Arquivo para 19 de janeiro de 2010

19
jan
10

Censo aponta sobra de vagas em cursos públicos para professores

ANGELA PINHO
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Ao mesmo tempo em que faltam professores com formação adequada no ensino básico, estão sobrando vagas oferecidas por instituições públicas em cursos de pedagogia e licenciatura em disciplinas como biologia e matemática.

Veja as páginas de classificados de empregos da Folha Online

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2008 (o mais recente), naquele ano 4.468 vagas não foram preenchidas nos processos seletivos para cursos de formação de professores em universidades e centros tecnológicos federais e estaduais, principalmente em cidades do interior.

Esse número representa 6% das vagas disponibilizadas para o primeiro ano de pedagogia e licenciaturas dessas instituições. Nas demais áreas, esse percentual cai para 3,5% –ficaram vagos, por exemplo, 14 lugares em cursos de direito. Em medicina, 5.

A sobra de vagas em cursos de formação de professores contrasta com a escassez de profissionais com formação adequada nas escolas públicas.

Segundo estudo do Inep (instituto ligado ao Ministério da Educação) feito com dados de 2007, mais de um em cada quatro professores do ensino básico não tem a habilitação exigida por lei –ensino superior com magistério.

Além disso, grande parte dá aulas em disciplinas diferentes da sua formação, o que ocorre principalmente em ciências. Em física, apenas 25% dos professores são graduados exatamente em física.

Para suprir essa deficiência, instituições públicas têm aberto cada vez mais cursos nessas áreas, mas a resposta tem sido, em muitos casos, desanimadora. É o caso da UFG (Universidade Federal de Goiás). Em 2008, das 40 vagas para licenciatura em física em Jataí, cidade a 327 km de Goiânia, apenas 6 foram ocupadas.

“É desanimador”, diz Henrique Almeida Fernandes, professor e coordenador do curso. “A gente se prepara tanto tempo para dar aula e chega lá e vê uma turma com poucos alunos que já chega desmotivada com a perspectiva profissional”, afirma.

Assim como Fernandes, outros professores e coordenadores de cursos atribuem as vagas ociosas e a baixa concorrência no vestibular à desvalorização do magistério.

A consequência, além da dificuldade de formar profissionais qualificados, é que as instituições acabam não conseguindo atrair os melhores alunos do ensino médio para seus cursos de pedagogia e licenciatura, o que depois vai se refletir na qualidade da educação básica, diz Mozart Neves Ramos, professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e presidente do movimento Todos pela Educação.

Segundo ele, em sua universidade, a nota mínima no vestibular para um aluno de medicina foi de 8,29 pontos, em uma escala de 0 a 10. Para um aspirante a professor de matemática, ficou em apenas 3,29.

Além do desinteresse

Universidades que tiveram vagas de pedagogia e licenciatura não preenchidas apontaram também outros fatores possíveis para explicar o fato, além da pouca valorização da carreira.

Henrique Mongelli, pró-reitor de graduação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), afirma que a instituição terá que analisar se ainda há demanda em cursos em que sobram vagas em cidades pequenas.

A secretária de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, concorda que a desvalorização da carreira interfere na sobra de vagas, mas afirma que o quadro irá melhorar com medidas como o piso salarial do professor e a lei que permite ao aluno de universidade particular ter o curso pago pelo Estado em troca de trabalho em escolas públicas depois da formatura.

Ela diz também que a ociosidade de vagas deve diminuir com o novo sistema de seleção implantado a partir de fevereiro, que unifica o vestibular de diversas federais.

19
jan
10

Pesquisa aponta reajustes de mensalidades escolares acima da inflação

da Agência Brasil
colaboração para a Folha Online

Uma pesquisa preliminar dos preços das mensalidades escolares na primeira semana de janeiro apontou reajustes que variaram entre 5% e 18%, apresentando aumento médio de 7%. O levantamento foi feito pelo IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getulio Vargas, em sete capitais de Estados brasileiros.

A inflação de 2009, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV, foi de 3,95%. Se a coleta, que será encerrada no final de janeiro, revelar um reajuste médio de 7%, haverá este ano aumento real de 2,93% para as mensalidades escolares.

