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jul
10

Festa em Cuba ensombrecida por ausência de Fidel e sem anúncios de reformas

France Presse

O presidente de Cuba, Raúl Castro, liderou hoje (26/7) a maior festa da revolução, marcada pela ausência de Fidel Castro, do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e dos anúncios de uma abertura econômica esperados pelos cubanos.

Raúl Castro, de uniforme de general, presenciou o ato do 26 de julho na Praça Ernesto Che Guevara, na legendária Santa Clara, 280km a leste de Havana, sem fazer o pronunciamento central do ato.

“Fidel cuja visível recuperação é motivo de profunda alegria para todos os revolucionários (…) está presente e combatendo neste dia que tanto significa para ele e para todos nós”, afirmou o número dois de Cuba, José Ramón Machado, ao fazer o discurso.

Ao mesmo tempo, em Bruxelas, o ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Angel Moratinos, reiterou nesta segunda-feira que “todos” os presos políticos de Cuba serão libertados num período de quatro meses ou “até antes”, mas admitiu que ainda não tem o número certo de quantos opositores estão nos cárceres.

“Todos os presos de consciência serão soltos, num período de quatro meses e até antes”, assegurou Moratinos depois de reunião, em Bruxelas, com ministros europeus aos quais expôs a situação atual na ilha depois do início do processo de libertação, fruto de um diálogo entre Havana e a Igreja católica. Mas admitiu, no entanto, que ainda deve ser definido “quem é preso político em Cuba”.

Nesta segunda-feira, em Havana, a intensa atividade pública de Fidel Castro, que completa 84 anos em agosto, foi alimentada de expectativas sobre uma possível presença durante o ato, sobretudo depois que Chávez anunciou participação, cancelada domingo pela crise entre Colômbia e Venezuela.

“Esperávamos ver o Comandante-em-Chefe e, claro, ouvir Raúl, porque a situação do país está muito dura. Mas vamos continuar lutando”, disse Antonia López, de 60 anos, na Praça, onde está o mausoléu onde repousam os restos de Che.

Os cubanos também esperavam que Raúl Castro anunciasse reformas de peso para enfrentar a crise econômica, como uma abertura à pequena iniciativa privada, mas agora deverão aguardar 1º de agosto, quando presidirá a sessão do Parlamento.

O número dois de Cuba, José Ramón Machado, descartou uma esperada aceleração de reformas econômicas e afirmou que o Governo “continua buscando soluções” para os problemas.

Os cubanos atingidos pela escassez de alimentos e o alto custo de vida, apesar da cesta básica subsidiada, a educação e a saúde gratuitas, aguardam a possibilidade de abrir pequenos negócios, assim como a eliminação de duas moedas e o fim das restrições à compra e venda de casas e carros.

“Continuaremos a estudar, a analisar e tomar decisões que levem a superar nossas deficiências”, assinalou o vice-presidente ante 90 mil pessoas que foram à praça.

O Governo enfrenta uma forte crise de liquidez, ineficiência e baixa produtividade, numa economia 95% controlada pelo Estado, afetada pela burocracia, a corrupção, o embargo dos Estados Unidos e o efeito de três furacões em 2008.

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