Arquivo para 6 de janeiro de 2010

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VASCULHANDO O ORVIL

Pela editoria do site
Expansão da ALN – 1969

Em 1969 a ALN já atuava no Rio de Janeiro (Guanabara), em Ribeirão Preto, no Ceará, Recife , Goiás e Distrito Federal. O projeto da organização era expandir os focos de guerrilha por todo o Brasil. Em Ribeirão Preto e no Ceará, inicialmente, os grupos que aderiram à ALN, não obtiveram muito sucesso. Em Ribeirão Preto, alguns atentados a bomba e assaltos a banco foram frustrados. O grupo não conseguiu desenvolver nenhuma ação de vulto e no início de novembro, com prisões em São Paulo, Ribeirão e cidades vizinhas, foi desbaratado. No Ceará a ALN estruturou-se a partir da dissensão de militantes do PCB. Esse grupo, inicialmente, também, não obteve muito sucesso.
Texto completo

Atuação da ALN em Brasília e Goiânia

Desde o segundo semestre de 1968, Edmur Péricles de Carvalho foi enviado para o Distrito Federal, por Marighela, com a finalidade de ser o responsável pelo levantamento de áreas para implantação da guerrilha rural nos estados de Goiás e Minas Gerais. No início de 1969, os levantamentos no campo já estavam prontos e Edmur aguardava instruções da direção da ALN para o prosseguimento das atividades ligadas à guerrilha rural.

Em agosto de 1969, Jeová Assis Gomes foi enviado de São Paulo a Brasília, por Joaquim Câmara Ferreira, “Toledo” – segundo homem da organização -, para contatar com José Carlos Vidal. Nesses contatos ficou decidido o deslocamento do grupo para Goiânia e Anápolis. A idéia inicial era formar uma rede de apoio para a futura guerrilha rural.

Marighela, enviou dinheiro e Jeová arrendou a Fazenda Imbira, na rodovia Goiânia – Neropólis, onde o grupo realizava treinamento de tiro e de guerrilha.

A adesão do soldado do Exército Paulo César Lopes da Silva Rodrigues ao grupo que atuava em Brasília, rendeu dividendos à ALN. Ao desligar-se do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, Paulo César retirou duas metralhadoras INA , que foram aumentar o arsenal da organização subversiva. Foram entregues, também por ele, à organização subversiva, uma relação de nomes de oficiais do BPEB e um croquis da unidade.

Em setembro e outubro, em função das investigações sobre o desaparecimento do menor Carlos Gustavo do Nascimento, foi descoberta a trama subversiva e foi desmantelada a ALN em Brasília e em Goiânia. Ficou constatado que o menor estava, em Brasília, na casa de um diplomata que, na ocasião, servia na embaixada do Brasil na Romênia. Na realidade o menor estava homiziado nessa casa , que servia de “aparelho” para a ALN. Com as diligências foram presos Marcos Estelita Lins de Salvo Coimbra, Gastão Estelita Lins de Salvo Coimbra, Benedito José Cabral e Ricardo Moreira Pena. O grupo preso tinha em seu poder uma metralhadora INA e 10 revólveres de diversos calibres, que eram utilizados nos treinamentos, além de munição.

Esse fato ocasionou outras prisões em Brasília. Dentre os presos, apenas um jornalista – Flávio Tavares – e um pedreiro. O restante, jovens universitários egressos da UNB. Com eles, foi apreendido farto armamento O plano do grupo era desencadear ações de guerrilha no norte de Goiás, enquanto São Paulo era mantido como área prioritária para as ações de guerrilha urbana.

As ações da ALN na Guanabara ( atual Rio de Janeiro )

No Rio de Janeiro ( Guanabara), os militantes da ALN iniciaram a preparação para a guerrilha. Do início do ano até abril, limitaram-se a treinamentos e distribuição de textos de Marighela.

Em função da ligação que tinham com o líder da ALN, João Batista e Zilda de Paula Xavier Pereira eram considerados os coordenadores da organização na Guanabara.