Como ocorre todos os anos, o reajuste mais aguardado é o das mensalidades escolares e do material escolar. Em 2009, por exemplo, os alunos matriculados no ensino elementar, fundamental e médio tiveram suas mensalidades aumentadas em aproximadamente 8%. A média de todos os reajustes, incluindo o ensino superior e a creche, ficou em 6,72%.

O ensino fundamental teve o maior reajuste (10,82%) em Recife e o menor (6,05%) em São Paulo, enquanto a média Brasil ficou em 7,54%.No ensino médio, Belo Horizonte registrou o maior aumento (8,15%) e Brasília o menor (6,53%). A média Brasil ficou em 7,35%.

Na pré-escola, a cidade de Recife teve aumento de 10,05%, o maior, e Rio e Salvador o menor, com 6,07%. A média Brasil foi de 6,67%. No ensino superior, o Rio de Janeiro registrou aumento de 6,29%, e Recife, o menor reajuste, de apenas 0,78%. A coleta de preços foi feita sem sete capitais: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife.

De acordo com o economista André Braz, nos últimos oito anos, o reajuste acumulado para os cursos formais foi de 70,68%, enquanto o IPC/FGV subiu 60,37%, revelando um aumento real de 6,43% para as mensalidades escolares.

19
jan
10

Menos da metade dos jovens está no ensino médio, diz Ipea

da Agência Brasil

Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007. Esses são alguns destaques da pesquisa “Juventude e Políticas Sociais no Brasil”, lançada nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

O estudo aponta que houve avanços no acesso de jovens à educação. Em 2007, 82% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam a escola. O problema está no atraso para concluir os estudos: apenas 48% estava no ensino médio.

Para o diretor de estudos e políticas sociais do instituto, Jorge Abrahão, a educação é vista pelos jovens como uma força positiva. “Os jovens entendem a educação como um caminho para melhorar a vida. Mas o jovem enfrenta no processo de escolarização problemas de desigualdades de oportunidades”, aponta.

A cor, o nível de renda e o local onde mora o jovem interfere nas oportunidades de acesso. Em 2007, 57% dos brasileiros de 15 a 17 anos que residiam em áreas metropolitanas frequentavam o ensino médio, contra pouco menos de 31% no meio rural.

Abrahão destaca que o jovem ainda se divide entre os estudos e o mercado de trabalho e aqueles que conseguem frequentar a escola precisam lidar ainda com o problema da baixa qualidade do ensino. “A escola ainda está fundamentada em uma estrutura antiquada, o que torna para o jovem pouco atraente aquele período em que ele se mantém na escola”, diz.

No ensino superior, entre 1996 e 2007, a taxa de frequência líquida cresceu 123%. Mas o percentual de jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos que têm acesso à etapa ainda é apenas de 13% –muito abaixo da meta de 30% estipulada para 2011 no Plano Nacional de Educação.

A renda é fator determinante para o acesso do brasileiro à universidade: a taxa de frequência daqueles que têm renda mensal per capita de cinco salários mínimos ou mais (55%) é dez vezes maior do que entre a população que ganha até meio salário mínimo (5%).

O estudo do Ipea destaca que o Brasil ainda tem 1,5 milhão de jovens analfabetos (15 a 29 anos). Segundo a pesquisa, “a manutenção do número de analfabetos no país em patamar elevado está relacionada à baixa efetividade do ensino fundamental”.

De acordo com dados da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, 44,8% das pessoas analfabetas com 15 anos ou mais já haviam frequentado a escola.

19
jan
10

Vasculhando o Orvil – ALN – Capítulo VIII

Carlos Marighela, o ideólogo do terror – Pela Editoria do Site

Carlos Marighela nasceu em Salvador, Bahia, em 05/12/1911. Sua trajetória revolucionária remonta à década de 30. Em 1932 ingressou na Juventude Comunista e na Federação Vermelha dos Estudantes. Participou ativamente da Intentona Comunista. Em 1936 abandonou o curso de engenharia e, cumprindo ordens do partido, foi para São Paulo reorganizar o Partido Comunista Brasileiro – PCB.
Texto completo

Em 1939, foi preso pela terceira vez e encaminhado para Fernando de Noronha. Na prisão, dava aulas de formação política aos detentos.
Em 1945, a anistia, assinada por Vargas, devolveu a liberdade aos presos políticos. Marighela, nesse ano, foi eleito deputado federal. No governo Dutra o Partido Comunista voltou à ilegalidade e passou a agir clandestinamente. Em 7 de janeiro de 1948, os mandatos dos parlamentares do PCB foram cassados.

