Arquivo para 14 de dezembro de 2009

14
dez
09

Os governistas tem que olhar o próprio rabo

Publicado por Adriana Vandoni:

(Giulio Sanmartini) Desde que explodiu o escândalo Waldomiro Diniz (2004) que o PT perdeu definitivamente sua virgindade da ética e da honestidade. A partir daí foi-se a vergonha iniciando-se um rosário de corrupção, peculatos e assaltos aos cofres públicos. O partido assumiu a grande tarefa de acobertar, minimizar e tentar levar para o esquecimento todos esses fatos desabonadores. Todavia teve sucesso somente em banalizar a desonestidade.

Mas os coveiros petistas não perderam a atual oportunidade de atribuir o escândalo envolvendo o governo do Distrito Federal, a todos os oposicionistas, numa mesquinha vingança, sem pejo de negar e omitir a proximidade e amizade política de Lula com José Roberto arruda, como mostra a foto.

Esses próceres do governo vieram a público fingindo uma revolta inexistente, pois com os fatos ocorridos estão mais que habituados a conviver.

Tivemos que ouvir do larápio José Sanrney: “Ultimamente, os escândalos de corrupção têm marcado a vida pública brasileira. São episódios vergonhosos que denigrem cada vez mais os políticos”, do “aloprado” Aloizio Mercadante: “A oposição deve estar engasgada com o panetone”, e do grande protetor de todos os corruptos nacionais, o conivente e cúmplice, presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Tenho nojo de ver tanta corrupção”.

Diz a essa súcia, com toda a proficiência que o caracteriza, Augusto Nunes: “Só pode indignar-se com escândalos quem não protagonizou nenhum. Só pode condenar corruptos quem não os condena seletivamente. Só pode estarrecer-se com bandidagens que não tem prontuário. Só pode exigir punições quem não protege delinquentes. A trinca segue fingindo que o mensalão nem existiu. Não atende a tais requisitos. Deve calar-se o mais silenciosamente possível.”

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14
dez
09

Permuta de censura? Proposta aceita. O p&p aceita a proposta do Pannunzio

Adriana Vandoni, do Blog Prosa e Politica

O blog prosa&política está censurado desde o dia 13 de novembro, como todos sabem, por decisão do juiz Pedro Sakamoto que atendeu ao pedido de deputado estadual José Riva (PP) – presidente da Assembléia de MT, afastado das funções administrativas por ordem judicial. A censura foi ratificada pelo desembargador Carlos Alberto da Rocha, do TJ de MT, que encontrou consistência nas razões do juiz Sakamoto para determinar a censura prévia. Portanto, estou proibida de emitir opiniões pessoais sobre o deputado José Riva, proibida também de comentar sobre os mais de 100 processos que o deputado possui. Sobre eles eu só poderei comentar, diz o juiz Sakamoto, depois de transitado em julgado, o que levaria, segundo cálculos otimistas, uns 25 anos.

O juiz também ordenou que o blog do Enock Cavalcanti, retirasse do ar três posts, um deles é um artigo meu. Por mais estranho que possa parecer, ojuiz entendeu que meu artigo no blog do Enock não pode. Mas no meu blog pode. Hehehe. O artigo não pode ser lido lá, mas pode ser lido aqui. Vai entender!!! hehehehe

Só mesmo o desembargador para ver consistência nisso. Mas, cada cabeça, uma sentença.

O blog do jornalista Fabio Pannunzio também está censurado. Foi proibido de citar o nome de uma brasileira de 22 anos, esposa do homem apontado como o líder de uma quadrilha internacional presa em vários países em operação comandada pela Interpol. Segundo investigações do Ministério Público, o grupo fraudava o sistema de concessão de vistos para trabalho temporário nos EUA desde 2002. (leia aqui)

Hoje Pannunzio fez uma proposta em seu blog: a permuta da censura. Ele não pode falar da moça, mas eu posso. Eu não posso falar do Riva, mas ele pode.

14
dez
09

“Não existe aquecimento global”, diz representante da OMM na América do Sul

Leiam esta entrevista pulicada no UOL.

Por Carlos Madeiro:
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas – algumas das que falavam da nova era glacial – que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

14
dez
09

O CHILE E O BRASIL

O colunismo da imprensa brasileira é tão divertido que, às vezes, chega a dar vontade de chorar… Michelle Bachelet, presidente do Chile, tem o apoio de 85% da população — mais do que Lula. A economia do país está arrumada e crescendo. Não há reeleição por lá. Ela governa sustentada pela chamada “Concertación”, uma aliança de socialistas e democrata-cristãos, que se intitula de centro-esquerda e está no poder há 20 anos.

