Arquivo para 20 de janeiro de 2010

20
jan
10

Fundação Sarney desviou R$ 129 mil da Petrobras, diz CGU

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Uma auditoria preliminar da CGU (Controladoria Geral da União) identificou um desvio de pelo menos R$ 129 mil em um convênio fechado pela Fundação José Sarney com o Ministério da Cultura e patrocinado pela Petrobras.

Segundo o relatório elaborado por técnicos da CGU, a entidade, que leva o nome do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teria cometido uma série de irregularidades como contratações irregulares, falta de comprovação de serviços e utilização de notas frias.

Sarney diz desconhecer festa sexy realizada na fundação que leva seu nome
Ministério Público denuncia Fundação Sarney por uso irregular de R$ 960 mil
FGV quer administrar acervo da Fundação José Sarney

A CGU encaminhou o relatório para o Ministério da Cultura e espera explicações. Se o ministério não conseguir rebater as irregularidades apontadas, será apresentada uma denúncia ao TCU (Tribunal de Contas de União) para que o caso seja investigado.

Apesar de a Petrobras repassar a verba, cabe ao Ministério da Cultura, que é o responsável pela Lei Rouanet, fiscalizar a aplicação dos recursos e verificar se os gastos estão adequados.

A Folha Online não localizou o presidente da fundação, Joaquim Itapary, para comentar as denúncias. A assessoria de Sarney informou que até o final do dia deve ser divulgada uma nota sobre o caso.

A fundação recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro de 2008 para preservação de seu acervo.

O Ministério Público do Maranhão reprovou no ano passado as contas da fundação entre os anos de 2004 e 2007. Resolução publicada no “Diário Oficial” do Maranhão, assinada pela promotora Sandra Lúcia Mendes Alves Elouf, também apontou irregularidades como o uso incorreto de parte da verba da Petrobras encaminhada à fundação –que se transformou em aplicações bancárias.

Em dezembro, o Ministério Público denunciou a Fundação José Sarney pela aplicação irregular de R$ 960 mil repassados à entidade por meio de convênio com a Gerência de Estado da Cultura.

Segundo a ação civil pública por improbidade administrativa, o dinheiro deveria ser usado na “conservação, divulgação e exposição pública do acervo bibliográfico, documental, textual e museológico” da fundação, mas foi utilizado para custear despesas administrativas, entre elas pagamento de pessoal e manutenção da entidade.

O dinheiro foi repassado em 12 parcelas mensais de R$ 80 mil, durante todo o ano de 2004. Dos R$ 960 mil repassados, R$ 386,7 mil foram gastos com remuneração de pessoal.

Fechamento

Sarney anunciou, em outubro de 2008, o fechamento da fundação por falta de recursos financeiros.

Na ocasião, ele disse que tomou a decisão com “profunda amargura” ao constatar que a entidade não possuía mais recursos para se manter em funcionamento –depois das denúncias envolvendo a fundação.

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20
jan
10

ESPECIALISTAS DE MEIA-PATACA

Oh, comovente o esforço da petralhada para justificar o fato de um Rafale estar orçado em US$ 79,365 milhões para a Índia e em US$ 157,828 milhões para o Brasil. Do nada, do puro chute, vão tirando as explicações do embornal de bobagens: haveria diferenças na transferência de tecnologia; os 126 caças da Índia fariam toda a diferença, já que o Brasil quer encomendar 36; é preciso ver se os equipamentos são os mesmos etc. Huuummm. Tudo especulação. De concreto: para nós, o dobro do preço. Que diferença de contrato ou de produto explica o dobro do preço? Vão catar coquinho!

Ah, sim, sim… Eu não entendo nada de aviões, é claro! Não tentem jogar contra mim o que eu disse antes de todo mundo. Mas a Aeronáutica brasileira entende, não é? E foi ela que fez a avaliação de três caças: Rafale, F-18 e Gripen NG. E, para a FAB, a ordem de preferência é esta:
– Gripen NG;
– F-18;
– Rafale.

