a investigação servirá para mapear a real extensão dos prejuízos causados aos cofres públicos. As 37 ações que correm na Justiça contra Durval Barbosa apontam que R$ 432 milhões teriam sido desviados. Mas acredita-se que o tamanho do rombo seja muito maior.

Durante o governo anterior, somente na área de informática a Codeplan mantinha contratos que somavam mais de R$ 500 milhões por ano. Hoje, o valor anual gasto com os contratos de informática não ultrapassa os R$ 200 milhões.

Os indícios de superfaturamento, já apontados pela Justiça, forçaram a extinção do Instituto Candango de Solidariedade (ICS), que prestava serviços terceirizados a partir de contratos firmados com o GDF, muitos deles por meio da Codeplan. No início de 2007, o MPDF recomendou a desqualificação do Instituto após as evidências de desvio de dinheiro e enriquecimento ilícito da direção da Codeplan na época.

Um dos fios da meada que a Polícia Federal deverá usar para reconstruir os supostos esquemas de desvio de dinheiro no governo passado serão as denúncias relacionadas à Operação Aquarela, uma força tarefa entre o Ministério Público do DF, o Federal e a PF.

Essa investigação mergulhou nos negócios suspeitos entre a diretoria do Banco de Brasília (BRB), empresas do setor de tecnologia e o próprio ex-governador Roriz.

As apurações lideradas pelo Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCOC) desvendaram crimes como dispensa ilegal de licitação, lavagem de dinheiro e peculato.

Por meio de documentos oficiais, os promotores de Justiça conseguiram traçar o caminho do dinheiro roubado do BRB. Recursos aplicados dos correntistas financiaram contratos estimados em R$ 160 milhões para aquisição de tecnologia bancária com a Associação Nacional dos Bancos (Asbace).

A entidade — anunciada como sendo sem fins lucrativos — terceirizava o serviço sem a necessidade de realizar licitação à ATP Tecnologia S.A. Essa última também repassava parte do contrato a uma outra firma, a Diebold Procomp.

O dinheiro da corrupção vinha do superfaturamento dos contratos e em porcentagens diluídas nas taxas de administração cobradas ao longo do processo de terceirização. Segundo o MP concluiu, os recursos públicos foram parar nos bolsos de dirigentes do BRB e das empresas envolvidas nos convênios.

A Operação Aquarela derrubou praticamente toda a diretoria do BRB e acabou por forçar a renúncia do ex-governador Roriz do Senado Federal. A atitude do então peemedebista foi tomada para se livrar de um processo por quebra de decoro parlamentar.

Numa das escutas interceptadas pelo MP durante a Operação Aquarela, os promotores de Justiça descobriram conversas nas quais Roriz(1) negociava a partilha de um cheque no valor de R$ 2,2 milhões com o então presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura.

07
dez
09

Esquema do mensalão do DEM no Orçamento de 2010

Deu no Correio Braziliense

Projeto que prevê quanto e como o governo vai gastar está contaminado por benefícios a empresas citadas nas denúncias de propina. Mesmo assim, a lei está prevista para ser votada logo, o que permitiria aos distritais entrar em férias e abafar a crise

De Samanta Sallum:

Dentro da Câmara Legislativa está uma peça-chave na teia de interesses financeiros que une empresas prestadoras de serviço, deputados distritais e o Governo do Distrito Federal.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2010 aponta o caminho e o volume de repasses públicos previstos às empresas citadas de participação no esquema de pagamento de propina.

Não será necessário lupa para enxergar na papelada o benefício a setores que estão no epicentro das denúncias da Operação Caixa de Pandora — em que o governador José Roberto Arruda (DEM) é investigado por receber dinheiro ilegalmente e repassar parte a sua base de apoio no Legislativo.

Em conversa com um representante de empresa prestadora de serviço ao GDF, Durval Barbosa diz que já havia R$ 8 milhões assegurados neste ano e outros R$ 10 milhões garantidos no orçamento para 2010.

Os vídeos que fazem parte do material de provas no inquérito revelam que empresas de informática, por exemplo, recebiam recursos do GDF e tinham de retornar parte a integrantes do governo local como propina.

O projeto de lei do Orçamento de 2010 enviado pelo Executivo está debaixo do braço do deputado Cristiano Araújo (PTB), que é relator do texto na Câmara Legislativa, onde os deputados incluem emendas para atender seus interesses eleitorais.

Ritual em que cada centavo é negociado entre GDF, bloco governista e oposição. E, agora, a maioria dos deputados tem um interesse ainda maior para aprovar o mais rapidamente possível o texto: a corrida para encerrar o ano legislativo e entrar logo em recesso.

Essa é a estratégia dos distritais para fugir do desgast de enfrentar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende apurar o escândalo no GDF. A manobra é entrar em férias o quanto antes. E isso, pela lei, só é possível depois de apreciada a LOA.

O projeto está previsto para ser votado pelos deputados nos próximos 10 dias — isso, claro, contando que os manifestantes obedeçam a determinação da Justiça e desocupem o plénário da Câmara Legislativa. E já existe articulação para antecipar a votação.

Antes é preciso uma medida emergencial para o sucesso da “operação-abafa”: retirar da presidência da Casa o deputado Cabo Patrício (PT), obstáculo para votação da LOA. Ele já manifestou a intenção de não colocar em pauta agora o projeto.

Por isso, é muito forte a pressão dos governistas para que Leonardo Prudente (DEM) renuncie de uma vez ao cargo de presidente. Prudente apenas se licenciou.

Se renunciar, pelo regimento interno, uma nova eleição para Mesa-Diretora tem de ser realizada. E o bloco governista está unido para emplacar um nome de seu grupo para substituir o petista Patrício.




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