Os chilenos foram às urnas ontem. Com tudo a favor, o candidato do governo, Eduardo Frei, obteve apenas 29,62% dos votos. O conservador Sebastián Piñera, chamado gostosamente de “direitista” pela imprensa brasileira, ficou em primeiro, com 44,03%. Ele lidera a Coalizão pela Mudança. Dois dissidentes da “Concertación” também concorreram: Marco Enríquez-Ominami, 36, ficou com 20,12%, e o comunista Jorge Arrate, 6,21%.

Haverá segundo turno. Todos os outros somados poderiam bater Piñera? Poderiam, mas se sabe que as coisas não funcionam bem assim. Nas simulações de segundo turno, ele vence.

As fadas Sininho já correram para fazer a bomba explodir longe do Peter Pan…Ora, é evidente que se está diante de um caso que evidencia que um governo popular pode não fazer seu sucessor. A campanha do Chile merece ser estudada. Piñera também não tinha nenhuma grande revolução a oferecer à população. Disse apenas que era possível fazer melhor e criou, vamos dizer, um espírito em favor da mudança.

É claro, fadinhas, que sei haver diferenças grandes entre Brasil e Chile — que não tem partes do país vivendo na idade da pedra lascada. Frei já foi presidente (não muito popular); a “Concertación” está no poder há 20 anos; dois candidatos da esquerda resolveram concorrer fora do bloco etc. Mas nada disso nega o fato óbvio: um governo com ampla aceitação não fez seu sucessor.

Uma eleição é mais do que a economia e a popularidade do mandatário, estúpido!

Sim, Bachelet não é Lula: não abusa da retórica populista; não está construindo um altar para si mesma; não sataniza as oposições; respeita as regras do jogo e não se meteu em proselitismo eleitoral… Mas quem disse que essas coisas contam necessariamente a favor do PT no Brasil? Mais: Frei já era conhecido dos chilenos; mas quem disse que ser feita candidata do nada é necessariamente melhor?

Caso Liñera vença mesmo a disputa, as oposições no Brasil têm menos razão para se animar do que tem para se preocupar com o PT

14
dez
09

OS PAUTEIROS DO PT

Não faz tempo, o Nordeste ficou debaixo d’água. E não se tratava dessas enchentes de ocasião. Eram aquelas chuvas que iam enchendo as barragens, enchendo, enchendo e advertindo: “Vou sangrar… Esse troço vai romper…” E a população ficou lá, à mercê da tragédia anunciada. Vimos o desastre em Santa Catarina e a demora no socorro federal ao estado.

Culpa de alguém? No Brasil e do mundo, catástrofes assim acontecem. E é desejável que não aconteçam. E como se comportaram os pauteiros petistas? Ora, fazendo o seu trabalho jornalístico-partidário para afastar o problema de Lula e do PT, é claro. São Paulo sofre com as chuvas. Há bairros que estão no leito do Tietê, em locais que são canal de escoamento das águas do rio, algumas áreas mais baixas que o próprio. Ainda estão inundadas. E, nesse caso, a culpa é dos governos estadual e municipal, certo?

Uma colunista chegou a observar, e parecia dizê-lo naquele tom cinicamente solidário, que os estados governados por tucanos parecem sofrer especialmente com a chuva… Não lhe ocorre que há uma especial politização com as enchentes dos estados governados por… tucanos. A máquina eleitoral está funcionando: quando a tragédia afeta o governo federal ou administrações dos companheiros, é fenômeno da natureza, fatalidade; quando pode ser atribuída aos adversários de Lula, os “culpados” são apontados imediatamente. E a leitura vesga que o PT costuma fazer do Orçamento de governos alheios é transformada em verdade..

Que os petistas, especialmente na Al Qaeda eletrônica, encarreguem-se de transformar a enchente e as tragédias humanas em obra do “inimigo”, vá lá. Ganham pra isso. Que seja a imprensa a fazê-lo, especialmente a paulista, aí já é o fim da picada: é o jornalismo isento a serviço do PT.

14
dez
09

Prazo para desmatar mais

Deu na Folha de S. Paulo

De Marina Silva, senadora e ex-ministra do Meio Ambiente:

A impunidade ganhou mais tempo. Mesmo com a previsão legal de prazo de até 30 anos para recuperar áreas de preservação permanente e da reserva legal já desmatadas, o governo deu mais três anos para que os proprietários façam a regularização ambiental de suas áreas sem serem incomodados pela fiscalização.

Apesar da boa intenção do título -Programa Mais Ambiente-, o decreto recém-editado pelo governo acaba por promover, na prática, uma anistia ampla, geral e irrestrita a todos os que desrespeitaram a legislação ambiental até agora.