Em março, um grupo de estudantes, liderados por Carlos Eduardo Fayal de Lira, resolveu ingressar na ALN. Faziam parte desse grupo: Ronaldo Dutra Machado, Newton Leão Duarte, Flávio de Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Jorge Wilson Fayal de Lira e Jorge Raimundo Júnior.

A primeira ação da ALN na Guanabara foi um assalto ao Cine Ópera, em Botafogo, em 27 de abril de 1969. A tentativa foi frustrada pelo guarda Antônio Guedes de Moraes que reagiu , dando início a intenso tiroteio. Surpreendidos com a reação, os cinco terroristas fugiram sem conseguir efetuar o roubo, deixando o guarda seriamente ferido.

O fracasso da ação provocou a ida de Frei Oswaldo Augusto de Rezende Júnior ( “Cláudio”) , orientador dos dominicanos em São Paulo, para o Rio de Janeiro, com a finalidade de estruturar a organização. Com o reforço de Fayal e o assessoramento de frei Oswaldo, a ALN/GB reiniciou suas atividades. Já mais preparados, no dia 12 de junho, assaltaram a agência Uruguai, do Banco Boa Vista. O levantamento, a título de ensinamento, foi feito pelo próprio Frei Osvaldo, assessorado por Valentim Ferreira. O assalto, comandado por Domingos Fernandes, foi um sucesso.

Confiantes, a partir dessa ação, a ALN/GB realizou os seguintes assaltos no ano de 1969:

08/07 – A agência São Cristóvão do Banco de Crédito Territorial, Rua Bela Vista, 597;

12/07 – Agência de automóveis Novocar, Rua Uruguai, 234;

29/07 – Agência Sans Peña do Banco do Estado de Minas Gerais, Rua Carlos de Vasconcelos;

Faziam parte do bando assaltante: Dulce Chaves Pandolfi, Carlos Roberto Nolasco Ferreira e Nelson Luis Lott de Morais Costa.

As prisão de Newton Leão Duarte gerou uma crise de insegurança na regional da ALN. O caminho escolhido foi a clandestinidade. O grupo conseguiu um “aparelho” na rua Mourão do Vale, em São Cristóvão , que além de servir de esconderijo para os militantes, era usado como depósito de armas da organização.

No rastro da ALN, a polícia chegou a Zilda de Paula Xavier Pereira, que, presa e posteriormente internada no Hospital Pinel, acabou fugindo para o exterior.

Os militantes, “ queimados “ em suas áreas de atuação eram constantemente transferidos, para não serem presos. Do Rio foram, transferidos para São Paulo: Sebastião Mendes Filho e Joseph Berthold Calvert. Este último, posteriormente, foi transferido para São Leopoldo, de onde seria retirado do país, mas foi preso na fronteira com o Uruguai. De São Paulo vieram para o Rio, Aton Fon Filho e Maria Aparecida Costa.

“As ações de violência , praticadas por 29 organizações diferentes, atemorizavam a população, mas já não causavam o impacto desejado, pela freqüência com que aconteciam.

Franklin de Souza Martins, da direção da Dissidência da Guanabara (DI/GB), propôs uma ação inédita. Sugeriu um seqüestro.

Estudados os alvos, concluiu-se que o de maior repercussão seria o de um embaixador. A idéia foi logo aprovada por Cid Queiroz Benjamin, da Frente de Trabalho Armado (FTA), um dos setores da DI/GB.

Após reuniões, decidiram que o alvo ideal, que teria repercussão nacional e internacional, seria o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick. O objetivo principal do seqüestro, além de destacar a guerra revolucionária por meio da propaganda e de tentar a desmoralização do governo, era libertar os principais líderes do movimento estudantil que se encontravam presos.

Franklin de Souza Martins estivera preso com Vladimir Gracindo Soares Palmeira (Marcos), José Dirceu de Oliveira e Silva (Daniel), militante da ALN, e Luíz Gonzaga Travassos da Rosa, militante da AP.

