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set
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Projeto Orvil – ALN – Capítulo X


A ALN e os “Justiçamentos”
Pela editoria do site

Aproveitando o idealismo dos jovens, sua ousadia e a sua esperança em poder reformar o mundo, as organizações subversivo-terroristas, tendo como suporte experientes militantes comunistas, sempre dispensaram especial atenção ao recrutamento dos jovens.
Texto completo

O recrutamento começava, geralmente, em reuniões sociais, shows, bares, colégios e faculdades. Inicialmente, reuniões informais, sem intenções políticas. A penetração de idéias subversivas era feita no momento em que o jovem sentia os problemas sociais no meio em que vivia.
Depois, os indivíduos que mais se destacavam eram reunidos para discussões em torno de fatos políticos que haviam causado impacto no âmbito internacional ou nacional. .

Nessa etapa, distribuíam textos que, partindo dos problemas gerais, se dirigiam aos problemas brasileiros.Esses textos levavam a pessoa a concluir que o sistema vigente era totalmente ineficiente, incapaz, explorador e corrupto.

O próximo passo era sugerir aos jovens idéias para concretizar a mudança: a revolução social, inicialmente apresentada como pacífica, para quebrar resistências e comprometê-los com o grupo. Ávidos por mudanças, propunham-se, inicialmente, a apoiar a organização. Contribuíam com dinheiro, mantinham material subversivo e militantes escondidos em suas casas, cediam automóveis para deslocamentos e locais para reuniões. Depois, praticavam pequenas ações, como panfletagem, entrega de mensagens, transporte de material e levantamentos, direção de carros.

Num crescente, iam se envolvendo em ações mais comprometedoras e perigosas, perdiam o medo e passavam a considerar questão de honra participar de atos arriscados e ter um bom desempenho perante o grupo.

Quando “abriam os olhos” já estavam participando de ações armadas, explosões de bombas e, finalmente, matavam. Nesse momento, descobriam que não tinham mais volta. Largavam a família, o emprego, os estudos e passavam a viver na clandestinidade, usando nomes falsos. A prática de ações armadas tornava-se rotina. Em muitos casos, eram enviados ao exterior para cursos de guerrilha e de capacitação política. . Depois dos cursos, ocupavam cargos de coordenação ou chefia dentro da organização.

Essa lavagem cerebral e o comprometimento com as organizações subversivas os tornavam reféns do terror e verdadeiros autômatos. Família, pátria, religião passavam a ser “alienações da burguesia”. Em suas mentes só havia espaço para as convicções ideológicas que lhes impregnaram e que, em muitos casos, levaram-nos à morte em enfrentamentos com os órgãos de segurança. Frente à repressão, esses quadros eram orientados a não se entregarem vivos. Eram ensinados a resistir até a morte. Nessa altura, sua formação ideológica tinha normas tão rígidas de comportamento que não havia mais volta. Em casos de arrependimento, corriam o risco de serem “justiçados”. Para isso tinham um “Tribunal Vermelho”, que , segundo suas absurdas leis, levados por suspeitas, condenavam o “réu” sem direito à defesa.

Em nome da “democracia”, não davam direito a seus próprios companheiros de ter um minuto de dúvida sobre o mérito de tão insana luta.

Normalmente, acumulavam as funções de “juízes” e executores.

“Justiçamento” de Ary Rocha Miranda – 12/06/1970

Ary Rocha Miranda e Wilson Conceição Pinto, havia pouco, tinham ingressado em um Grupo Tático Armado (GTA) da ALN. Originários da Frente de Massas da mesma organização terrorista, procuravam se adaptar ao novo trabalho, mais violento do que o anterior, no qual aliciavam pessoas.

Após alguns assaltos, sentiram que seriam mais úteis voltando ao trabalho na Frente de Massas, onde usariam mais argumentos do que armas. Cada um, segundo pensaram, seria útil aos propósitos da organização, dentro de suas habilidades pessoais. Gostavam mais de um trabalho de argumentação, arregimentação e convencimento das massas. Certos de que seriam atendidos, pediram à direção o afastamento do Grupo Tático Armado – GTA. Como resposta, foram ameaçados de morte por membros da ALN, caso abandonassem a luta.