Na clandestinidade, de 1949 até 1954, Marighela atuou na área sindical, aumentando a influência do partido, sendo incluído na Comissão Executiva e no Secretariado Nacional, órgãos dirigentes do PCB.

No Manifesto de Agosto de 1950, Marighela já pregava a luta armada, conduzida por um Exército de Libertação Nacional. Como membro da Executiva chefiou a primeira delegação de comunistas brasileiros à China, em 1952. Ao voltar, passou a trabalhar as massas para preparar a futura revolução brasileira. no país. Insistiu na tese da luta armada e na formação de um exército de libertação nacional, tendo como modelo as idéias de Mao Tsé-tung e o Exército Popular Chinês, que promoveu a revolução de 1949

O passo seguinte seria a penetração no meio estudantil. Para isso, Marighela infiltrou-se, por meio de contatos, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde doutrinava professores e alunos. As sementes estavam sendo semeadas, era só aguardar a colheita.

A influência da revolução cubana, que passou a servir de modelo para muitos comunistas, contrariava as posições do Movimento Comunista Internacional e do próprio PCB, mas encantava revolucionários antigos, como Marighela e outros que, atuando desde a década de 30, não viam como conquistar o poder com uma luta de longo prazo. A tática de Fidel e Che Guevara, defensores da estratégia foquista – pequenos focos guerrilheiros -, passou a ser o modelo ideal para o Brasil.

Após a Contra-Revolução de 1964, Marighela foi preso em um cinema, no Rio de Janeiro. Solto por um habeas-corpus, impetrado por Sobral Pinto, passou a pregar abertamente a adoção da luta armada, doutrinando operários e estudantes.

Em julho de 1967, foi convidado, oficialmente, para participar da 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), onde se discutiria um caminho para a difusão da luta armada no continente.

Desautorizado pelo partido e contrariando as linhas de ação adotadas pelo PCB, Marighela embarcou para Havana com passaporte falso. O evento reuniu revolucionários do mundo inteiro. Na ocasião, o slogan era “Um, dois, três, mil Vietnames”, outro exemplo de guerrilha que dera certo.

Estando Marighela em Havana, o PCB enviou um telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão.

Em resposta ao telegrama, em 17 de agosto de1967, Marighela enviou uma carta ao Comitê Central do PCB, rompendo definitivamente com o partido. Em seguida, em outra carta, deu total apoio e solidariedade às resoluções adotadas pela OLAS. Nesse documento ele escrevia:

“No Brasil há forças revolucionárias convencidas de que o dever de todo o revolucionário é fazer a revolução. São estas forças que se preparam em meu país e que jamais me condenariam como faz o Comitê Central só porque empreendi uma viagem a Cuba e me solidarizei com a OLAS e com a revolução cubana. A experiência da revolução cubana ensinou, comprovando o acerto da teoria marxista-leninista, que a única maneira de resolver os problemas do povo é a conquista do poder pela violência das massas, a destruição do aparelho burocrático e militar do Estado a serviço das classes dominantes e do imperialismo e a sua substituição pelo povo armado.”

Terminada a conferência, Marighela ficou alguns meses em Cuba com a certeza do apoio de Fidel a um foco guerrilheiro no Brasil. Em fins de novembro foi expulso do PCB.

De volta ao Brasil, incentivou a prática de assaltos, seqüestros e atentados a bomba. Numa audaciosa ação, seus asseclas ocuparam a Rádio Nacional no Rio de Janeiro, onde colocaram uma gravação no ar, conclamando os revolucionários do Brasil, onde quer que estivessem, a iniciar as ações revolucionárias.