Digamos que o governo pudesse, vá lá, com esse relatório em mãos, alegar outras prioridades — seria preciso dizer quais — e escolher o Rafale. Mas não foi isso o que aconteceu. Antes do parecer técnico e dispensando-se de dar quaisquer explicações — além de um difuso e suposto interesse nacional —, decidiu comprar o pacote da França.

ISSO, POR SI MESMO, JÁ É ESCANDALOSO. E há, ademais, a questão do preço.

O DOBRO? POR QUE O DOBRO?

20
jan
10

Itália dá sinal verde a lei que extingue processos e beneficia Berlusconi

da Folha Online

O Parlamento da Itália deu o primeiro passo nesta quarta-feira para a aprovação de um projeto de lei que reduz drasticamente a duração de processos, uma medida que críticos dizem ter sido feita sob medida para suspender processos pendentes contra o primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

O Senado, onde Berlusconi tem uma ampla maioria, aprovou o chamado projeto “julgamento curto”, uma das reformas mais radicais do sistema de Justiça italiano desde o fim da Segunda Guerra (1939-1945), por 163 votos a 130.

O projeto agora vai para a Câmara, onde é quase certo que será aprovado, devido à maioria governista. A proposta estabelece um limite de seis anos e meio para todas as três etapas de processos judiciais –julgamento inicial, recurso, e apelação final– dependendo da gravidade do crime. Uma prorrogação seria possível para casos de máfia e terrorismo –com cinco anos em primeira instância, três em apelação e dois no Supremo-, mas além dessas exceções o réu estaria automaticamente absolvido ao fim dos prazos.

Devido ao seu efeito retroativo, a medida encerraria dois processos de corrupção e fraude contra Berlusconi, que nega todas as acusações e diz que foi perseguido por juízes desde que entrou para a política, em 1994

“Os prazos introduzidas por esta lei são ainda muito largos”, disse Berlusconi, acrescentando que ser processado na Itália é como entrar no inferno de Dante.

Mas a oposição vê benefícios pessoais para o primeiro-ministro.

“Com esta lei 100 mil processos serão extintos e Berlusconi será salvo, junto de seus negócios e suas responsabilidades criminais”, afirmou durante a votação o senador do partido opositor Itália dos Valores (IDV) Luigi Li Gotti.

O presidente da Associação Nacional de Magistrados, Luca Palamara, já havia denunciado que com esta lei 40% dos processos em andamento seriam anulados, muitos deles relacionados à máfia.

Com esta nova reforma da Justiça ficará imediatamente cancelado o chamado “caso Mills” no qual Berlusconi é acusado de corrupção em atos judiciais e o julgamento da Mediaset, grupo de televisão que pertence à família do primeiro-ministro que está sendo julgada por fraude fiscal na compra e venda de direitos de transmissão de filmes americanos.

Berlusconi defendeu nesta quarta-feira a reforma dizendo que há casos julgados não por tribunais, mas por um “pelotão de execução”.

“Não acredito [que haja elementos de inconstitucionalidade]: a Europa nos pede tempos claros nos processos e a Constituição [italiana] nos diz que os processos devem ter tempos razoáveis”, disse ele. “Quem é chamado a participar dentro da corrente infernal de um processo na Itália sabe bem o desastre que é a duração dos processos para sua vida e sua família.”

Segundo o órgão das magistraturas, o primeiro-ministro afirmou nesta quarta-feira que os ataques da oposição contra a proposta destroem a Justiça, “são todos desonestos. Não são problemas de Berlusconi, mas agressões ao presidente do governo”.

20
jan
10

Justiça decide afastar distritais do julgamento de processos contra Arruda

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O TJ-DF (Tribunal de Justiça) do Distrito Federal decidiu nesta quarta-feira pelo afastamento de deputados distritais –acusados de envolvimento em um suposto esquema de propina– do julgamento dos processos de impeachment do governador José Roberto Arruda (sem partido).