No dia 12/06/70, a ALN fez um assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais, na Agência da Avenida Nossa Senhora da Lapa, esquina com a Rua Afonso Sardinha, em São Paulo. Tanto Ary, como Wilson, mesmo desconfiados, participaram da ação.

Eduardo Leite, o “Bacuri”, pertencia à Resistência Democrática (REDE), mas, nessa ocasião, como a REDE havia sido desbaratada, “prestava serviços” à ALN e participou do assalto. Eduardo Leite era um dos quadros mais violentos da luta armada.

Prontos para a ação, Wilson Conceição Pinto foi colocado como observador, a 30 metros do banco, e os demais partiram para o assalto.

Houve reação e Wilson, de onde estava, presenciou o tiroteio. “Bacuri” acabara de ferir, mortalmente, Ary Rocha Miranda com um tiro no peito. Logo a seguir, Wilson foi atingido por um tiro transfixiante no braço esquerdo, também disparado por “Bacuri”. Apavorado, lembrou-se das ameaças e da “coincidência” de os dois, ele e Ary, serem atingidos por um homem tão experiente em ações armadas como “Bacuri”. Apavorado, resolveu fugir, enquanto estava vivo. Evadindo-se do local, sem usar os carros da ALN, procurou socorro no Hospital São Camilo. Em seguida, entregou-se às autoridades.

Ary Rocha Miranda não teve a mesma sorte, foi transportado de carro, em estado gravíssimo, por Hiroaki Torigoe, “Bacuri” e um militante de codinome “Francisco”, para o “aparelho” de “Bacuri”. Para o ferimento no peito de Ary, foi apresentada a versão de que “Bacuri” confundira os dois companheiros de ação com os seguranças do banco.

A farsa prosseguiu com a ida de um militante do GTA, aluno do terceiro ano de Medicina, ao “aparelho” para prestar socorro a Ary, quando esse já estava morto.

No dia seguinte, foi escolhido o local do enterro. Por volta das 15 horas, dois elementos da ALN e “Bacuri” colocaram o cadáver na mala do carro e o enterraram num terreno em Embu-Guaçu, para uns, ou em Itapecerica da Serra, segundo outros. Lá está, até hoje, o corpo de Ary Rocha Miranda que, na época, tinha 22 anos, era natural de Ribeirão Preto e professor de caratê, 3º Dan. Foi assassinado pela ALN, porque resolveu mudar para a antiga função de aliciador.

Durante muito tempo, Ary foi dado como desaparecido e a responsabilidade pela sua morte imputada aos órgãos de segurança. Essa farsa só foi desfeita quando os militantes da organização começaram a “cair” e, na prisão, esclareceram a verdade.

Justiçamento” de Márcio Toledo Leite – 23/03/1971

Reunido em nova sessão, o macabro “Tribunal Vermelho”, tendo como “juízes” Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Clemente), José Milton Barbosa (Cláudio), Antônio Sérgio de Matos (Uns e Outros), Paulo de Tarso Celestino da Silva e Iuri Xavier Pereira (Big), condenou à morte, como sempre sem direito à defesa, Márcio Toledo Leite. Delito: suspeita de vacilação em suas convicções ideológicas e divergências políticas.

Em 1965, Márcio entrou para a Faculdade de Sociologia em São Paulo. O rapaz alegre, mulherengo e bon vivant passou a ser um ativo militante do movimento estudantil, interessado quase que exclusivamente em política.

Márcio era filho de uma família abastada de Bauru, proprietária de uma rede de faculdades espalhadas pelo interior de São Paulo. Entrou para a guerrilha quando cursava a faculdade e passou a usar o nome falso de Sérgio Moura Barbosa.

Em 1968, após participar de algumas ações, foi preso e libertado logo depois. Em seguida, viajou para Cuba, onde fez curso de treinamento de guerrilha, aprendendo a manusear armamentos e explosivos e a executar sabotagens, além de técnicas de guerrilha urbana e rural. Regressou ao Brasil, clandestinamente, em 1970, e passou a integrar a coordenação nacional da ALN, participando de algumas ações.

