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24
nov
09

Após obter apoio de Lula, Ahmadinejad segue para Bolívia e Venezuela

da Folha Online

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, partiu nesta terça-feira para Bolívia, próxima etapa de seu giro na América Latina em busca de apoio para seu controverso programa nuclear. Ele deixa Brasília satisfeito com um discurso de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu o direito iraniano a um programa nuclear, desde que tenha fins pacíficos.

Os encontros com os presidentes esquerdistas da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, para onde segue viagem, deve render a Ahmadinejad um apoio ainda mais declarado.

A agenda de Ahmadinejad na Bolívia ainda não foi divulgada. Já a Chancelaria da Venezuela, talvez uma das maiores aliadas de Teerã, afirmou que será uma visita “intensa” de dois dias para fortalecer a “sólida” relação entre os dois países.

“Somos dois povos decididos a construir nosso próprio caminho de independência e de desenvolvimento”, disse nesta segunda-feira o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

O chanceler venezuelano destacou “o esforço do presidente Ahmadinejad para aprofundar as relações produtivas entre ambos os países” demonstrado, segundo ele, “pelos mais de 70 projetos conjuntos existentes”.

“Nada pode nos impedir que sigamos desenvolvendo toda a capacidade produtiva entre ambos os países”, acrescentou Maduro, que citou os âmbitos energético, industrial e agrário como os principais pontos a serem tratados.

Irã e Venezuela assinaram nos últimos anos cerca de 300 memorandos de entendimento, dos quais quase 80% já foram aplicados, segundo disse na semana passada em Teerã o chefe da diplomacia venezuelana, em uma viagem para preparar a visita do presidente Ahmadinejad. Chávez viajou duas vezes este ano à capital iraniana.

Brasil

No Brasil, o presidente Lula afirmou diante de Ahmadinejad que reconhece o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear “com fins pacíficos” e em conformidade com os acordos internacionais. “O que nós temos defendido há muito tempo é que o Irã possa produzir urânio para desenvolvimento de energia”, disse Lula após a reunião que teve com Ahmadinejad em Brasília.

O presidente afirmou ainda que o desarmamento nuclear deve “andar junto” com a não-proliferação. Lula incentivou Ahmadinejad a continuar em busca de “países interessados” em encontrar uma solução para o que chamou de “questão nuclear iraniana”.

O presidente iraniano avaliou o papel do Brasil no cenário internacional e assegurou que o país “pode ter um papel ativo” na busca pela paz. Ahmadinejad deu ainda “boas-vindas à presença do Brasil na Ásia e no Oriente Médio”, por considerar que o país “pode fortalecer a cooperação” e também “contribuir para a estabilidade” na região.

Lula respondeu dizendo que o Irã pode ter um papel decisivo para conseguir a paz no Oriente Médio e na Ásia Central e que o país será “especialmente importante” para conseguir a “união” dos palestinos, condição prévia para que alcancem a ‘liberdade” de Israel.

Antes de Ahmadinejad, Lula recebeu nos últimos dez dias os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil foi bastante criticada, principalmente pela comunidade judaica, por organizações de defesa dos direitos dos homossexuais e por outros movimentos sociais devido à recusa do presidente iraniano em reconhecer o Holocausto, por suas ameaças a Israel e por causa da falta de liberdades no Irã.

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18
nov
09

AHMADINEJAD, O MATADOR

No próximo dia 23, um delinqüente internacional chamado Mahmaoud Ahmadinejad chega ao Brasil. Ele é presidente do Irã e expressão, vá lá, leiga, da ala dura do clero xiita que desenvolve um programa nuclear secreto. O Irã quer a bomba. Sem ela, o país já financia dois movimentos terroristas: o Hezbollah, que, na prática, governa o Líbano, e o Hamas, que tem o governo da Faixa da Gaza. Sem a bomba, o Irã já ameaça varrer Israel do mapa. Ahmadinejad, como se sabe, nega o Holocausto judeu e diz que tudo não passou de uma grande conspiração. Isso já seria o bastante para jogá-lo na lata do lixo. Não para o Itamaraty de Celso Amorim. Não para o governo Lula. Como não reconhecer? O governo brasileiro já adulou gente ainda pior. Um lulista poderia dizer: “Pô, a gente apóia o ditador do Sudão, que já matou 300 mil pessoas!”

Ahmadinejad chega na segunda-feira, seis dias depois de a Justiça do Irã, controlada com mão de ferro pela ala radical que ele representa, ter condenado cinco pessoas à morte e outras 81 a penas que variam de seis meses a 15 anos de prisão. Seu crime: participaram de protestos contra a fraude nas eleições — fraude que foi reconhecida pelo aiatolás do Conselho da Revolução Islâmica. Só o aiatolá Lula disse não ter visto nada demais, comparando os protestos da oposição a uma torcida contrariada, cujo time tivesse sido derrotado. Agora, com a profundidade política habitual, ele poderia continuar na alegoria: “Veja bem: nos estádios brasileiros, infelizmente, também morre gente de vez em quando…”

Tudo isso, dirão os pragmáticos, diz respeito à política interna do Irã, e o Brasil deve ser pragmático. Pragmatismo com um negador do Holocausto? Pragmatismo com um financiador do terrorismo? Pragmatismo com um governo que condena pessoas à morte por delito de opinião?

Quando Shimon Peres, presidente de Israel, esteve por aqui, o governo fez saber que Lula defendeu a criação do estado palestino (é justo!) e o entendimento com o Irã: é uma estupidez porque é impossível haver entendimento com quem não o reconhece e promete destruí-lo. O Irã tem de se entender é com as normas do direito internacional.

Vamos ver quais serão as mensagens de Lula a Ahmadinejad que vazarão para a imprensa. Posso adivinhar: o presidente brasileiro defende a paz e acredita que todo mundo tem o direito ao uso pacífico da energia nuclear…

Quem defende a paz na conversa com um delinqüente está defendendo a paz dos delinqüentes. Já é comum citar, eu sei, mas vá lá. Quando Chamberlain e Daladier disseram a Hitler que ele poderia ficar com um naco da Checoslováquia desde que, depois, a Europa vivesse em paz, estavam fazendo, sem querer, a opção pela guerra. E com desonra. A “paz” a qualquer custo é coisa de bandidos. Os milhões de mortos da Segunda Guerra não deixam de ser uma magnífica obra do “pacifismo”.

Volto à cena doméstica. Receber Ahmadinejad como líder de respeito, que tem o que dizer, corresponde, não tem jeito, a condescender com o terrorismo. É claro que um governo não precisa endossar práticas de outros para manter relações diplomáticas e comerciais. Ocorre que o presidente do Irã não é apenas “um outro”. Ele é o avesso da política; ele é a personificação do terror e, como se nota, esmaga o seu próprio povo.

A morte de Neda Soltani, a jovem alvejada no meio da rua porque protestava contra a fraude eleitoral que ajudou a reeleger Ahmadinejad. Outra boa maneira de demonstrar repúdio à presença deste senhor no Brasil é esfregar nas suas fuças a imagem de Neda. É ele o seu assassino.




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