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28
out
09

O PAC e a reconstrução da economia

Por Mário Mota
Nassif e Blogueiros,

Sou projetista da área de hidráulica e saneamento, com formação em engenharia sanitária e engenharia civil (nesta ordem).

A engenharia nacional sofreu fortes danos nas três últimas décadas. No início dos anos 80 houve uma quebradeira violenta, com o fim do sonho do “Milagre Econômico”, que causou o desmantelamento de muitas empresas de projeto, principalmente as que atuam no amplo setor da construção civil, no qual se insere o saneamento. Marcou essa fase o declínio do PLANASA – Plano Nacional de Saneamento, com o BNH sem recursos para aplicar no setor.

A partir de 90, com o governo Collor, os recursos da construção civil surgiram de forma tímida, porém parecia que estavam apenas nas mãos de grandes construtoras, pois recebíamos muitas solicitações do tipo “contrato de risco” (só te pago quando receber da obra) e os órgãos públicos não tinham um centavo para fazer projeto. Aviltaram muito os valores dos projetos e os salários dos profissionais, o que causou uma primeira evasão de gente de boa qualidade do mercado.

Durante a década de 90 o desastre continuou. Boa parte dos estados estavam inadimplentes com o governo federal, o avalista de todos junto a entidades de crédito e sem recursos para investir em infraestrutura e saneamento. Com a política de privatização de FHC a coisa piorou mais ainda, pois ele cortou linhas de crédito e deixou que ocorresse um sucateamento criminoso em setores vitais, como saneamento e transportes, para facilitar o “processo”. Foi uma perda irreparável de gente do setor de projetos, que investiram suas fichas em concursos públicos, principalmente, onde conseguiram sucesso com relativa facilidade, pois esse pessoal fazia parte da inteligência do setor.

No início do novo milênio ainda imperava a derrocada imposta pela política de FHC, e a falta de perspectivas positivas continuaram minguando o setor de projetos de profissionais, que após cumprir o estágio obrigatório na área de engenharia, iam estudar para concurso público em qualquer área que pagasse melhor. As empresas de projeto que não quebraram continuaram encolhendo.

Quando começou o PAC foi possível se avaliar o tamanho do rombo. Seguindo a cartilha, o recurso só é liberado depois que o projeto da obra é analisado e aprovado pelo agente financeiro. Ora, os estados e municípios estavam há anos sem contratar projetos, as empresas de projeto sem equipes, as construtoras também sem equipe, os órgâos contratantes também não têm equipes para acompanhar o desenvolvimentos dos projetos, ou seja, o Brasil não tem engenheiros suficientes para realizar o PAC!

Só que não houve ainda uma recuperação dos preços de projetos que possa motivar o retorno ou a fixação de profissionais na área de projeto. Estamos todos aguardando. Quero ratificar que sem o PAC, a engenharia nacional estaria quase extinta!

Creio que nos próximos poucos anos o setor deverá ser aquecido a uma temperatura adequada a dos demais setores da economia, uma vez que estava sendo tratado como elemento criogênico, pois estava encolhendo enquanto os demais setores estavam crescendo.

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14
out
09

Palcos para toda a obra

Deu em O Globo

Lula inicia visitas a intervenções à beira do São Francisco; em Buritizeiro, corrida de última hora

De Fábio Fabrini:

Quando pisar em Buritizeiro na manhã de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará numa cidade transformada para recebê-lo.

A prefeitura mineira e emissários do governo federal não mediram esforços para preparar o trajeto da comitiva oficial. Funcionários públicos municipais foram convocados para fazer uma faxina no fim de semana e no feriado.

Apenas ontem, véspera da visita, operários iniciaram a obra do PAC na Rua São Paulo, ponto que possivelmente será visitado pelo presidente.

Em Buritizeiro, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco (Codevasf) aplicará R$ 12,5 milhões na construção de 99,5 mil metros de rede de esgoto, além de uma estação de tratamento.

É a maior obra executada pelo órgão em Minas. Os serviços começaram em maio e 43% deles já foram feitos na parte alta e mais pobre da cidade, cujas ruas não têm pavimentação.

Mas o palanque de Lula foi montado longe dali, na Praça dos Pescadores, que fica às margens do Velho Chico e diante da histórica ponte Marechal Hermes.

Até ontem à tarde, não estava prevista a ida de Lula e seus ministros à obra. Mas, prevendo uma quebra de protocolo, a Codevasf abriu 600 metros de rede de esgoto a alguns quarteirões do palanque.

Sob sol escaldante, dezenas de operários marcavam o chão com cal. Tratores abriam buracos para instalar a nova tubulação.

— A recomendação é fazer uma obra próxima para, caso o presidente queira visitar, não tenha que ir para o meio do mato — explicou o chefe de fiscalização do empreendimento, Jorge Luiz de Araújo.




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