Faziam parte dessa coordenação: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (Clemente); Arnaldo Cardoso Rocha (Jibóia); Hélcio Pereira Fortes (Nelson); Yuri Xavier Pereira (Big); e Márcio Toledo Leite (Vicente).

A partir das ações nas quais participou, Márcio começou a divergir dos demais membros da Coordenação Nacional. Passou a criticá-los pelos métodos usados pela organização e pela forma de atuação.

Esses “jovens estudantes”, que, como apregoam, tanto lutaram pela liberdade e “redemocratização do País”, autoritários e antidemocráticos, j amais permitiriam que alguém questionasse decisões do grupo e, muito menos, tentasse deixar a luta armada ou a organização.

Márcio Toledo Leite, no dia 23 de março de 1971, chegou ao local de encontro, na Rua Caçapava, 405, na Consolação, em São Paulo, para conversar com os integrantes da ALN, pois estava insatisfeito com a forma pela qual a organização conduzia a luta armada.

Enquanto esperava, surgiu um Volks com dois ocupantes que dispararam mais de dez tiros de revólver .38 e pistola 9 mm. Um Gálaxie com três elementos dava cobertura à ação. Márcio foi atingido por oito disparos. Morreu na hora.

Participaram da ação: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz ; Antônio Sérgio de Matos; Yuri Xavier Pereira; Paulo de Tarso Celestino da Silva; e José Milton Barbosa.

A ALN assumiu a autoria do assassinato em panfletos deixados no local onde se lia:

“Foram ouvidos os companheiros do comando, diretamente ligados a ele, e foi dada a decisão.

Uma organização revolucionária, em guerra declarada não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilação dessa espécie, muito menos suportar uma defecção desse grau em suas fileiras. Cada companheiro ao assumir qualquer responsabilidade deve pesar bem as conseqüências deste fato” (…)

“Depois disto não se permite recuos.As divergências políticas serão sempre respeitadas. Os recuos de quem não hesitou em aceitar responsabilidades, nunca!

O resguardo dos quadros e estrutura da organização é questão revolucionária. A revolução não admitirá recuos!

Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.

Ação Libertadora Nacional – ALN.”

Após a morte de Márcio Toledo Leite, as autoridades encontraram em seus bolsos uma carteira de identidade que o identificava como Sérgio Moura Barbosa e uma carta onde ele fazia um longo relato sobre suas divergências com os seus companheiros da ALN. A carta é encerrada da seguinte forma:

“Não vacilo e não tenho dúvidas quanto às minhas convicções. Continuarei trabalhando pela revolução, pois ela é o meu único compromisso. Procurarei onde possa ser efetivamente útil ao movimento e sobre isso conversaremos pessoalmente.”

Justiçamento” de Carlos Alberto Cardoso – 13/11/1971

Carlos Alberto Cardoso, “Jaime”, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso pelo Centro de Informações da Marinha – Cenimar, em 9 de novembro de 1971, no Rio de Janeiro. Era enfermeiro e colaborou em um assalto ao hospital em que trabalhava. No interrogatório, teria feito um acordo com o Centro, para ser informante e colaborar com o órgão. Depois de solto, ou arrependeu-se, ou não teve tempo de passar as prometidas informações, pois, quatro dias depois, foi “justiçado” pelos companheiros de organização.

No dia 13 de novembro, Carlos Alberto foi executado pela ALN, com 21 tiros de metralhadora, no bairro Encantado, no Rio de Janeiro. A acusação, que o “tribunal” não discutiu, foi traição.

“Justiçamento” de Jacques Moreira de Alvarenga – 28/06/1973

Um dos poucos militantes que restavam da Resistência Armada Nacional – RAN era o professor Jacques Moreira de Alvarenga. Para sua infelicidade, no curso onde dava aulas para vestibulandos, tornou-se amigo de Merival Araújo, o “Zé”, da ALN, um dos participantes do assassinato do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior.

No dia 5 de abril de 1973, foi a vez do “comandante Amadeu”, também da RAN , ser preso e “entregar” vários militantes , inclusive o professor Jacques, que também foi preso. Durante seus depoimentos na polícia, o professor “abriu” um contato que teria com Merival. Preso, Merival “abriu um ponto”. Levado ao local para a “cobertura”, tentou fugir e foi morto.