A direção da DI/GB, após os planejamentos iniciais, concluiu que seria necessária a participação de outra organização, com maior experiência, para apoiá-la nessa empreitada. A ALN, dispondo de gente com treinamento em Cuba, já que os seus primeiros militantes haviam regressado ao Brasil – tendo realizado cerca de trinta assaltos a bancos e carros pagadores, duas dezenas de atentados a bombas, roubos de armas, “justiçamentos”, ataques a quartéis e radiopatrulhas -, foi considerada pela direção da DI/GB como a parceira ideal para tão audaciosa ação. Ajudava muito na decisão pela ALN a figura de Marighella que, pelos seus textos, incentivando a iniciativa e a violência, os levava a supor que conseguiriam o seu apoio para o seqüestro.

Em julho de 1969, Cláudio Torres da Silva (Pedro ou Geraldo), também membro da FTA, recebeu a incumbência da direção da DI/GB de contatar com Joaquim Câmara Ferreira (Toledo ou Velho), segundo homem na hierarquia da ALN, para conseguir o seu apoio. Toledo aprovou a idéia imediatamente.

O período escolhido foi a Semana da Pátria, para esvaziar as comemorações do Sete de Setembro.

No dia 4 de setembro, a nação foi surpreendida com o primeiro seqüestro no país. “Em frente” com a Dissidência da Guanabara – DI/GB , que depois do seqüestro passaria a chamar-se MR-8 a ALN praticaria o primeiro seqüestro de um embaixador. O escolhido Charles Burke Elbrick, dos Estados Unidos da América.” (Trecho do livro A Verdade Sufocada)

O objetivo foi plenamente atingido. A imprensa nacional e estrageira deu grande cobertura ao fato.

No dia 9 de setembro a ALN realizou mais uma ação audaciosa para “expropriação” de armas. Nesse dia, em dois Volkswagen, a ALN atacou dois soldados da Polícia Militar do Estado da Guanabara ( PMEG) que armados de metralhadora , patrulhavam as dependências da TV Excelsior. Rendidos os soldados Sérgio Rodrigues Teixeira e Hélio Guimarães Monteiro tiveram suas metralhadoras roubadas e incorporadas ao arsenal da ALN. O soldado Sérgio Rodrigues Teixeira foi ferido na cabeça, com violenta coronhada, desferida por Ronaldo Dutra Machado.

Em agosto, Ronaldo Dutra Machado recebeu de Marighela a incumbência de fazer contato com um grupo em Recife e cooptá-lo para a ALN. O contato foi feito com Francisco Vicente Ferreira, o líder do grupo, e o convenceu a atuar dentro da orientação de Marighela. Ronaldo voltou ao Rio , mas continuou como coordenador das atividades no nordeste. Ainda em 1969, a ALN começou a estruturar-se em Recife, tendo como coordenador Ronaldo Dutra Machado .

Em outubro novo contato foi feito, no nordeste, por Ronaldo. Os contatos foram feitos com Rholine Sonde Cavalcanti Silva, Luciano Almeida , Perly Cipriano e Maurício Anísio de Araújo. Como o grupo aumentava, Ronaldo se estabeleceu em Recife, junto com Dulce Chaves Pandolfi para impulsionar os atos criminosos da organização e juntamente com o grupo assaltou a agência do Banco Financial, em Jaboatão.

No Rio, foi presa Maria Aparecida Costa, em companhia de Valetim Ferreira. Valetim, estudante de 18 anos, guardava em sua casa, na rua das Palmeiras 77, casa 4 , um fuzil Mauser , munição, um mimeógrafo e vários estênceis prontos para rodar. Era o “aparelho “ de imprensa da organização

Em decorrências dessas prisões, foram presos Aton Fon Filho e Linda Tahyah. Em dezembro foram presos: Tânia Regina Rodrigues Fernandes, Pedro Henrique e Alfredo de Miranda Pacheco ( irmãos, que facilitavam a saída, de militantes que, com nomes falsos , iam fazer curso de guerrilha em Cuba.

A ALN, em 1969, praticou cerca de 30 assaltos somente no Rio de Janeiro . Entre eles os seguintes:

27/08 – Agência Catete do Banco Novo Mundo;

25/09 – Agência Bonsucesso do Banco de Crédito Territorial;

15/10 – Agência da Rua Bela vista do Banco da Bahia;

29/11 – Firma Construtora Presidente, Rua Mayrink Veiga

05/12 – Agência Castelo do Banco Bordalo Brenha; e

16/12 – Agência Méier do Banco da Bahia.