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios protocolou uma ação civil pública solicitando que esses parlamentares fossem considerados suspeitos e que os suplentes assumissem os mandatos durante a votação dos pedidos de afastamento de Arruda.

Dos oito distritais acusados de participação no esquema de arrecadação e pagamento de propina, a deputada Eurides Brito (PMDB) havia garantido uma vaga na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. A comissão é a primeira instância responsável por avaliar os pedidos de impeachment.

A ação do Ministério Público, assinada pela promotora Maria Rosinete de Oliveira Lima, envolve os deputados Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito, Júnior Brunelli (PSC), Leonardo Prudente (sem partido), Rogério Ulysses (sem partido), Rôney Nemer (PMDB), além dos suplentes Berinaldo Pontes (PP) e Pedro do Ovo (PRP), que são citados no inquérito.

Esses deputados também respondem a processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara e podem ser cassados. A Casa só deve analisar as cassações em fevereiro.

Presidência

Ontem, o TJ-DF rejeitou o recurso da Câmara Legislativa do DF para manter o deputado Leonardo Prudente (sem partido) na presidência da Casa. Com a decisão, deferida pelo presidente do tribunal, Níveo Gonçalves, Prudente terá que ser afastado do comando da instituição.

Hoje, ele foi notificado do afastamento e o comando da Casa foi repassado ao vice-presidente, Cabo Patrício (PT).

Na decisão, Gonçalves diz que o afastamento de Prudente não afeta o andamento dos trabalhos na Casa. “Não vislumbro, pelo menos no presente momento, qualquer violação à ordem pública a ser corrigida por meio do remédio excepcional”, diz o desembargador na decisão.

O vice-presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), considerou “estranha” a decisão da Procuradoria de recorrer, uma vez que a Casa ainda não tinha sido notificada oficialmente da decisão do TJ.

“Essa situação é, no mínimo, estranha. A Casa, segundo todas as informações que nós tivemos, não foi comunicada oficialmente da decisão do tribunal de afastá-lo da presidência. Com isso, ele [Prudente] ainda continua como presidente”, afirmou Patrício.

O advogado de Prudente, Herman Barbosa, afirmou à Folha Online que só vai tomar qualquer medida contra o afastamento do parlamentar quando Prudente for informado oficialmente que deve deixar o comando da Câmara Legislativa. “Só posso tomar alguma decisão quando ele for comunicado oficialmente”, afirmou.

Segundo assessores, Prudente está fora de Brasília, por isso ainda não foi encontrado para a notificação. O deputado deve retornar hoje de Goiânia (GO), onde estaria resolvendo problemas familiares.

Prudente, que foi flagrado guardando dinheiro nas meias no escândalo de corrupção no governo do DF, resiste em deixar a presidência porque ficaria mais vulnerável durante a tramitação dos dois processos de cassação que correm contra ele na Casa.

A permanência do deputado também é encarada pela oposição como uma estratégia para garantir manobras favoráveis ao governador durante a análise dos pedidos de impeachment.

Como Prudente se desfilou do DEM para evitar a expulsão, ele perdeu o direito de disputar a eleição de outubro e com isso não teria prejuízo político em atuar a favor de Arruda.

Recurso

A Câmara Legislativa do DF recorreu ontem ao TJ-DF para manter o deputado na presidência da Casa. De acordo com o tribunal, o documento –que pede a suspensão da liminar que determinou o afastamento de Prudente do cargo– teria sido assinado pela Procuradoria da Câmara. Entretanto, o argumento utilizado não foi divulgado.

Em resposta a uma ação popular, o juiz Álvaro Luis de A. Ciarlini, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, determinou anteontem o afastamento Prudente da presidência da Câmara local.