A ALN perdeu um dos seus “quadros” mais ativos e violentos e jamais perdoaria o professor Jacques.

A libertação do “Professor”, um mês depois, deixou a ALN excitada. Era preciso vingar Merival e, para isso, os seus militantes tinham prática. O “Tribunal Revolucionário” foi novamente convocado e o professor Jacques condenado à morte, sem direito à apelação.

Maria do Amparo Almeida Araújo, irmã de Luís Almeida Araújo, ambos da ALN, participou do levantamento dos hábitos do “Professor”. Em 28 de junho de 1973, às 11h15, o companheiro de Maria do Amparo, Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, “Luís”, um dos mais violentos militantes da ALN, que também participara do assassinato do delegado Octávio, chefiando dois militantes da ALN, nunca identificados, rendeu o porteiro do Colégio Veiga de Almeida, da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca. Invadiram a escola e encontraram o professor Jacques sentado numa sala de aula, redigindo uma prova para os vestibulandos do curso MCB. Quatro tiros de pistola .45 mataram o professor, menos de três semanas depois de ter sido solto. Um cadáver, muito sangue no chão e uma das paredes pichadas com a sigla ALN, foi o que encontraram os policiais ao chegarem no local.

Além dos “justiçamentos” de companheiros, outras vítimas, foram “julgadas” e executadas, sem direito a defesa , apenas por supostas traições, ajudas aos órgãos de segurança, por pertencerem a “países imperialistas” ou por serem membros dos órgãos que os combatiam.

Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler – 12/10/1968

A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) desejava realizar uma ação que tivesse repercussão no exterior, ao mesmo tempo que a projetasse no âmbito das organizações terroristas nacionais.

A proposta foi discutida entre Marco Antônio Braz de Carvalho, o “Marquito”, da ALN, ligação de Marighella com a VPR, e Onofre Pinto, dessa segunda organização.

Foi estudada a possibilidade de assassinar o capitão do Exército dos EUA Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Universidade de São Paulo. Ele cumprira missão no Vietnam e viera para o Brasil com a esposa Joan Xotaletz Chandler e quatro filhos menores. Fazia um curso na Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, em São Paulo. Para justificar o “justiçamento”, alegaram que Chandler lutara contra a causa do Vietnam e era representante do imperialismo americano. Novo “Tribunal Revolucionário” e novos “honoráveis juízes” foram convocados:

Onofre Pinto, João Quartin de Moraes e Ladislas Dowbor, todos da VPR, condenaram-no à morte. Em seguida, passaram à ação. Era necessário “levantar” a residência do militar americano e seus hábitos, o que foi feito por Dulce de Souza Maia, a “Judite”, também da VPR.

Concluído o levantamento, os dados foram entregues ao grupo de execução, formado por: Pedro Lobo de Oliveira – VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira – VPR; e Marco Antonio Braz de Carvalho – ALN.

No dia 12 de outubro de 1968, às 8h15, executaram a sentença. De uma casa ajardinada na Rua Petrópolis, no Sumaré, Chandler saiu para mais um dia de estudos. Já se despedira dos filhos: Jeffrey (4 anos), Todd (3 anos) e Luanne (3 meses). Retardou-se um pouco se despedindo de Joan, sua mulher. O filho mais velho, Darryl, de nove anos, como fazia todos os dias, correu para abrir o portão da garagem. O grupo de execução o espreitava com uma metralhadora INA e dois revólveres calibre 38. O carro usado era um Volks roubado, que impediu a passagem do carro do capitão.

Diógenes José Carvalho Oliveira descarregou à queima roupa os seis tiros do seu revólver. Em seguida, Marco Antônio Braz de Carvalho desferiu-lhe uma rajada de metralhadora.

No interior do carro, crivado de balas, estava morto Charles Rodney Chandler.

Era essa a forma usada pelos criminosos da esquerda revolucionária para dar curso à sua “luta contra a ditadura militar”. Assassinar com crueldade era o dia-a-dia desses sanguinários combatentes do marxismo-leninismo.