Entre as muitas causas do desmatamento, uma das mais fortes é a impunidade. E, lamentavelmente, o decreto acaba por lhe dar alento, favorecendo sem distinção quem desmatou nos últimos 15 anos.

E que poderá continuar a desmatar hoje, sabendo que, se aderir ao programa, não pagará multa pela área desmatada.

14
dez
09

O jardineiro feliz

Comentário

Jamais Lula foi tão franco e direto a respeito do assunto quanto na última quinta-feira em São Luís do Maranhão, reduto político de quem já foi chamado por ele de ladrão:

– Não se trata de ter amigos ou não ter amigos. Não se trata de ter afinidade ideológica ou não ter afinidade ideológica. Se trata do pragmatismo da governança.

Perfeito!

Lula poderia ter admitido que existe limite para tudo. Paulo Maluf estabeleceu o dele em casos onde aflorem os instintos mais primitivos: “Estupra, mas não mata”.

Vai ver que não existe limites para Lula. Vai ver que seu índice de popularidade, que poderia ajudá-lo a ser menos dependente do fisiologismo, serve antes de tudo para justificar transgressões.

Em 2006, durante comício em Belém, Lula agradeceu o apoio de Jader Barbalho (PMDB) beijando sua mão.

As mãos de Jader – logo aquelas mãos! – haviam sido algemadas anos antes sob a suspeita de ter manuseado dinheiro público desviado irregularmente.

Tem voto? Vem para meu jardim você também, vem…

Jader é hoje mais uma flor exuberante no quintal do jardineiro feliz onde estão reunidos Fernando Collor, José Sarney, Romero Jucá, Romeu Tuma, Sandro Mabel, Severino Cavalcanti, e por aí vai.

Sem esquecer os mensaleiros. E a maior fatia do PMDB. Se colhidos formariam um belo ramalhete a ser depositado no altar da governança.

Esse não foi o Lula eleito presidente da República em 2002 pela maioria dos brasileiros.

O Lula escolhido batia duro na corrupção e prometia manter segura distância de corruptos.

Mas é fato que sempre existiu o Lula para quem vale tudo quando o poder está em jogo. Apenas havia sido disfarçado por artes da propaganda e do marketing.

A poucos meses de ser eleito presidente pela primeira vez, por exemplo, Lula testemunhou em um apartamento de Brasília a compra do apoio do PL à sua candidatura. Custou pouco mais de R$ 6 milhões. Foi fechada por José Dirceu, Delúbio Soares e o deputado Valdemar Costa Neto, presidente do partido.

Apontado mais tarde pela CPI dos Correios como um baita mensaleiro, Valdemar renunciou ao mandato para escapar de ser cassado.

Dirceu foi demitido da a chefia da Casa Civil – afinal, como Lula não sabia do mensalão, alguém tinha que saber. Cassaram-lhe o mandato de deputado. Delúbio está de volta como aspirante a deputado.

Com o escândalo do mensalão Lula extraiu uma lição perversa e errada: para conservar o poder deveria ceder a todas as exigências dele.

No primeiro mandato, por birra ou erro de cálculo, resistira a sentar no colo do PMDB – ou a pô-lo no colo. No segundo escancarou as porteiras para o PMDB e mais 13 partidos. Sem essa de perder o poder, ora.

Perdera Dirceu, que poderia sucedê-lo. E Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, pobre vítima do então presidente da Caixa Econômica Federal que, à sua revelia, quebrou o sigilo bancário de Francenildo da Costa, o caseiro que disse ter visto Palocci dezenas de vezes em uma mansão alegre de Brasília.

Não foi esse o entendimento do Supremo Tribunal Federal? Não se trata, por todos os méritos, da mais alta corte de homens sábios, justos e coerentes do país? E então?

Puna-se o ex-presidente da Caixa porque Palocci já foi injustamente punido no rastro do escândalo turbinado pela mídia golpista.

Uma vez mandado às favas todos os escrúpulos, Lula olhou para Dilma Rousseff e disse para seus botões: eis alguém que poderá me suceder para depois ser sucedido por mim. Nem Dilma se julgava tão capaz.

E Lula deve ter pensado: como filho do Brasil e um de muitos de Deus, estou certo. Se não estivesse, Ele me enviaria algum sinal.

E Lula viu a oposição.

Retificando: Lula não viu porque ela não existe. Viu uma gente medrosa, desarticulada, sem discurso e ao que parece conformada com o desastre que se avizinha.

E Lula finalmente concluiu: Vai dar!

Anote aí: Lula vencerá em 2010. Salvo se Dilma perder.

Charada? Não.

Em 2002, Ciro Gomes perdeu para ele mesmo tantos foram os erros que cometeu. Dilma não está livre disso.




dezembro 2009
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