Ciarlini fixou multa de R$ 100 mil caso Prudente não deixe imediatamente o comando da Casa. O deputado disse, por meio de assessores, que vai cumprir a decisão do juiz.

No despacho, o juiz argumenta que existem fortes indícios de que o distrital teria cometido crimes “gravíssimos”.

20
jan
10

A CONFISSÃO: SEM O GOVERNO DO PT, QUE OS FINANCIA, ELES TERIAM DE FECHAR AS PORTAS

Caros, um texto longo, de mais de 10 mil toques. Mas leiam até o fim. É importante para entender este tempo e entender como “eles” pensam. E pode até ser divertido.
*
Em outubro, uma turma do PC do B promoveu um encontro preparatório para a Confecom — a tal Conferência de Comunicação de Franklin Martins. O vídeo abaixo reproduz alguns minutos do evento. Como vocês sabem, o governo costuma afirmar que suas conferências são antecedidas de um intenso debate. Debate? Digamos que os iguais se reúnem para aparar algumas arestas. Vejam o filme abaixo antes de ler o que segue ou deixem o vídeo carregando, leiam o artigo e voltem a ele depois.

Este senhor que fala primeiro é o empresário Joaquim Ernesto Palhares, dono do site esquerdista Agência Carta Maior. Anunciantes oficiais se sucedem na página. O da hora é o Ministério do Desenvolvimento Agrário!!! Palhares não é o único: as publicações de esquerda e uma penca de blogs governistas recebem dinheiro público. Para repassar, por exemplo, recursos a blogueiros amigos, há até uma rubrica no governo federal chamada, acreditem, “Democratização do Acesso à Informação Jornalística, Educacional e Cultural”. Sigamos.

Vamos ver o que diz o Palhares – e não deixo aqui de dar um risinho de canto de boca. Como não lembrar de um dos famosos tipos de Nelson Rodrigues, né? Palhares, o do Nelson, não o da Carta Maior, era o “canalha que não respeitava nem a cunhada”. Uma coisa é certa sobre este outro Palhares: ele não respeita a nossa inteligência. Transcrevo um trecho de sua fala naquele encontro:
“Num governo tucano, eu tenho a impressão que Carta Maior, os blogs [ele se refere aos blogs que prestam serviços ao governo] e Carta Capital estão fadados ao fechamento. (…) Na minha visão de empresário, não na minha visão de militante político, mas na minha visão de empresário, O IMPORTANTE SERIA METER A MÃO NO BOLSO DELES [ele se refere ao bolso dos grandes empresários da comunicação] para fortalecer o campo da mídia popular e progressista, para dar emprego aos estudantes de comunicação que, neste país, é um número absurdo e, hoje, não têm onde trabalhar, e nós estaríamos com isso fortalecendo o próprio debate. Porque, se nós tivermos várias pequenas empresas, várias pequenas iniciativas, individuais ou coletivas, COM RECURSOS PARA PODER FAZER UM TRABALHO ADEQUADO, eu tenho a impressão que o debate principal começa a tomar corpo. Este debate que só começa no sétimo ano do governo Lula. Se a Dilma for eleita, talvez a gente possa fazê-lo nos próximos oito anos e, aí sim, chegar a alguma conclusão”

Graaande Palhares! Pena Nelson não ter vivido tanto!…

Como se vê, sem o dinheiro público, o jornalismo “independente” que eles fazem (não sei se consegui ser espirituoso) não teria lugar. Eu até tranqüilizo o Palhares: o PSDB é tão viciado em entender o adversário, meu senhor, que, caso vença a eleição, o mais provável é que os sem-leitores recebam ainda mais verba. Só para provar que não há preconceitos…