Participaram da ação: Onofre Pinto – VPR; João Carlos Kfouri Quartin de Moraes – VPR; Ladislas Dowbor – VPR; Dulce de Souza Maia – VPR; Pedro Lobo de Oliveira – VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira – VPR; e Marco Anônio Braz de Carvalho – ALN.

Justiçamento de Henning Albert Boilesen – 15/04/1971

As ações dos terroristas causavam insegurança junto aos empresários, pois elas poderiam desestabilizar a economia, que estava em franco crescimento. Além disso, temiam os seqüestros.

A expressiva presença de integrantes de todos os segmentos da sociedade paulista nas solenidades militares era constante, demonstrando, publicamente, o reconhecimento pelo trabalho que vinha sendo realizado para acabar ou reduzir a intranqüilidade da sociedade em face da guerrilha urbana.

Henning Albert Boilesen era uim industrial dinamarquês, naturalizado brasileiro. Tinha profunda admiração pelo Brasil. Falante, declarava-se anticomunista e condenava, publicamente, os atos subversivos e terroristas. Era um amante das artes e um homem preocupado como os aspectos sociais. Auxiliava entidades filantrópicas e criou o Centro Integrado Empresa-Escola, entidade responsável pela formação de mão-de-obra especializada.

Os reveses que os terroristas vinham sofrendo e o ostensivo reconhecimento público da sociedade ao trabalho dos órgãos de segurança, os levaram a mais um ato insano.

Os inimigos da Contra-Revolução de 1964, que apoiavam a luta armada, não se conformavam com o sucesso do combate ao terrorismo.

Era preciso desmoralizar, caluniar, inventar, criar e deturpar fatos e, principalmente, mentir. Espalharam o boato de que o êxito do trabalho do DOI se devia ao fato de alguns industriais auxiliarem o órgão com muito dinheiro.

Essa farsa, a respeito das doações, chegou aos ouvidos dos terroristas. Eles decidiram que teriam de “justiçar” alguns desses “colaboradores da repressão” e seqüestrar outros para intimidá-los. Com esses assassinatos, estancariam os recursos que eles pensavam estar abastecendo o DOI. Os seqüestros serviriam para libertar presos ou exigir dinheiro em troca da liberdade dos reféns.

Depois de alguns estudos para escolherem a primeira vítima, Carlos Lamarca mandou por André Camargo Guerra, do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), para Herbert Eustáquio de Carvalho (Daniel), da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um bilhete com três nomes:

Henning Albert Boilesen – diretor do Grupo Ultra; Peri Igel – presidente do Grupo Ultra; e Sebastião Camargo – presidente da Construtora Camargo Correia.

No seu bilhete, Lamarca marcou com uma cruz o nome de Boilesen, indicando- o como o primeiro a ser “justiçado”.

O levantamento dos hábitos de Boilesen começou na segunda quinzena de janeiro de 1971 e dela participaram: Devanir José de Carvalho, Dimas Antônio Casemiro, Gilberto Faria Lima e José Dan de Carvalho, pelo MRT; Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, pela ALN; e Gregório Mendonça e Laerte Dorneles Méliga, pela VPR.

Em 5 de abril de 1971, Devanir José de Carvalho, um dos que participaram do levantamento, morreu quando, em seu “aparelho”, enfrentou agentes do DOPS.

A “frente”, que recebeu o nome de “Comando Revolucionário Devanir José de Carvalho”, era formada por três organizações terroristas: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR); Ação Libertadora Nacional (ALN); Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT).

No dia 15 de abril de 1971, quando Boilesen entrou com seu carro na Alameda Casa Branca, dois carros com os terroristas emparelharam com o dele. Pela esquerda, Yuri, colocando um fuzil para fora da janela, disparou um tiro que raspou a cabeça de Boilesen. Este saiu do automóvel que dirigia e correu em direção contrária ao movimento dos veículos. Foi inútil. José Milton Barbosa, que vinha pela direita, descarregou sua metralhadora nas costas do empresário.

Yuri desfechou-lhe mais três tiros de fuzil.Cambaleando, Boilesen arrastou-se mais alguns metros e caiu na sarjeta.Aproximando-se, Yuri disparou mais um tiro que lhe arrancou a maior parte da face esquerda.