Logo depois, a partir de setembro de 1967, Marighela iniciou o envio de militantes para curso de guerrilha em Cuba. Na primeira leva – o chamado “I Exército da ALN” – seguiram: Adilson Ferreira da Silva (Miguel); Aton Fon Filho (Marcos); Epitácio Remígio de Araújo (Júlio); Hans Rudolf Jacob Manz (Juvêncio ou Suíço); José Nonato Mendes (Pele de Rato ou Pará); Otávio Ângelo (Fermin); Virgílio Gomes da Silva (Carlos).

Marighela criou, juntamente com Joaquim Câmara Ferreira, o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP). O AC/SP ou “Ala Marighela” expandia-se e atuava em vários estados. As idéias de Marighela encontram no meio estudantil campo fértil. Em pouco tempo, a Ala ganhou adeptos e várias lideranças surgiram durante as agitações do movimento estudantil. Logo depois, estabeleceu contato com Mário Roberto Zanconato, líder do Grupo Corrente em Minas Gerais. Em Brasília, Flávio Tavares, que já conhecia Marighela, apresentou um membro da Corrente, “Juca”, a George Michel Sobrinho, que passaria a ser o contato do AC/SP com os grupos de Brasília. A partir daí, o movimento estudantil de Brasília passou a agir pelas normas de Marighela.

Esse grupo, ainda em 1968, realizou treinamento de guerrilha (tiros de revólveres e metralhadora INA e experiências com explosivos) nas proximidades do Rio São Bartolomeu. O AC/SP atuava também no Ceará e em Ribeirão Preto.

Outras adesões viriam. No convento dos dominicanos, na Rua Caiubi, nº 126, no bairro de Perdizes, São Paulo, vários religiosos aderiram ao AC/SP. A adesão dos dominicanos ao AC/SP e depois à ALN foi total. Eles seriam um apoio importante para a ALN na guerrilha urbana e rural.

Luís Mir, em seu livro A Revolução Impossível, Editora Best Seller, página 299, transcreve as seguintes palavras de Frei Lesbaupin que confirmam a intenção desse apoio:

“A Igreja e os dominicanos deveriam entrar no projeto revolucionário de forma organizada. Seríamos a linha de apoio logístico para a guerrilha rural. Na cidade, esconderíamos pessoas, faríamos transferências de armas e dinheiro.”

Em meados de 1968, receberam a primeira missão dada por Marighela: levantamento na Belém-Brasília, procurando áreas estratégicas para instalar focos de guerrilha.

Marighela pregava:

“O princípio básico estratégico da organização é o de desencadear, tanto nas cidades como no campo, um volume tal de ações, que o governo se veja obrigado a transformar a situação política do País em uma situação militar, destruindo a máquina burocrático- militar do Estado e substituindo-a pelo povo armado. A guerrilha urbana exercerá um papel tático em face da guerrilha rural, servindo de instrumento de inquietação, distração e retenção das forças armadas, para diminuir a concentração nas operações repressivas contra a guerrilha rural.”

“O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar”

“Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado”

Apoiado pela chegada do “I Exército da ALN”, treinado em Cuba, Marighela liderou vários assaltos e atentados na área de São Paulo, ainda em 1968. Intensificaram-se a seguir os atos de terror: atentados a bomba, assaltos a banco, seqüestros, assassinatos, “justiçamentos”, ataques a sentinelas e radio-patrulhas, furtos e roubos de armas dos quartéis.

Em 1969, Marighela difundiu o Minimanual do Guerrilheiro, de sua autoria, que passou a ser o livro de cabeceira dos terroristas brasileiros. O livreto foi traduzido em duas dezenas de idiomas e usado por terroristas do mundo inteiro. As Brigadas Vermelhas, na Itália, e o Grupo Baader-Meinhoff, na Alemanha, seguiam seus ensinamentos.