Fontes: Orvil

06
jan
10

Entenda Darwin, a evolução, a genética e os temas atuais da ciência

da Folha Online

Veja abaixo uma seleção de livros que falam sobre temas atuais instigantes das áreas de ciência e tecnologia: energias alternativas, física, células-tronco, meio ambiente e a teoria da evolução, incluindo livros para os “pequenos cientistas”.

*LIVROS SOBRE DARWIN

O nascimento do naturalista inglês Charles Darwin completa 200 anos em 2009 e a publicação de sua obra “A Origem das Espécies” (1859) completa 150 anos. Veja sugestões de livros sobre a vida de Darwin e suas teorias.

Marcelo Leite, colunista da Folha de S.Paulo, aborda de forma dinâmica as questões essenciais da obra de Darwin no livro “Folha Explica Darwin” (Publifolha, 2009). O livro acompanha a juventude e formação de Darwin; sua famosa viagem pelo mundo; o desenvolvimento da ideia de que todas as espécies têm um ancestral comum, e a grande relutância do naturalista em publicar suas ideias –que, basicamente, eliminam o papel de um “criador” por trás da evolução da variedade da vida. A obra examina ainda a enorme repercussão da publicação de “A Origem das Espécies” e mostra como os conceitos darwinianos mudaram o mundo e são definidores de muitas questões das ciências humanas e de toda a cultura contemporânea.

“Charles Darwin”, de Rebecca Stefoff

A biografia ilustrada “Charles Darwin – A Revolução da Evolução” (Companhia das Letras, 2007) é uma obra de introdução à vida de Charles Darwin e suas revolucionárias ideias sobre a evolução e a seleção natural. Descreve a formação de Darwin como cientista; reconstrói sua épica viagem ao redor do globo; a jornada intelectual que conduziu para conceber “A Origem das Espécies”; como lidou com a oposição ferrenha às suas ideias e por que elas seguem sendo debatidas até hoje. Com ilustrações, desenhos e fotos de arquivo, o livro é um ponto de partida para conhecer a história do naturalista britânico e entender como e por que suas ideias transformaram para sempre nosso modo de ver o mundo.

“A Caixa Preta de Darwin”

Se Darwin estava certo, Deus não existe? No intrigante livro “A Caixa Preta de Darwin – O Desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução”, o bioquímico Michael Behe apresenta um argumento científico para justificar a existência de Deus –ou de uma inteligência superior. Para o autor, é possível concordar com Darwin e aceitar que a evolução acontece através da seleção natural e das mutações ocasionais. Mas, para ele, apenas um agente inteligente pode ter criado os complexos sistemas bioquímicos que regem a vida como a conhecemos. E essa é a última caixa-preta a ser aberta pela ciência.

“Darwin e a Ciência da Evolução”

O livro “Darwin e a Ciência da Evolução” (Objetiva, 2004) apresenta de forma dinâmica a vida e a obra do grande naturalista inglês. Aqui o leitor acompanha a jornada de Darwin à bordo do HMS Beagle para estudar a flora, a fauna e a geografia da América do Sul; explora as ilhas Galápagos junto com o cientista; descobre como ele usou as descobertas de fósseis e espécies para formular a teoria da seleção natural; acompanha o debate acalorado causado pelo livro “A Origem das Espécies”; e segue até a controvérsia que Darwin criou ao demonstrar que o homem tem o mesmo ancestral comum que os macacos.

“O Espectro de Darwin”, de Michael Rose

Com linguagem clara e acessível, o livro “O Espectro de Darwin – A Teoria da Evolução e Suas Implicações no Mundo Moderno” (Jorge Zahar, 2000) apresenta uma história envolvente dos 150 anos de darwinismo e analisa de forma reveladora a enorme influência das idéias de Darwin nos aspectos práticos de nossa existência. Traça as origens das ideias darwinianas e joga luz sobre as linhas básicas da biologia evolutiva. Mostra como as ideias de Darwin continuam a guiar os cientistas e a definir –para o bem e para o mal– o mundo em que vivemos. E examina como os princípios do darwinismo podem ajudar na compreensão do comportamento humano.