Palhares atinge o sublime quando decide fazer uma sugestão “COMO EMPRESÁRIO”. E, como empresário, ele acha que o “O IMPORTANTE SERIA METER A MÃO NO BOLSO” dos outros empresários, os grandes. Segundo entendi, o dinheiro que seria roubado dos grandes — uso “roubado” porque me parece um sinônimo denotativo para “meter a mão no bolso” — seria passado aos pequenos. E Palhares, COMO EMPRESÁRIO, NÃO enquanto um sujeito bem pançudo, é um dos pequenos… O curioso é que ele reclama, numa passagem que nem transcrevi, mas que está ali no vídeo, que os grandes tenham decidido se retirar da Confecom… Vai ver estavam protegendo o bolso da sede expropriadora do Palhares…

E por que ele quer tirar dos grandes para dar aos Palhares? Ah, porque o debate principal tomaria corpo. O “DEBATE PRINCIPAL”, se não sabem, é justamente como acabar com os grandes… SE DILMA GANHAR, ELES ESPERAM REALIZAR A SUA GRANDE ARTE. Dilma? Sim, é aquela senhora que vai disputar a Presidência pelo PT e que é a principal responsável por aquele decreto dos supostos direitos humanos que pretende instituir a censura à imprensa. Viram como as coisas fecham?

Pequenas diferenças
Na seqüência de fala de Palhares, há alguns encaminhamentos da mesa etc, e a palavra passa para um sujeito chamado Venicio Artur de Lima, do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília. Sempre a gloriosa UnB, onde também há bons e valentes. Ele tenta explicar a um dos presentes o que quer dizer “controle social da mídia”. Pensador ousado, pesquisador profundo, ele logo remete a pessoa que fez a pergunta a uma definição dada pelo… MEC!!! O doutor consegue — e a platéia deu-se por satisfeita e até aplaudiu — destroçar o conceito de “accountability“, para ele sinônimo de “controle social”, expressão usada pelos esquerdistas do calcanhar sujo para tentar submeter a sociedade ao controle da militância política.

Homens que exercem cargos públicos devem prestar contas, numa democracia, às instâncias que o regime democrático estabelece como competentes para tanto — e todas eles nascem de um forma legítima E LEGAL de representação. Os ditos movimentos sociais e ONGs — no Brasil, nada menos do que braços de um partido políticos e seus satélites (como todos que compunham aquela mesa) — não têm legitimidade para ditar, como pretendem, o rumo das políticas públicas. Como aquela porcaria de suposto Programa de Direitos Humanos deixa claro, para essa gente, “accountability” compreende do monitoramento editorial dos veículos à cassação de concessões. Desafio este senhor a escrever um texto teórico — em vez de falar para ser aplaudido por pessoas mais ignorantes do que ele próprio — desenvolvendo o conceito que ele enunciou.

Mas nem todo mundo no PT e assemelhados, infelizmente, é idiota. Há também os inteligentes — errados, mas inteligentes. É o caso de Bernardo Kucinski, que está na ponta da mesa e fala por último nesse vídeo. Militante de esquerda de velha cepa, professor de jornalismo da USP, responsável pelo “monitoramento da mídia” na campanha de Lula à Presidência em 2002 e depois uma espécie de ombudsman do governo por algum tempo, não se deve cometer o erro de achar que ele queira uma sociedade muito diferente daqueles que estão ali. Ocorre que é muito mais perspicaz do que todos os outros somados e elevados ao quadrado. E o que diz Kucinski?

“Eu levantei a crítica a essas expressãoes como ‘controle social’ e ‘democratização da mídia’ porque, em primeiro lugar, eu acho que elas refletem uma visão defeituosa do problema, na origem, uma fuga do problema, que é a nossa própria incapacidade de criar comunicação. É evidente pra mim que essas duas expressões não são adequadas, independentemente disso. A expressão “democratização da comunicação” não permite o foco correto. Primeiro, a comunicação já está democratizada por essa revolução digital. Segundo, ela não distingue veículos impressos de meios eletrônicos, e essa é a distinção fundamental”.