Claire Sterling, em seu livro, A Rede do Terror – A Guerra Secreta do Terrorismo Internacional, editora Nórdica, referiu-se à importância do Minimanual de Marighela em várias páginas de sua obra. Desse livro, transcrevo alguns textos onde ela se refere ao Minimanual:

“… não matam com raiva: esse é o sexto dos sete pecados capitais contra os quais adverte expressamente o Minimanual de Guerrilha Urbana de Carlos Marighela, a cartilha-padrão do terrorista. Tampouco matam por impulso: pressa e improvisação o quinto e sétimo pecados da lista de Marighela. Matam com naturalidade, pois esta é “a única razão de ser de um guerrilheiro urbano” segundo reza a cartilha. O que importa não é a identidade do cadáver, mas seu impacto sobre o público.”

“… em primeiro lugar, escreveu Marighela, o guerrilheiro urbano precisa usar a violência revolucionária para identificar-se com causas populares e assim conseguir uma base popular. Depois:

O governo não tem alternativa exceto intensificar a repressão. As batidas policiais, busca em residências, prisões de pessoas inocentes tornam a vida na cidade insuportável. O sentimento geral é de que o governo é injusto, incapaz de solucionar problemas, e recorre pura e simplesmente à liquidação física de seus opositores.”

Morte de Marighela

Marighela começou a cair com a prisão de um militante de sua organização, preso no dia 1º de outubro. Os dados fornecidos por ele coincidiam com informações prestadas por outro militante da VPR , que, em março, denunciara a participação de Frei Carlos Alberto Libânio Christo ( Frei Beto), da Ordem Dominicana, como integrante da organização terrorista.

Marighela foi morto na noite do dia 4 de novembro de 1969, dentro de um carro, na Alameda Casa Branca, zona nobre de São Paulo.

O convento dos dominicanos protegia também membros de outras organizações clandestinas como a VPR, o MR-8 e a ALN. Marighela os usava como contatos. Os dominicanos marcavam encontros em lugares preestabelecidos, em “pontos” (contatos) na Alameda Casa Branca. Faziam parte do esquema o frei Fernando de Brito e o frei Ives do Amaral Lesbaupin.

Suspeitas sobre o convento puseram-no em observação. O telefone do mesmo passou a ser monitorado.

Frei Fernando e frei Ivo foram ao Rio e combinaram, por telefone, um encontro. Ao comparecerem ao “ponto” foram presos. Interrogados, entregaram o esquema dos “pontos” marcados por Marighela. Os contatos eram feitos por meio de ligações telefônicas para frei Fernando, na livraria Duas Cidades em que ele trabalhava, usando a senha: “Aqui é da parte de Ernesto. Esteja hoje na gráfica”.

Frei Fernando foi levado pela polícia à livraria para aguardar o telefonema. Na hora marcada, o telefone tocou e frei Fernando atendeu, ouviu a senha e confirmou o “ponto” que seria às 20 horas, na altura do nº 800 da Alameda Casa Branca.

O dispositivo para prender Marighela foi armado. Homens escondidos nos edifícios em construção e numa caminhonete observavam tudo. Do outro lado da rua, o delegado Fleury fingia namorar. Mais adiante, outro casal também “namorava”. No lugar certo, o Fusca de sempre, com os dois frades dentro.

Pouco antes da hora, um homem passou devagar, examinando o local. A polícia o identificou como sendo Edmur Péricles Camargo, mas o deixou passar.

Na realidade, não era Edmur e sim Luís José da Cunha (Crioulo), que dava cobertura a Marighela. A polícia preferiu esperar o peixe maior.

Marighela chegou pontualmente às 20h00, dirigiu-se ao Fusca e entrou na parte traseira. Frei Ives e Fernando saíram rapidamente do carro e se jogaram no chão. Percebendo a emboscada, imediatamente reagiu à prisão e foi morto.

Marighela seguiu as normas de seu manual. Portava um revólver e levava duas cápsulas de cianureto.

Na ocasião, em meio a intenso tiroteio, morreram também a investigadora Stela Morato e o protético Friederich Adolf Rohmann, que passava pelo local do tiroteio. O delegado Tucunduva foi ferido gravemente. Marighela foi morto na noite do dia 4 de novembro de 1969, dentro de um carro, na Alameda Casa Branca, zona nobre de São Paulo.

Ele usava identidade falsa em nome de Mário Reis Barros, expedida pelo Instituto Pereira Faustino, do Estado do Rio de Janeiro.