06
jan
10

Brasil estaria disposto a estabelecer diálogo com o Hamas

‘Aproximação pode dar ao grupo a impressão de ganhar legitimidade internacional’, disse ministro palestino

Jamil Chade, da Agência Estado

GENEBRA – O chanceler Celso Amorim admitiu nesta quarta-feira, 6, que o Brasil estaria disposto a estabelecer um diálogo com o grupo Hamas, alvo de um boicote dos países ocidentais, e quer participar do monitoramento de um eventual relançamento de um processo de paz no Oriente Médio. Mas recebeu um duro recado do governo da Autoridade Palestina: uma aproximação ao Hamas pode dar a impressão ao grupo considerado como terrorista de estar ganhando legitimidade internacional.

O chanceler manteve em Genebra uma reunião com o ministro de Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riad Malki. Na pauta, a participação do Brasil no monitoramento da implementação do processo de paz na região, uma nova posição que o Itamaraty quer garantir nos próximos meses.

Na agenda do encontro, os ministros ainda trataram da realização de uma conferencia mundial no Brasil com a diáspora palestina e a confirmação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos territórios palestinos, Israel e Jordânia na semana do dia 15 de marco.

Malki, como já fez em abril de 2009, criticou o Quarteto (grupo que promove o processo de paz Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU) e defendeu que uma conferência mais ampla seja convocada para lidar com a paz no Oriente Médio, inclusive com a participação do Brasil.

“Sempre sentimos que muitos países tem o direito de dar sua contribuição para o processo de paz. Se o Brasil quiser ter esse papel, devemos considerar. Isso ajudara o processo de paz”, disse o palestino. “Nós sentimos que Quarteto não faz o suficiente para fazer avançar o processo de paz. Ele deveria ser aberto e permitir que novas ideias sejam injetadas. O Brasil mostrou que quer contribuir”, afirmou Malki.

Os palestinos acusam os israelenses de estarem bloqueando a retomada do processo de paz. Mas, em um eventual relançamento, querem um grupo de países mais próximos aos interesses palestinos para monitorar o cumprimento das obrigações.

Amorim confirmou que o Brasil quer participar no monitoramento do processo de paz e citou o modelo da América Central nos conflitos nos anos 80 como exemplo que poderia ser seguido. Naquela ocasião, havia um grupo de moderadores. Mas o chanceler lembrou do grupo de países que apoiavam o processo e levavam ideais.

Para o chefe da diplomacia brasileira, a ideia é de que, em uma eventual retomada do processo de paz, o Itamaraty possa ficar encarregado em monitorar um aspecto do tratado, como fronteiras ou outro tema. Amorim também não descarta que esse monitoramento seja feito por um grupo, como Brasil, África do Sul e India. Se isso ocorresse, o grupo lançado pelo Brasil para atuar no cenário internacional poderia ter sua primeira atuação.

Sobre a viagem de Lula ao Oriente Médio, Amorim garante que ele não ira com “soluções mágicas”. “As soluções estão lá. Já sabemos o que podemos obter como resultado. Mas a questão é como é que será a implementação do processo de paz. E não reinventar o processo”, explicou Amorim, que garante que o Brasil não está buscando protagonismo.

Hamas

Amorim ainda admitiu que o governo brasileiro já manteve “contatos informais com o Hamas no passado”. Mas não disse nem quando e nem quem fez o contato. Apenas indicou que estaria disposto a repetir se isso fosse ajudar o processo. “Se isso ajudar, não excluo. Acreditamos no poder da razão. Talvez seja inocente. Mas temos que conversar”, disse, ao responder a uma pergunta da imprensa internacional se estaria disposto a conversar com o Hamas diretamente.