Sobre o corpo de Boilesen, mutilado com 19 tiros, Joaquim Alencar Seixas e Gilberto Faria Lima jogaram panfletos, dirigidos “Ao povo brasileiro”, onde faziam a seguinte ameaça:

“Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore. O que importa é que sentirão o peso da Justiça Revolucionária.

Olho por olho, dente por dente.”

Participaram da execução de Boilesen: Joaquim Alencar Seixas (Roque), do MRT; Dimas Antônio Casemiro (Rei), do MRT; Yuri Xavier Pereira (Big), da ALN; Antônio Sergio de Matos (Uns e Outros), da ALN; José Milton Barbosa (Cláudio), da ALN; e Gilberto Faria Lima (Zorro), da VPR.

As famílias dos que participaram dessa ação e depois morreram, foram indenizadas pela Lei 9.140/95. Os que continuaram vivos foram indenizados por outras Leis.

A família do industrial assassinado deveria pensar em processar aqueles que, através da mentira e da calúnia, deturpam os fatos e procuram manchar a honra e a dignidade de Henning Albert Boilesen.

David A. Cuthberg

05/02/1972

Em 1972, para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil, vários eventos foram programados. Um desses era a visita de uma Força Tarefa da Marinha Inglesa, composta por cinco navios, que chegou ao porto do Rio de Janeiro em 5 de fevereiro.

Ansiosos para conhecer o Rio de Janeiro, os marinheiros, no mesmo dia, saíram para aproveitar a noite carioca. Não imaginavam que, no País, terroristas estavam agindo, como sempre, traiçoeiramente.

Após o serviço no navio HMS Triumph, um jovem marinheiro, de 19 anos, David Cutthberg, e seu colega Paul Stoud tomaram um táxi e partiram para o que imaginaram ser uma noite de muito samba e alegria.

Nove terroristas, no entanto, estavam em dois carros, à espreita, prontos para novo “justiçamento”. O “Tribunal Revolucionário” escolheu a vítima aleatoriamente. Não interessava a identidade do morto, apenas o impacto na opinião pública, além do destaque, no exterior, que seria dado às organizações terroristas.

No táxi, conduzido por Antônio Melo, os dois jovens seguiam, ansiando por divertimento. Logo em seguida, na esquina da Avenida Rio Branco, em frente ao Hotel São Francisco, viram um carro emparelhar com o táxi. Pela janela desse carro uma metralhadora cuspia fogo. Foi a última visão que o marinheiro David Cuthberg teve do Rio de Janeiro. Morreu na hora. Seu colega Paul Stoud e o taxista, atônitos, salvaram-se por milagre.

Lígia Maria Salgado Nóbrega jogou, dentro do táxi, sobre o cadáver, os panfletos com o veredicto do famigerado tribunal. David, como sempre, fora condenado, sem direito à defesa, por representar “um país imperialista”.

O “Comando da Frente”, composto pela ALN, VAR-Palmares e PCBR, justificou o ato insano como sendo solidariedade à luta do IRA contra os ingleses.

Participantes desse “justiçamento”:

Flávio Augusto Neves Leão Salles (Rogério), da ALN; Antônio Carlos Nogueira Cabral (Chico), da ALN ; Aurora Maria do Nascimento Furtado (Márcia), da ALN ;

Adair Gonçalves Reis (Sorriso), da ALN; Lígia Salgado da Nóbrega (Ceguinha), da VAR-Palmares ; Hélcio da Silva (Anastácio), da VAR-Palmares; Carlos Alberto Salles (Soldado), da VAR-Palmares; James Allen Luz, da VAR-Palmares; e Getúlio de Oliveira Cabral (Gogó), do PCBR .

Assassinato do Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior

25/02/1973

Com o grande número de quedas em combate com os órgãos de segurança, as organizações chegaram à conclusão que era necessária uma ação de impacto que as atingisse diretamente.

Apareciam em documentos apreendidos em “aparelhos” de terroristas, em São Paulo, levantamentos de oficiais das Forças Armadas, de membros da Secretaria de Segurança e do pessoal do DOI/II Exército.

Alguns desses levantamentos foram enviados para o Chile, onde um grupo grande de refugiados atuava. O sanguinário “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu que o impacto seria maior se “justiçassem” um membro do DOI. O tribunal era composto por “honoráveis juízes” da VPR, ALN, PCBR e VARPalmares.