Acabava assim Marighela, mas seus seguidores continuaram a agir segundo seu Minimanual, que aterrorizou o Brasil e o mundo.

Em 1996, um dossiê da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça contestou a versão oficial de sua morte e homologou a decisão de conceder o pagamento de indenização à sua viúva, Clara Charf. Para a comissão prevaleceu a justificativa de que Marighela teria sido abatido com um tiro no peito, à queima roupa.

Primeiro, não é viável que o delegado Fleury perdesse a oportunidade de prender Marighela, para interrogá-lo, deixando que o executassem. Segundo, é fantasioso que, para confirmar a versão do tiroteio, tivessem assassinado a investigadora, o protético e ferido gravemente o delegado. Se Marighela foi morto à queima roupa, por que o tiroteio?

Esse “herói”, que a esquerda venera em prosa e verso, é nome de rua no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e de viaduto em Belém do Pará. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) mantém no Acampamento 26 de Março, em Marabá, no Pará, a Escola Carlos Marighela.

Em Pinar del Rio, Cuba, em 1973, foi inaugurada uma escola com seu nome.

O arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Memorial Carlos Marighela, a ser construído pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, no bairro proletário de Santa Bárbara, Niterói, onde militantes comunistas se reuniam, na clandestinidade, provavelmente para organizar suas ações.

Para relembrar os 35 anos da morte de Marighela foi re-inaugurado em São Paulo, em 2004 , um marco na Alameda Casa Branca, 815, local onde morreu. Tudo isso com o dinheiro do contribuinte, que, desinformado, assiste a tudo passivamente.

O Minimanual de Marighela é a prova da selvageria e do desprezo pelo ser humano, na insana perspectiva de que os fins justificam os meios.

Joaquim Câmara Ferreira ( “Toledo” ) foi surpreendido com a morte de Marighela quando estava em Paris, a caminho de Cuba, hospedado na casa de Aloysio Nunes Ferreira (que viria a ser Ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso nos anos de 2001 e 2002) .

A fim de auxiliar o soerguimento e a continuidade das ações, foram deslocados do Rio de Janeiro para São Paulo Carlos Eugênio Coelho Sarmento da Paz ( ” Clemente”) e Ana Burnsztyn.

Apesar da grande perda para a subversão e o terrorismo, a Aliança Libertadora Nacional – ALN – se reergueria sob o comando de

“Toledo”, segundo homem na hierarquia da organização e continuaria sua trajetória de crimes.
Fontes:- Projeto Orvil.

– USTRA, Carlos Alberto Brilhante. A Verdade Sufocada- A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça – 4ª edição

19
jan
10

ATÉ STÁLIN FICARIA CORADO COM OS NOSSOS DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS…

Já não temos a menor dúvida sobre o que querem os besouros que o povo chama carinhosamente de “rola-bosta”: censurar a imprensa e mamar nas tetas do estado. Mas, em breve, eu lhes mostrarei essa verdade pela boca dos próprios, numa nada surpreendente, mas sempre espantosa, confissão. Vocês vão adorar. Aguardem um pouco. Conforme for, exibo o filme ainda hoje.

Esses notáveis democratas fizeram o debate regredir à Rússia de 1918, no ano seguinte ao golpe bolchevique. Mostram-se ainda mais ortodoxos, nas sua defesa da doutrina liberticida, do que o Stálin de 1936 ou a burocracia soviética de 1977.

Na primeira constituição soviética, de 1918 — na verdade, ainda da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (Íntegra aqui) —, lia-se sobre a imprensa:
Com o objetivo de assegurar a liberdade de expressão às massas trabalhadoras, a República Socialista Federativa Soviética da Rússia abole a dependência que a imprensa tem do capital e transfere aos trabalhadores e aos camponeses os meios técnicos necessários para a publicação de jornais, panfletos livros etc e garante sua livre circulação em todo o país.

Sim, os besourões sonham com o verbo “abolir” aplicado no contexto acima. E se apresentam como os “trabalhadores e camponeses” que receberão, então, os meios técnicos adequados para fazer a “imprensa popular”. A maioria não trabalha e vive do dinheiro público. E a totalidade deles, incluindo João Pedro Stédile, deve imaginar que melancia nasce em árvore. Estes são os nossos “proletários” e os nossos “camponeses”.