Mas Malki, contrário ao Hamas, foi enfático em alertar o Brasil e qualquer outro governo para que tenham “cuidado” em manter um diálogo com o Hamas. “Reconhecemos que o Hamas é uma realidade e não vai desaparecer. Mas desde que Hamas fez golpe em 2007, não deu qualquer sinal de que quer revisar suas ações. Na realidade, desintegraram o sistema político de Gaza e substituíram por seu próprio sistema de poder”, disse Malki.

“Qualquer aproximação com o Hamas hoje pode ser interpretado pelo Hamas como uma espécie de fraqueza da comunidade internacional e como um sinal de reconhecimento do sistema de facto criado em Gaza por meio da força e de um golpe. Por isso, os países devem ter cuidado”, alertou.

Representantes do Hamas disseram ontem que queriam ter contato direto com os enviados americanos. “No momento em que o Hamas fizer parte de processo político e aderir aos princípios básicos, então não haverá portas fechadas para o Hamas, poderá falar com todos e não ha porque ter o isolamento”, disse o palestino, estabelecendo as condições. “Mas enquanto estiver em controle de Gaza por força e contra a lei, isso não será bem. O julgamento sobre Hamas foi feito e cabe a eles decidir mudar”, afirmou.

Amorim concordou com o palestino. “Claro que precisa ser parte do processo político”, afirmou o chanceler, defendendo a reconciliação. “A união é fundamental para um estado estável”, disse. O chanceler ainda garantiu que não se trata de manter um dialogo sigiloso. “Não queremos nenhum acordo secreto. Aceitaríamos ter o contato se isso fosse julgado como algo positivo”, disse Amorim.

Diáspora

O Brasil ainda anunciou que, em cooperação com a Espanha, realizara em maio uma conferencia internacional com diáspora palestinos de todo o mundo. A ideia, segundo Malki, é a de convencer os palestinos espalhados em todos os continentes a cooperar financeiramente e investir na reconstrução das cidades nos territórios palestinos.

“Ha muitos de origem árabe na America Latina e queremos ver como podemos encorajá-los para ter projetos na Palestina para garantir infraestrutura para um estado”.

Durante o encontro, outro tema levantado foi a proposta de um acordo comercial entre o Mercosul e a Autoridade Palestina. Amorim confirmou que já tratou do assunto com os demais países do bloco. Mas ainda não ha uma definição sobre como isso ocorreria.

Israel fechou um acordo comercial com o Mercosul. Mas Malki alega que parte dos produtos estão vindo de terras que na realidade são ocupadas e que pertenceriam aos palestinos.

06
jan
10

As turbulências do presidente (Editorial)

Deu em O Estado de S. Paulo

A incontinência verbal do presidente Lula – que fala duas vezes antes de pensar nos efeitos de suas palavras – acaba de criar um problema político para o seu governo e um potencial problema diplomático para o Brasil.

Numa atitude inconcebível para qualquer governante que se paute, como é devido, pelo princípio da precaução ao se manifestar sobre decisões de Estado a respeito da defesa nacional, Lula não esperou o parecer da Aeronáutica sobre as alternativas para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira, com a compra de 36 caças de última geração.

Ele não apenas declarou a sua preferência pelo Rafale, da francesa Dassault, em detrimento do Gripen NG, da sueca Saab, e do F-18, da Boeing americana, como assinou com o presidente Nicolas Sarkozy, em visita ao País no 7 de Setembro do ano passado, uma nota conjunta sobre a abertura de tratativas com a empresa fabricante para a consumação de um negócio da ordem de R$ 10 bilhões.

Lula, portanto, comprometeu o Brasil com a França, a partir de uma escolha pessoal cujos motivos se prestam a toda sorte de indagações. Faltou combinar com os militares.

Ontem, a Folha de S.Paulo revelou que, em relatório técnico com mais de 30 mil páginas de dados, ratificado pelo Alto Comando da Força, a Aeronáutica apontou o Gripen como o avião mais vantajoso, seguido do F-18.

O Rafale foi considerado a opção menos interessante. O fator preço foi crucial: o caça da Saab custa a metade do modelo francês. Quando esteve no Brasil, Sarkozy prometeu reduzir o valor do aparelho, como se fosse o CEO da Dassault e não o presidente da França – uma diferença essencial que Lula aparentemente achou que não precisava levar em conta.