O escolhido foi o Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior, delegado de Polícia, 33 anos, membro do DOI/II Ex e chefe de uma das Turmas de Busca e Apreensão.

Avisado sobre os levantamentos encontrados, alegava, com seu sorriso contagiante, que Deus estava com ele, que nada temia e continuaria com sua vida normal.

Em São Paulo, cumpria a sua rotina diária, sempre atento e seguindo as normas de segurança. Nos finais de semana, sexta-feira à noite, quando não estava de plantão, seguia para o Rio de Janeiro onde ia ver sua noiva. No Rio, andava sempre desarmado. Em Copacabana, relaxava. Hospedava-se, ia à praia e jogava vôlei, sempre no mesmo lugar. Despreocupado, apesar de todas as instruções recebidas para verificar se estava sendo seguido. Confiava na sorte e facilitava. Aproveitando-se disso, Bete Chachamovitz, da ALN, fez todo o seu levantamento e repassou sua rotina para o “Comando Getúlio de Oliveira Cabral”. Todos os horários, hábitos, locais freqüentados, enfim, toda a sua ficha. Estava selada a sua sorte .

Sexta-feira, 23/02/1973, à noite, Dr. Octávio viajou para o Rio de Janeiro.Sábado amanheceu no Rio e foi para o apartamento onde sempre se hospedava. Em seguida, foi à praia de Copacabana. Não percebeu dois homens estranhos que o observavam. No dia seguinte, domingo, 25/02/1973, pela manhã foi à praia . Jogou vôlei e, na volta, foi almoçar no Leme, com seu amigo Carlos Alberto Martins. Voltou do almoço e, distraído, não notou um automóvel Opala estacionado na esquina da Avenida Atlântica com a Rua República do Peru. Os carrascos estavam à espreita desde às 15 horas. No Opala, os encarregados da execução. Os outros estavam em locais estratégicos para dar cobertura.

Dr Octávio estava de bermudas e como sempre, desarmado. Parou em um orelhão para ligar para a noiva. Nesse momento, Bete Chachamovitz fez um sinal e o apontou para os assassinos. Três terroristas partiram em sua direção. Uma esteira de praia, debaixo do braço de um deles, escondia uma carabina calibre 12 mm, arma de caça, de alto poder de destruição.

De dentro da esteira partiu o primeiro tiro que o atingiu pelas costas. O impacto foi tão forte que o derrubou e o atirou longe. Um segundo tiro, dirigido ao coração, atingiu um crucifixo de ouro que ele trazia – Dr Octavio era católico praticante e pertencia à Ordem Terceira de São Francisco. O outro homem aproximou-se e deu-lhe mais dois tiros no rosto, deformando-o. Os últimos tiros foram disparados de uma pistola 9 mm. Ele morreu instantaneamente. Seu amigo, Carlos Alberto, foi ferido com dois tiros, mas sobreviveu. Os assassinos jogaram panfletos sobre o corpo e fugiram em seguida.

Como impacto sobre os órgãos de segurança não poderia haver melhor escolha. Dr. Octávio era um delegado idealista, carismático, amável e estimadíssimo.

Participaram da ação:

Bete Chachamovitz – ALN; Merival Araújo (Zé) – ALN; Flávio Augusto Neves Leão Salles (Rogério) – ALN; Thomaz Antônio da Silva Meireles Netto (Luiz) – ALN;

José Carlos da Costa (Baiano) – VARPalmares; James Allen Luz (Ciro) – VAR-Palmares; Ramires Maranhão do Vale (Adalberto) – PCBR; e Ranúsia Alves Rodrigues (Florinda) – PCBR.

Para os terroristas, o “Tribunal Revolucionário” detinha o poder da vida e da morte e esses assassinatos eram “justiçamentos”. Ao todo os terroristas “justiçaram” , cerca de 30 pessoas.

Veja no site http://www.averdadesufocada.com – Sessão de Vídeos a Entrevista com Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o “CLEMENTE” – Militante do Grupo Tático Armado da ALN, ao Fantástico.

Fontes: A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça – Carlos Alberto Brilhante Ustra

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