Comento
Se não soubesse qual é a dele, até poria sua fala em azul… Pobre Bernardo! Se os que dão as cartas hoje nesse debate chegassem ao poder, ele iria para o paredão, acusado de traição e falta de convicção socialista, embora seja um autoritário mais consistente do que os outros porque sabe pensar — ainda que do lado que considero essencialmente errado. O ambiente foi tomado por chicaneiros, como resta evidente, que estão interessados em bater a carteira do dinheiro público. ESQUERDISTA MESMO É KUCINSKI. Os outros são oportunistas. É claro que, no particular, ele está certo: a revolução digital pôs a informação ao alcance de praticamente todo mundo que seja alfabetizado.

No trecho do debate que não postei, Kucinski expõe a diferença entre veículos impressos, que não dependem de concessão, e os eletrônicos, que dependem etc. De todo modo, ele rejeita a expressão “controle social” porque sente, de antemão, o cheiro de carne queimada. Mas os radicalóides, que devem matar o velho militante de tédio, transformaram a expressão num fetiche. E, com sua retórica cheia de bazófia, anula a voz da experiência. O que eu digo? Felizmente, eles são burros o bastante para não dar bola para Bernardo Kucinski. Os chicaneiros não deixam de ser úteis…

Voltando
Quero voltar ao Palhares, aquele que quer “METER A MÃO NO BOLSO DELES”. Segundo o pançudo, tudo precisa ser feito para “fortalecer o campo da mídia popular e progressista”. Pergunto: se é popular e progressista, onde está o povo leitor, o povo telespectador, o povo ouvinte? Hoje, as esquerdas dispõem de meios e dinheiro como jamais. Cadê o público. O diabo é que eles são chatos, são cafonas, são ignorantes, são mistificadores, são trapaceiros, são embusteiros, muitos são vigaristas, verdadeiros batedores de carteira. Eles padecem de uma congênita “incapacidade de produzir comunicação”, como diria Kucinski. Não lhes falta nada, a não ser talento!

Ora, diabos! Façam a sua TV Globo, façam a sua VEJA, façam o seu Estadão, o seu O Globo, a sua Folha… Franklin Martins pediu uma TV de presente. Ganhou, junto com quase R$ 700 milhões por ano. Conseguiram reduzir à metade aquele pontinho no Ibope que tinha a antiga TVE. Por quê? Porque não sabem a diferença entre notícia e doutrinação, entre entretenimento e doutrinação, entre programa infantil e doutrinação… Embora se digam amigos do povo, têm por ele um solene desprezo e estão sempre prontos a educá-lo, a livrá-lo de sua falsa consciência. A maioria de seus sequazes escreve mal, pensa mal, é de uma espantosa ignorância. É por isso que reivindicam com tanta energia um cartório, que tentam censurar os “adversários”, que resolvem tachá-los de reacionários ou sei lá o quê.

Disfarçam, com sua linguagem virulenta, seu complexo de inferioridade. Vejam o caso da tal Carta Maior, aquela ora financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Uma de suas peças de resistência é Emir Sader, do planeta mental Emirados Sáderes. O sujeito não sabe estabelecer a paz entre o sujeito e seu predicado sem que, freqüentemente, vírgulas alcoviteiras se metam na relação, isso quando o subjuntivo, coitado!, não é expulso da folia gramatical, ficando do lado de lá da cerca, só observando aquela celebração de indicativos em desalinho.

Mas Palhares quer “METER A MÃO NO BOLSO DELES”. Não é dinheiro que falta ao Palhares. O que falta ao Palhares é ter o que dizer. O que falta ao Palhares é LEITOR!!! Eu, “impopular” como sou, se quiser, loto um estádio. Ele, “popular” como é, não lota uma Kombi.

E existe ainda outra diferença. Não quero meter a mão no bolso de ninguém.

blog do Reinaldo Azevedo (veja online)

20
jan
10

Vês? Ninguém assiste à breguice de tua última quimera! Ou: eu gosto de patrulhar o Jabor porque ele fica bravo!