Agora a FAB o contrariou de duas maneiras. Primeiro, com as conclusões em si. Segundo, ao ordenar as suas preferências. Instado pelo presidente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, levara aos militares o pedido absurdo para que não fizessem um ranking dos aviões.

Por definição, chefes de governo têm a última palavra em matérias dessa natureza – pelas óbvias implicações políticas internas e externas de cada uma das opções em jogo. Mas quando as Forças Armadas do país em questão apresentam um parecer taxativo, só excepcionalmente o governante deixa de adotá-lo. Faz sentido.

Ao chefe de Estado cabe definir a política de defesa nacional. Aos militares cabe escolher os instrumentos para executá-la. Lula, no entanto, quis impor a sua vontade em relação aos meios a serem adotados por uma delas.

E o pior é que, antes mesmo de subir a rampa do Planalto pela primeira vez, ele tomou a si o processo de modernização da FAB, o chamado projeto FX-2, pressionando o ainda presidente Fernando Henrique a adiá-lo sob a alegação de que estava em final de mandato.

Agora, ou Lula se rende à análise profissional, que virtualmente o desmoralizou, ou empurra o assunto para as calendas: este, afinal, é o derradeiro ano de seu segundo período.

A primeira hipótese é improvável – não menos do que a de obrigar a Aeronáutica a aceitar o Rafale. Bater o martelo em favor do Gripen deixaria Lula perder a face diante de um país cujo presidente – ele sim, trabalhando pelo interesse nacional – se comporta como o grande paparicador de Lula nos foros internacionais – como ocorreu na conferência do clima em Copenhague.

De todo modo, a ideia de que a aquisição do Rafale é indispensável à parceria estratégica entre o Brasil e a França não se sustenta. Essa parceria já foi estabelecida no caso da fantástica compra de submarinos – inclusive o que seria o casco de um submarino nuclear – com tecnologia francesa.

Deixar o assunto em banho-maria pode ser, para Lula, a escolha menos onerosa, embora signifique deixar o País, sabe-se lá por quanto tempo, à mercê de uma frota obsoleta de combate aéreo. Decerto ele fará o mesmo em relação a outro problema relacionado aos militares, no qual também meteu os pés pelas mãos.

Trata-se do decreto que cria o Programa Nacional de Direitos Humanos – e que ele admitiu ter assinado sem ler.

Contrariando um acordo arduamente negociado entre a Defesa, as Três Forças e o Ministério da Justiça, endossado por Lula, o texto abre caminho para a revisão da Lei de Anistia, a partir das ações de uma Comissão da Verdade que já está sendo equiparada a uma “CPI da ditadura”.

Este é o presidente cujos adoradores não sabem nem querem saber como se conduz.

06
jan
10

Aviões – Lula deve manter opção por Rafale

Deu em O Estado de S. Paulo

Para presidente, compra dos 36 aviões é ‘política e estratégica’ para consolidar parceria entre Brasil e França

De Eugênia Lopes, Vera Rosa, Denise Chrispim Marin e Leonêncio Nossa:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica que avaliou o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab, como o melhor para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), informou um de seus mais próximos auxiliares.

Lula já manifestou a preferência pelo caça francês Rafale e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é “política e estratégica” para consolidar a parceria entre o Brasil e a França.

O vazamento do relatório do Comando da Aeronáutica para o jornal Folha de S. Paulo – com a avaliação ainda parcial das propostas para o projeto FX-2, de renovação da frota da FAB – irritou Lula e provocou mal-estar no governo.

Auxiliares do presidente disseram que o documento já foi modificado e não faz um ranking das melhores propostas, apenas avalia tecnicamente itens como transferência de tecnologia e aspectos comerciais e logísticos.

Nota do Comando da Aeronáutica informou ontem que o relatório ainda não foi enviado ao Ministério da Defesa.

Leia mais em Lula deve ignorar parecer pró-caça sueco e manter opção por Rafale

De Patrícia Campos Mello, correspondente em Washington:

A Boeing divulgou comunicado ontem dizendo esperar “que a decisão final seja tomada com base nas propostas técnicas e estratégias prioritárias do governo brasileiro”.