Se o camarada Stálin lesse as propostas da tal Confecom (Conferência de Comunicação) ou do Programa Nacional dos Direitos Humanos, versão 3.0, ou, ainda, os textos preliminares da Conferência de Cultura, talvez dissesse: “O que é isso, companheiro? Vamos mais devagar. A Constituição soviética de 1936 (íntegra aqui) conseguia ser mais mansa com a liberdade de expressão do que a turma de Paulo Vannuchi, Dilma Rousseff e Franklin Martins. Leiam o Artigo 125:
Em conformidade com os interesses dos trabalhadores e com objetivo de fortalecer o sistema socialista, a lei garante aos cidadãos da URSS:
Liberdade de expressão;
Liberdade de imprensa;
Liberdade de reunião;
Liberdade de manifestação de rua;
Esses direitos civis estão garantidos porque se encontram à disposição dos trabalhadores e de suas organizações impressoras, papel, prédios públicos, ruas, meios de comunicação e outras condições materiais necessárias para o exercício desses direitos.

A Carta elaborada pela burocracia socialista em 1977 (aqui) foi um pouco mais sintética, mas também desagradaria aos nossos esquerdistas em sua mansidão:
De acordo com o interesse do povo e com o objetivo de fortalecer e fomentar o sistema socialista, é garantida aos cidadãos da URSS a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião e de manifestação.

Também esse texto afirma que os trabalhadores têm à sua disposição os meios técnicos e aparelhos do estado para disseminar informações e a oportunidade de usar a imprensa, a TV e o rádio.

Mentira essencial
Bem, qual era a mentira essencial da URSS nesse particular — sempre observando que todo o sistema era fraudulento? Onde se lê “trabalhadores” ou “camponeses”, deve-se ler a burocracia do Partido Comunista. E isso era verdade em 1918, em 1936 ou em 1977. Também os nossos esquerdistas se querem porta-vozes dos trabalhadores. Quando pregam o “controle social da mídia”, estão falando de uma mídia que seja controlada por eles próprios — que passam a ser, então, a sociedade. Exagero? Vou provar que não! Vou exibir aqui uma formidável confissão.

A lembrança desses trechos de constituições soviéticas nos é útil porque dá, vamos dizer, paternidade histórica às proposta feitas pelos besourões — e todos sabemos o paraíso que lá se construiu. E olhem que afetavam bons propósitos, hein!? Os nossos stalinistas pançudos já não se dão o trabalho de disfarçar suas pretensões. Querem arreganhar os dentes já no texto legal — o que nem Stálin ousou fazer.

Vão conseguir? Não sei. Dilma Rousseff na Presidência da República é a melhor promessa que eles têm de lograr o seu intento. O Programa Nacional de Direitos Humanos passou pela Casa Civil. Ela é mais responsável pelo conteúdo final do documento do que Paulo Vannuchi. Ela é a esperança dos besourões. É a chance da revanche com que contam esquerdistas, oportunistas e dinheiristas vivaldinos de serviços. O tal programa é só uma espécie de síntese das pretensões da ex-militante da VPR e seus aliados oriundos da ALN e do MR-8.

19
jan
10

O paraíso de Vannuchi, Dilma e Franklin

Efe ontem.

A Administração Geral de Imprensa e Publicações da China (GAPP, na sigla em inglês) comunicou nesta segunda-feira, 18, que investigou por “más práticas” 78 jornalistas chineses e condenou sete deles no ano passado, informou o site chinês CNR.
A entidade, encarregada de regular e controlar os meios de comunicação chineses, não explicou em que consistiram as penas impostas nem os motivos que levaram a abrir as investigações. “A GAPP mantém históricos dos repórteres que violaram as regras e determinações”, limitou-se a advertir o órgão.
O organismo censor, que no ano passado fechou mais de 15 mil sites por mostrar conteúdos pornográficos, assegurou que em 2010 os esforços continuarão destinados a localizar as notícias “falsas” e a perseguir os repórteres que se beneficiem economicamente de suas notícias ou queiram “influenciar” com elas.
Segundo os dados oficiais, a GAPP recebeu 184 denúncias de más práticas em 2009, a maioria das quais sobre notícias falsas ou interessadas e de fraudes jornalísticas.
Organizações pró-direitos humanos como Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Human Rights Watch (HRW) consideram a China como um dos países de maior censura à imprensa e que conta o maior número de jornalistas presos, com mais de 20 jornalistas presos do total de 125 no mundo.

