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ARTIGO – Não se colhe maçãs em pé de laranja

Qualquer que for o desfecho da patuscada brasiliana em Honduras os estragos na projeção do nosso País no cenário internacional são certos e sabidos.

A declaração do embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos, Lewis Anselem, de que o retorno de Manuel Zelaya foi uma atitude irresponsável e idiota é só um começo de conversa.

O fato é que o próximo presidente do Brasil terá muito o que fazer em matéria de política internacional, especialmente para desmontar as trapalhadas promovidas pelo terceiro-mundismo ideológico do Governo Lula.

A sensação que se tem é de que o presidente brasileiro precisa justificar para si mesmo que um operário de pouco saber escolar pode não ser só o dirigente de um país de média importância como o Brasil mas também um líder mundial.

Como se sabe, Lula nunca foi comunista, leu Marx ou teve adoração pelas estratégias de poder administrada por Stalin, mas tem lá as suas recaídas.

O presidente da República tem imenso prazer de se encontrar com ditadores africanos e políticos do quintal da América Latina que tramam contra a democracia para, em nome de um socialismo distante, exercer a sua hipotética liderança das nações pobres e ofendidas do Hemisfério Sul.

E que importância tem isso? Certamente nenhuma.

Em primeiro lugar, o mundo desenvolvido não dá a mínima para esses arroubos de arregimentação do andar do andar de baixo da aldeia global, pois jamais será uma ameaça concreta aos seus interesses.

A Venezuela, cujo presidente vive a dirigir impropérios ao patrão, é só um fornecedor de óleo cru para os Estados Unidos e ponto.

Não tem e não terá importância estratégica, mesmo que consiga reunir em torno do bolivarianismo a maior parte dos países bananeiros da América do Sul e Caribe.

Mesmo a tal liderança brasileira é muito mais um exercício de fantasia palaciana engendrada pelo Dr. Marco Aurélio “Brancaleone” Garcia do que qualquer coisa que caiba no mundo real.

Atitudes como a do suporte a Manuel Zelaya faz com que o Brasil se apequene no cenário internacional ainda que os maus conselheiros do presidente o façam imaginar portador de atitude estadista.

As trapalhadas à brasileira em Honduras acabam por dar razão aos analistas internacionais que sempre ridicularizam o Brasil e imaginam que Buenos Aires é a capital destes imensos e magníficos trópicos.

Em recente artigo publicado no jornal Miami Herald, interessante análise diz de o porquê do Brasil não poder ser líder regional.

Entre os óbices que impedem tal projeção, o articulista cita que temos 30% da população miserável, um estado de corrupção vexaminoso, pior do que de muitos países africanos, nossas universidades são medíocres, o índice de produção científica beira o ridículo e, além do mais, ser líder custa caro e exige potencial de força, dinheiro e capacidade militar que o Brasil não possui, complemento o raciocínio.

Como diz o articulista ao citar corriqueiro ditado americano: “Você não colhe maçãs em pé de laranja”.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)




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