Viram só? Fiz um plágio de Augusto dos Anjos, hehe…

A imagem acima está na primeira página de hoje da Folha de Londrina. Mostra um cinema gigantesco — que eu saiba, não existem mais salas assim em São Paulo — ocupado por meia-dúzia de pessoas de boa vontade. Nome do filme: “Lula, O Filho do Brasil“. Coloque uma banca da rua e prometa injeção no olho de graça. Vai juntar mais gente.

Foi posta a serviço desse filme a mais gigantesca máquina de propaganda jamais havida no Brasil. E nada consegue tirá-lo do buraco. Eu ainda não vi. Mas estou quase lá. Depois eu conto como é que é e tento explicar as razões da flopada.

Mandam-me aqui o link do comentário de Arnaldo Jabor na CBN rasgando elogios ao filme. Huuummm… Juro que farei uma avaliação técnica também. Mas não preciso ver a fita para saber que a crônica de Jabor está equivocada. Ele começa elogiando o produtor Luiz Carlos Barreto. Sem Barretão, diz o cinema brasileiro já teria virado pó há muito tempo. Jura, Jabor? Pois é. Então ele já merecia ser criticado por isso, hehe.

A crítica de Jabor é corporativa e faz uma coisa que detesto: ele evoca a sua autoridade de avaliador isento — já que comprometidos e ideológicos são os outros, claro!, aqueles que discordam dele. Pode haver simplismo argumentativo mais facinho? E o que prova a sua independência? Ele se diz um crítico freqüente do governo Lula, e isso tornaria o seu juízo sobre o filme acima das suspeitas que pesam sobre aqueles que não gostaram da obra. Ok. Não se deve cobrar lógica de Jabor.

Na seqüência, recorre a um outro vício de pensamento típico do século passado: ataca a esquerda bolchevista e a direita reacionária e procura sair por cima. Trata-se de um dos mais manjados truques do debate: chame aqueles que discordam de você de “extremistas” e ocupe o centro, o lugar do bom senso. Covenham: isso dá uma preguiiiça!!!

Na ânsia de elogiar, Jabor chega a dizer que Glória Pires é uma das nossas mais destacadas atrizes de TV, cinema e teatro. A moça nunca pisou num palco. É conhecida a sua firme determinação de… não fazer teatro. Segundo Jabor, a pirataria estaria prejudicando o filme. É mentira! Uma mentira de fato e uma mentira conceitual. Mentira de fato: nem os camelôs se interessaram pelo dito-cujo porque não há demanda. Jabor precisa botar o pé na rua. Mentira conceitual: pirataria, por incrível que pareça, prejudica pouco o desempenho de filmes que caem no gosto do público. O filme mais pirateado da história do cinema nacional é Tropa de Elite. Foi um estouro de bilheteria. Intuo que a pirataria alavancou os cinemas. É dos poucos filmes que me fariam lamentar se o cinema brasileiro tivesse virado pó. Avatar já inundou as cidades. Fui ver no sábado (depois falo a respeito). O cinema estava fervendo.

Barretão já tentou de tudo: sindicatos, centrais sindicais, distribuição gratuita de ingressos, anúncios da TV exaltando Lula, anúncios da TV com Glória Pires exaltando Dona Lindu, merchandising em novela… Agora, há o testemunho de profissionais do ramo, como Jabor, que tem a “autoridade” de ser crítico do governo Lula. Esgotadas as chances de fazer a coisa dar certo com os puxa-sacos de hábito, o negócio é apelar a quem tem fama, que sempre achei injustificada, de opositor.

Sobre o fato de o filme ter sido concebido como peça de propaganda eleitoral, com a coordenação comprovada do ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, e o financiamento de empresas com interesses no governo, Jabor não diz uma vírgula. Aliás, diz, sim: acha que a referência às empresas que bancaram a obra é sinal de atraso mental ou sei lá o quê. Seria, sim, se a grana para os cineastas, sem a Lei Rouanet, brotasse fácil. Mas não brota. Que eu saiba, o próprio Jabor decidiu voltar a filmar. Está nadando na bufunfa, como Barretão?