Comento
Digam se essa não é mesmo a pátria do sonhos de Paulo Vannuchi, Dilma Rousseff e Franklin Martins. No Brasil, a turma da Confecom quer exatamente isto: um “tribunal” (como chamou José Dirceu) para punir os jornalistas que não forem do gosto do “regime”. A tirania também “monitora” os jornalistas. É o que quer a Programa Nacional de Direitos Humanos.

Para arrematar: os chineses certamente não chamam o que fazem de censura ou perseguição. Dirão que atuam para proteger os direitos do povo e preservar a imprensa popular.

*blog do Reinaldo Azevedo (veja online)

19
jan
10

MESMO TENDO DIREITO, SERRA NÃO REIVINDICOU INDENIZAÇÃO

Quando gosto, digo “sim”. Quando não gosto, digo “não”. Como costumo escrever aqui, sou um ser bastante esquisito em tempos ambíguos e anfíbios… Achei desnecessário o comentário que o governador José Serra fez ontem sobre a eleição de Sebastián Piñera no Chile e escrevi a respeito. A canalha que me chama de “serrista” só demonstra o quanto ignora a trajetória de Serra e o quanto ignora o que eu próprio penso. Ele é um homem de centro-esquerda. Eu, dadas as categorias, estou “cada vez mais convicto” de que sou de direita — como diria outro Zé, o Caroço.

Os que afirmam que não haverá um candidato direitista disputando a eleição estão absolutamente certos. A direita disputa o poder em todos os países democráticos. No Brasil, não! Alguns acham isso bom. Eu acho isso uma coisa que só serve àqueles besouros… Adiante.

As pessoas claramente de direita aproveitaram o meu texto para criticar Serra na linha: “Está vendo? Eles são todos iguais! Não há diferença entre Dilma e o tucano”. E os petralhas resolveram se fingir de conservadores par vir com suas boçalidades de hábito. Por alguma razão, eles imaginam que conseguem fingir habilidade sobre duas patas. Impossível.

Vamos ver. Sou serrista? Não sou. Não obstante, alguém tem motivos para duvidar do meu voto? Só se for idiota. Mais uma indagação: são iguais? Não são mesmo! Serra pode ser de centro-esquerda ou de esquerda, mas desconheço ação sua que tenha contribuído para o estado perdulário ou irresponsável que caracteriza essa gente. Foi o principal responsável pela existência da Lei de Responsabilidade Fiscal, peça essencial na quase revolução havida nas finanças públicas no país. E é simplesmente patético comparar a formação intelectual e a experiência administrativa dos dois oponentes. Mas deixo para outra hora esse cotejamento. A eleição está longe. Não faltará oportunidade.

Como lembrei em texto anterior, Serra foi um duplo exilado, primeiro do Brasil e depois do Chile. Se pleiteasse, teria direito a uma gorda indenização da tal Comissão de Anistia — ou melhor, distribuída por ela; quem paga somos nós. Ele enviou, sim, uma carta à comissão, mas abrindo mão de qualquer compensação financeira. E me parece que isso diz um tanto de quem ele é. Teve de sair do Brasil para não ser preso ou morrer. Estudou e deu aula no Chile; depois, nos EUA. No que respeita à vida privada, recorrendo à linguagem popular, fez limonada com o limão. Lula certamente teria reivindicado a grana. Como sei? Porque ele reivindicou o levou. Recebe quase R$ 6 mil como “perseguido do regime”. Dilma também recebeu indenização de três Estados: São Paulo, Rio e Minas.

As diferenças, reitero, são muitas. Nesse momento, essa me parece ser uma distinção importante.

Blog do Reinaldo Azevedo (veja online)




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