“Acreditamos firmemente que o Programa Super Hornet oferece ao Brasil segurança garantida, a expansão da indústria aeroespacial e valores estratégicos de longo prazo”, disse a empresa.

“Ademais, a Força Aérea Brasileira publicou nota em seu website na qual confirma que o relatório final ainda não foi entregue ao Ministério da Defesa.”

Na avaliação técnica feita pela Aeronáutica, o Gripen NG, da sueca Saab, foi o mais bem avaliado e o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, ficou em segundo. O Rafale, da francesa Dassault, ficou em terceiro e último lugar.

O “sumário executivo” do relatório da FAB, com as conclusões finais das mais de 30 mil páginas de dados, apontou o fator financeiro como decisivo para a classificação do caça sueco: o Gripen NG, até por ser monomotor e ainda em fase de projeto, é o mais barato dos três concorrentes finais.

06
jan
10

No DF, Cristovam é plano B de Serra após mensalão do DEM

Deu em O Estado de S. Paulo

Tucano aposta no PDT para montar palanque alternativo na capital federal

De Christiane Samarco:

Com o governador José Roberto Arruda (sem partido) fora da disputa pelo governo do Distrito Federal – por causa do mensalão do DEM -, o PSDB do governador paulista e presidenciável José Serra faz planos para montar um palanque alternativo em Brasília.

A ideia é fazer parceria entre os tucanos e o PDT do DF, com o senador Cristovam Buarque encabeçando uma chapa para disputar o governo local. Serra deve procurar Cristovam nos próximos dias, com o objetivo de sondá-lo sobre a candidatura ao Palácio do Buriti, sede do governo de Brasília.

Os dois se entendem bem desde 1994, quando Serra, então senador, subiu no palanque de Cristovam, na disputa pelo governo do DF contra o candidato do PMDB, Joaquim Roriz.

O apoio do PSDB no segundo turno da corrida eleitoral, após a derrota de sua candidata Maria de Lurdes Abadia, foi decisivo para a vitória de Cristovam, que à época era filiado ao PT.

Ainda hoje, o senador pedetista é grato pelo apoio do tucanato que, àquela altura, acabara de derrotar Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial.

A gratidão pelo apoio pretérito, porém, não é sinônimo de parceria futura. Não em se tratando do governo do Distrito Federal. “Não é isso que eu quero”, afirma Cristovam.

O projeto pessoal pelo qual o pedetista trabalha é a reeleição para o Senado. Mas o pedetista não fecha a porta para Serra trabalhar a montagem de palanque.

“Reconheço que, se o Roriz for candidato, vai ser muito difícil eu dizer não à população”, diz o senador. “Onde vou, cobram minha candidatura e me dizem que eu não posso deixar o governo do DF na mão da mesma turma”, afirma Cristovam, referindo-se à velha parceria entre Arruda e seu padrinho político Joaquim Roriz.

06
jan
10

Juiz é acusado de reter ação contra PT

Deu em O Estado de S. Paulo

Promotoria alega que Malheiros travou há 3 anos processo contra o Instituto Florestan Fernandes, ligado ao partido

De Fausto Macedo:

A Promotoria do Patrimônio Público e Social representou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o desembargador Antonio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça de São Paulo – a quem acusa de reter há 3 anos e meio os autos de investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Instituto Florestan Fernandes (IFF), ligado ao PT, na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

O documento informa que desde 7 de julho de 2006 Malheiros “não adotou providências visando a levar o caso para julgamento definitivo pela 3ª Câmara de Direito Público do TJ”.

A promotoria sustenta que está diante de “fatos gravíssimos, com provável prejuízo ao erário de mais de R$ 12 milhões causado por agentes públicos”.

Malheiros concedeu liminar em agravo de instrumento da defesa do IFF contra decisão do juiz Edson Ferreira da Silva, da 13ª Vara da Fazenda Pública, que havia decretado a quebra do sigilo fiscal, bancário e financeiro da entidade.

Marta não é alvo da apuração, mas ex-secretários dela.




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