ATENÇÃO!
Jabor pode gostar do filme à vontade. Não é proibido. Mas tem de dizer por quê, além daquela cascata de que os atores, a iluminação, o figurino etc são bons. Há verdadeiras porcarias que exibem excelente técnica. Sem essa! Escreva aí, Jabor: por que o filme é bom?

Esse negócio de desqualificar os críticos de “esquerda e de direita”, transformando, então, o suposto centro num juízo certo de nascença é picaretagem argumentativa. Reivindicar o centro não dá razão a ninguém.

Aquela sessão de Londrina é do último domingo à tarde, um bom horário para os cinemas, no Cine Com Tour.

Ah, sim: eu gosto de patrulhar o Jabor porque sei que ele fica bravo, rá, rá, rá.

20
jan
10

MAIS UMA DECISÃO PROVA QUE SOBREVIVEM JUÍZES EM BERLIM

O colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, e a Editora Abril não precisam indenizar o empresário Carlos Jereissati por reproduzir informações atribuídas a terceiros. A juíza Ana Lucia Vieira do Carmo, da 19ª Vara Cível do Rio de Janeiro, entendeu que não houve excesso por parte do jornalista, que apenas reproduziu informações repassadas por outras pessoas. Cabe recurso.

Em junho de 2006, Mainardi publicou texto na revista em que afirma “o que Daniel Dantas e seus homens me contaram confidencialmente foi o seguinte: Em meados de 2002, Naji Nahas informou a Daniel Dantas que o presidente da Telemar, Carlos Jereissati, tinha assinado um acordo com o PT, em troca de dinheiro para a campanha eleitoral. Pelo acordo, o governo tomaria a Brasil Telecom de Daniel Dantas e a entregaria à Telemar”.

Na decisão, publicada no início de dezembro, a juíza afirma que o colunista apenas registrou informação dada pelo banqueiro Daniel Dantas, que, por sua vez, teria recebido do investidor Naji Nahas. Para ela, apenas houve a transcrição de uma informação, sem qualquer sensacionalismo. “Posteriormente, verificou-se que a Oi (antiga Telemar) efetivamente adquiriu a Brasil Telecom, dando mais plausibilidade à informação fornecida e que, mais uma vez deve se destacar, não houve excesso desrespeitoso”, completou.

A juíza afirmou que o empresário é conhecido no cenário nacional e sabe que interessa a todos sua vida pública. “Se divulgados fatos verídicos, sem distorções tendenciosas e maliciosas, sem que sejam emitidos juízos de valor negativos, bem como palavras de cunho ofensivo, não há como se reconhecer que enseje aludida notícia abalos à honra ou à boa imagem do autor”, afirmou.

A juíza transcreveu, ainda, parte da decisão do Supremo Tribunal Federal, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130, em que os ministros entenderam que a Lei de Imprensa não foi recepcionada pela Constituição Federal, de 1988. “As publicações não foram ofensivas e representam a exteriorização do direito de informação, inerente à atividade jornalística, inexistindo exagero na notícia”, concluiu.

O empresário entrou com ação contra Mainardi e a Editora Abril para pedir R$ 100 mil de indenização por conta do texto publicado. Sustentou que a coluna fez com que tivesse a honra maculada.

A defesa da revista, representada no caso pelo advogado Gustavo Pinheiro Guimarães Padilha, alegou que o colunista não inventa situações e usa de um estilo que lhe é próprio, caracterizado por ser crítico. Afirmou, ainda, que a informação foi baseada em entrevista concedida pelo banqueiro Daniel Dantas ao colunista.
*blog do Reinaldo Azevedo(veja online)




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